Seguro Sem Mistério: gestão de riscos e a prevenção que salva empresas

Com 25 anos de experiência em sinistros de grande porte, Marlon Basso revela por que prevenção é investimento e como empresas podem evitar prejuízos milionários.

No novo episódio do programa Seguro Sem Mistério, o diretor Bruno Carvalho recebe Marlon Basso, superintendente de gerenciamento de risco da REP Risk, para uma conversa sobre um tema que nunca foi tão atual: a gestão de riscos e sinistros de grande porte. A entrevista percorre desde a trajetória profissional de Marlon até os desafios práticos enfrentados pelas empresas brasileiras na prevenção e recuperação de grandes sinistros, tudo com o olhar técnico de quem vivenciou de perto catástrofes como as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024.

Gerenciamento de risco não é custo, é investimento“, afirmou Basso. A frase resume a essência da conversa: um retrato da REP Risk como uma empresa que atua na linha de frente da prevenção, ajudando empresas a evitarem prejuízos milionários e a manterem suas operações funcionando mesmo diante de eventos catastróficos.

Marlon entrou no mercado de seguros há aproximadamente 25 anos, iniciando em um projeto de marina e transporte, atuando na regulação, perícia e inspeção de sinistros. Após quase uma década nesse segmento, migrou para o setor de property — indústrias e grandes empresas. “Passei por uma empresa com sede em Madrid, atuando na regulação de grandes sinistros no Brasil e no mundo inteiro. Isso me deu muita bagagem“, contou. A experiência em diversas catástrofes ao longo dos anos o preparou para, em 2021, receber o convite do Grupo REP para estruturar o departamento de sinistros da corretora. Em 2025, assumiu a superintendência da REP Risk Consult, focada em prevenção e mitigação de riscos.

 


 

REP Risk: do sinistro à prevenção

Com atuação focada em gerenciamento de risco, a REP Risk atua em várias frentes: preparação de clientes, mapeamento de riscos, consultoria preventiva e apoio técnico na liquidação de sinistros. “A gente identifica, sinaliza, controla e gerencia o risco do cliente para que ele possa melhorar e, principalmente, não tenha sinistro“, explicou Marlon.

Durante a entrevista, Marlon destacou a atuação da empresa nas enchentes de maio de 2024 no Rio Grande do Sul: “Liquidamos centenas de sinistros. Foi um trabalho intenso, porque muitas empresas não estavam preparadas“. Ele revelou um dado alarmante: das perdas estimadas em 100 bilhões de reais no setor industrial gaúcho, apenas 6 bilhões estavam cobertos por seguros. “Ou seja, apenas 6% tinha cobertura de alagamento e inundação. A cultura de prevenção ainda não está enraizada.

Grandes riscos: quem são e onde estão

Marlon explicou que uma empresa de grande risco pode ser identificada por diferentes critérios: faturamento acima de 500 milhões de reais ao ano, infraestrutura robusta, elevado número de funcionários ou importância estratégica dentro de sua cadeia produtiva. “Quando falamos de grandes riscos, estamos falando de empresas cuja paralisação impacta não só a própria operação, mas toda uma rede de fornecedores, clientes e, muitas vezes, comunidades inteiras.”

Os setores mais expostos, segundo Basso, são energia, indústria de transformação e agronegócio. “Disparadamente, energia e indústria estão no topo. São operações complexas, com riscos operacionais elevados e grande dependência de equipamentos críticos.”

Quando o imprevisto vira manchete

Marlon citou casos emblemáticos que ilustram a dimensão dos riscos enfrentados pelas grandes empresas. A micro explosão na fábrica de motores da Toyota em São Paulo, no final de setembro de 2024, gerou prejuízos estimados em 300 milhões de reais e paralisou toda a cadeia produtiva. “Não tem como fabricar veículos sem os motores. A interdependência entre as indústrias para“, destacou.

Documentação e litígio técnico

Ao ser questionado sobre as maiores dificuldades na condução de processos de sinistros de grande porte, Marlon foi direto: “A parte documental e o entendimento técnico entre perícia, reguladora e segurado“. Ele explicou que o regulador é responsável por interpretar as letrinhas miúdas da apólice — aquelas 300 páginas que ninguém lê — e garantir que o que está sendo cobrado realmente está coberto e é justo.

Muitas vezes o processo trava porque o documento técnico não atende à especificação solicitada, ou porque há superfaturamento, nem sempre culpa do segurado, mas de fornecedores que inflacionam valores ao saber que é para seguro.” Marlon destacou que a REP Risk atua justamente nesse ponto crítico, orientando o cliente, desburocratizando a documentação e acelerando a liquidação.

Risk Mapping e planos de continuidade: prevenção na prática

Um dos produtos centrais da REP Risk é o Risk Mapping, um mapeamento detalhado dos riscos aos quais a empresa está exposta. “A gente entra na operação, entende os processos, identifica vulnerabilidades e apresenta soluções técnicas. Não chegamos com os dois pés na porta. Vamos com calma, porque sabemos que estamos lidando com profissionais que dedicam suas vidas àquelas operações.”

Marlon reconheceu que a aceitação nem sempre é imediata. “Muitas vezes você está confrontando o trabalho do técnico de segurança, do risk manager ou do gestor operacional. Mas quando mostramos que viemos somar, não destruir, e que temos experiência real em sinistros, a conversa flui.”

Outro ponto fundamental é o plano de continuidade de negócios. “Se acontecer um sinistro, o que você vai fazer? Como vai manter a operação? Como vai pagar os funcionários se ficar seis meses parado?” Marlon contou que já atuou como psicólogo em diversos casos, especialmente com empresários que viram patrimônios de uma vida inteira desaparecerem em poucas horas. “40 anos para construir, 40 minutos para acabar. Por isso a preparação é vital.”

Catástrofes climáticas: o Rio Grande do Sul como exemplo

Marlon foi enfático ao tratar de riscos climáticos: “Não é ‘se vai acontecer’, é ‘quando vai acontecer‘”. Ele defendeu que empresas precisam ter planos de contingência robustos, especialmente em áreas de risco como regiões alagáveis ou sujeitas a deslizamentos. “Aqui no Rio Grande do Sul, a enchente demorou anos para se repetir na magnitude que vimos. Mas ela aconteceu. E muitas empresas não estavam preparadas.”

Ele destacou que ferramentas e práticas comuns no exterior, onde catástrofes naturais são mais frequentes, podem e devem ser aplicadas no Brasil. “A gente tem experiência internacional para aplicar aqui. Trabalhamos na elevação de equipamentos, criação de backups, redundância de sistemas, contratação de coberturas adequadas como lucro cessante e despesas fixas.”

Cultura do seguro: ainda há muito a fazer

Ao falar sobre a maturidade do mercado brasileiro em relação ao seguro de grandes riscos, Marlon foi realista: “Infelizmente, o brasileiro aprende na dor“. 

Marlon defendeu que o gerenciamento de risco deve ser visto como investimento, não como custo. “A gente quer que o cliente não tenha sinistro. Sabemos a dor de cabeça que é. E quando ele tem, queremos que receba a maior indenização possível, com clareza, celeridade e justiça.”

Gratidão, experiência e comprometimento

Estar ao lado do cliente é estar com ele antes, durante e depois do sinistro“, finalizou Marlon. Com uma trajetória sólida, cases reais e um olhar técnico-humanizado, Marlon Basso reforça que a gestão de riscos é, antes de tudo, sobre proteger vidas, patrimônios e o futuro das empresas brasileiras.

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JRS

Crédito texto:

Helena Toniolo

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