Uma vida sem limites: a palestra que emocionou o Workshop da Gente Seguradora e revelou a força de Tiago Linck

Tiago Linck emocionou a plateia durante palestra no primeiro dia do Workshop da Gente Seguradora.

O primeiro dia do Workshop da Gente Seguradora, no Villa Flor Ecoresort, terminou como poucos eventos conseguem terminar: com silêncio, lágrimas discretas e uma plateia inteira de pé. No centro do palco estava Tiago Linck, 18 anos, natural de Três Passos (RS), jovem que nasceu sem braços e sem pernas — com apenas uma pequena extensão da perna esquerda — e que transformou sua condição física em combustível para inspirar, ensinar e provocar reflexão.

Filho de Rosane e Jair Linck, irmão de Thaís, a primogênita, e de Daiana, sua irmã gêmea, Tiago cresceu aprendendo a viver à sua maneira. Com a boca e o pé, ele escova os dentes, escreve, desenha, joga videogame, usa o celular, frequenta a escola regular e se locomove em uma cadeira motorizada ou com sua própria forma de caminhar. Nada disso, porém, foi o que impressionou o auditório. O que ficou foi a sua capacidade de olhar o mundo com uma simplicidade que desarma.

Parem de se preocupar com o que falta e comecem a valorizar o melhor que podemos ver”, disse ele, logo no início, convidando todos a deixarem o celular de lado e se entregarem ao momento. Tiago propôs um desafio simples, alongar os braços e levantá-los três vezes. “Na primeira vocês levantaram sem esforço, na segunda melhoraram, mas foi só na terceira vez que eu pedi tudo de vocês que realmente se dedicaram”, observou. Ele explicou o motivo o costume de fazermos apenas o suficiente. “A intenção era que cada um olhasse para dentro e se desafiasse a dar o seu melhor. O seu próprio e único melhor.

O público acompanhava atento, muitos com olhos marejados. O jovem compartilhava sua história, contando que as limitações precoces demandavam criatividade. Mas o ponto central de sua fala era o reconhecimento ao apoio incondicional da família, que o assistia da primeira fileira.

Mesmo com a correria do dia a dia, eles me levavam onde fosse preciso, para aprender a viver do meu jeito… e cada esforço, por menor que seja, faz uma grande diferença”, disse, chamando ao palco o pai, Jair; a mãe, Rosane; a irmã gêmea, Daiana; e a irmã mais velha, Thaís.

A fala de Daiana foi um dos pontos tocantes. “Eu era bem pequenininha, aprendendo a desenhar com lápis e papel na mão. E o Tiago também queria aprender, mas tinha um pequeno detalhe: ele não tinha as mãos. Mesmo assim, ele não desistiu. Aprendeu a usar a boca e o pezinho de uma forma incrível. Nunca existia um ‘não posso’. Apenas ‘vamos tentar de uma forma diferente’”, contou, emocionada.

Thaís também dividiu lembranças, mas trouxe uma reflexão poderosa. “Se a gente quer dar desculpas, a gente vai dar. O Tiago, se quisesse, teria a maior de todas. Mas ele usa o que tem e não deixa para depois. Ele agradece, elogia, abraça. Aos poucos, aquilo que parecia pouco se torna muito. É por isso que ele está aqui hoje”, disse. E completou: “Se o Tiago, sem braços, sem pernas, pode, todos nós podemos.

A mãe, Rosane, levou o salão a um silêncio profundo ao revisitar o passado. “No Dia das Mães, ainda grávida, ouvi muito: se você não tem presente para sua mãe, dê um abraço nela. E eu pensei: um dos meus filhos nunca vai me dar um abraço. E sabe quem me abraça mais hoje? Quem tem um coração enorme. Um filho que eu pensei que nunca me abraçaria”, falou.

A história de Tiago não trata de superpoderes nem romantiza problemas. Aborda temas como presença, dedicação, suporte e decisão. Fala sobre aceitar que a vida é desafiadora, mas que o extraordinário pode surgir do simples praticado diariamente.

Ao deixar o palco, o menino do interior rio-grandense foi aplaudido de pé. E não havia quem saísse sem carregar consigo ao menos uma pergunta — aquela que ele próprio afirmou ter aprendido a fazer:

 

O que posso fazer? O que posso ser?

No encerramento do primeiro dia do Workshop, essa resposta parecia ter sido algo como a conclusão de que cada um pode ser mais do que imagina. E Tiago lembrou a todos que, mesmo quando as circunstâncias dizem não, a vida oferece caminhos — às vezes difíceis, mas sempre possíveis.

Crédito foto:

Filipe Tedesco

Crédito texto:

Fernanda Torres

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