O preço do seguro de automóveis e motocicletas encerrou 2025 em queda e no menor patamar do ano. O IPSA + IPSM – Índice de Preço do Seguro de Automóvel e Moto, desenvolvido pela TEx – parte da Serasa Experian, indica que dezembro registrou o menor valor do período para ambos os indicadores.
No acumulado de 12 meses, o IPSA caiu de 5,4% para 4,6%, enquanto o IPSM recuou de 9,9% para 9,1%. Apesar da redução idêntica de 0,8 ponto percentual, o impacto proporcional foi diferente entre os dois segmentos, com ajuste mais intenso no seguro de automóveis.
Ao longo de 2025, o IPSA iniciou o ano no pico de 5,5%, manteve relativa estabilidade no primeiro semestre e passou a mostrar uma desaceleração mais clara no segundo semestre. O último trimestre marcou a virada, com recuos sucessivos de 4,9% em outubro para 4,8% em novembro e 4,6% em dezembro, quebrando o padrão sazonal de alta observado em anos anteriores.
No seguro de motos, o comportamento foi mais cíclico. Após cair no início do ano, o IPSM acelerou até atingir 10,1% em julho e, a partir daí, entrou em trajetória de correção mais concentrada no segundo semestre, encerrando dezembro em 9,1%.
Segundo Emir Zanatto, Head de seguros da Serasa Consumidor, os dados reforçam a leitura de dois mercados em ritmos diferentes. “O seguro de automóveis mostrou acomodação gradual e maior previsibilidade ao longo de 2025. Já o seguro de motos seguiu mais pressionado, com maior volatilidade e uma correção mais evidente apenas na segunda metade do ano”, afirma.
O estudo também aponta que o tipo de contratação continua sendo um fator relevante na formação dos preços. Em dezembro, o seguro novo apresentou os maiores índices, enquanto as renovações, especialmente com a mesma corretora, registraram valores menores.
Os recortes por perfil demográfico mantiveram padrões conhecidos, agora com números mais claros no fechamento do ano. Em dezembro, no seguro de automóveis, os homens registraram índice de 4,7%, enquanto as mulheres ficaram em 4,3%. No seguro de motos, o IPSM ficou em 9,2% para homens e 8,7% para mulheres, mostrando que, apesar do alívio geral em 2025, a diferença de gênero segue mais acentuada no segmento de duas rodas.
O estado civil também continuou influenciando a precificação. Entre os solteiros, os índices de dezembro foram os mais elevados: 5,8% no IPSA e 10,6% no IPSM entre homens, e 5,4% e 9,3%, respectivamente, entre mulheres, reforçando o peso do perfil de risco na formação do preço do seguro.
A localização seguiu como um dos fatores mais determinantes. Em dezembro de 2025, a região metropolitana do Rio de Janeiro apresentou os maiores índices do país, com 6,4% no seguro de automóveis e 12,7% no seguro de motos. Na outra ponta, a região metropolitana de Curitiba registrou alguns dos menores percentuais, com 3,0% no IPSA e 8,1% no IPSM, evidenciando uma diferença superior a 100% entre as capitais no seguro auto.
As características dos veículos também ajudaram a explicar as diferenças observadas ao longo do ano. Em dezembro, carros com 6 a 10 anos de uso apresentaram índice de 6,7%, mais que o dobro do registrado por veículos zero quilômetro, que ficaram em 2,9%. No recorte por valor FIPE, veículos avaliados acima de R$ 150 mil encerraram o mês com índice de 2,7%, enquanto aqueles na faixa entre R$ 31 mil e R$ 50 mil registraram 8,3%.
Entre os tipos de combustível, os híbridos mantiveram os menores índices no fim do ano, estabilizados em 2,8%, enquanto os veículos elétricos apresentaram maior volatilidade e fecharam dezembro em 4,8%, acima dos modelos a gasolina, que encerraram o mês em torno de 3,3%.
Para Zanatto, encerrar o ano em patamares mais baixos é um sinal relevante para o mercado. “Fechar 2025 no menor nível da série recente cria uma base mais saudável para o planejamento de 2026, especialmente no seguro de automóveis, que mostrou uma trajetória de ajuste mais consistente”, avalia.
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