O poder público é hoje o maior comprador do Brasil, e, para quem está preparado, representa um dos mercados mais promissores do país. A avaliação é do advogado Mauro Pizzolatto, sócio do Pizzolatto Advogados e especialista em licitações e contratos administrativos.
“Existe um mito antigo de que é difícil vender para a administração pública. Hoje, os riscos são muito menores e há inúmeras ferramentas jurídicas de proteção. Ninguém compra mais no Brasil do que o poder público”, afirma.
Segundo ele, a nova Lei de Licitações, apesar de estar em vigor desde 2021, ainda está em fase de maturação. “É uma legislação extensa e muito diferente da anterior. Ainda há muito caminho a trilhar. Isso gera grande demanda consultiva, tanto para órgãos públicos quanto para empresas que querem atuar nesse mercado”, conta.
Mercado amplo e pouco explorado
A digitalização dos processos facilitou a participação nas licitações, mas aumentou a complexidade contratual e de execução. “Hoje está mais fácil licitar, mas a execução do contrato exige muito cuidado. É um trabalho preventivo, consultivo e estratégico. Atuamos semanalmente com clientes, acompanhando suas áreas de licitações de forma contínua”, explica.
O advogado destaca que o mercado de seguros tem espaço relevante nesse cenário. “A administração pública contrata seguros de veículos, máquinas pesadas, patrimônio, vida, e até produtos menos óbvios, como seguro bike. Em muitos casos, o próprio órgão público nem sabe que pode contratar determinados tipos de seguro”, comenta.
Além das licitações formais, há também as contratações diretas e dispensas de licitação, que ampliam ainda mais o volume de negócios: “É um mercado gigantesco. Estimamos que diariamente ocorram dezenas de processos licitatórios envolvendo seguros em diferentes esferas da administração pública.”
Oportunidade para quem se prepara
Para Pizzolatto, o sucesso nesse segmento depende de estrutura e estratégia. “Não é só preço. É cultura de licitação, equipe treinada e acompanhamento constante. A licitação é uma das maiores oportunidades de crescimento para empresas no Brasil”, diz.
Mesmo diante de incertezas políticas e econômicas, o advogado vê 2026 como um ano promissor, especialmente no primeiro semestre. “Os investimentos públicos continuam elevados, inclusive no Rio Grande do Sul, com projetos de infraestrutura e recuperação. Quem estiver bem preparado vai encontrar um mercado extremamente pujante”, finaliza.
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