Seguro Sem Mistério: Murilo Riedel analisa o futuro da distribuição e a nova ambição estratégica do GrupoGC

Episódio contou com a participação de Murilo Riedel, CEO do GrupoGC.

Em mais um episódio do Seguro Sem Mistério, Júlia Senna, CEO do JRS, recebe Murilo Riedel, CEO do GrupoGC, para uma conversa profunda sobre distribuição, consolidação de mercado, sucessão nas corretoras e os movimentos estratégicos que devem redesenhar o setor nos próximos anos.

Com quase quatro décadas de atuação no mercado segurador, tendo passado por posições de liderança em seguradoras, banco e conselhos administrativos, Murilo compartilha sua visão sobre o momento histórico que o setor atravessa e explica porque decidiu migrar da manufatura para a distribuição.

 

Da manufatura à distribuição: uma transição estratégica

Murilo construiu carreira em grandes operações do mercado segurador, ocupando posições de alta liderança. Em setembro de 2025, assumiu o comando do GrupoGC, um dos maiores ecossistemas de desenvolvimento para corretoras do Brasil.

Segundo ele, a decisão foi resultado de uma leitura clara de mercado. “O futuro do mercado segurador está mais na distribuição do que na manufatura”, afirma.

Na análise do executivo, as seguradoras caminham para uma crescente similaridade operacional, impulsionadas por tecnologia, padronização e consolidação. Nesse cenário, o verdadeiro diferencial competitivo passa a estar na eficiência da distribuição.

 

GrupoGC: da construção à ambição

Com 147 corretoras associadas e cerca de 2 mil profissionais, o GrupoGC entra agora em uma nova fase. Murilo define o momento atual como a transição entre dois ciclos: “Encerramos uma fase de construção de 15 anos. Agora é a fase de desenhar nossa ambição.

Essa ambição envolve não apenas crescimento volumétrico, mas um redesenho arquitetônico do modelo de negócio, com reestruturação financeira, tecnológica e estratégica. O GrupoGC conta com apoio externo de consultorias especializadas para estruturar esse novo ciclo. “O que queremos ser nos próximos 15 anos? Essa é a pergunta que estamos respondendo com clareza e método.

 

Consolidação: caminho inevitável para os corretores

Um dos pontos centrais da entrevista foi a fragmentação do mercado de corretagem no Brasil. Para Murilo, a baixa consolidação gera desperdício de eficiência. “Milhares de corretores repetem estruturas administrativas semelhantes e deixam de prospectar porque estão ocupados mantendo operações pouco eficientes.

Ele destaca que muitos corretores dedicam cerca de 90% do tempo à manutenção da carteira e apenas 10% à prospecção, um desequilíbrio que pode levar ao que ele chama de “desidratação da corretora”.

Carteira estável envelhece e perde valor. Manter não basta. É preciso renovar e prospectar.” Na sua visão, o maior erro estratégico dos corretores hoje é não buscar consolidação.

 

OneGC: tecnologia como elemento de unificação

Dentro da estratégia de fortalecimento do ecossistema, o GrupoGC desenvolveu o OneGC, uma plataforma integradora de ferramentas tecnológicas. O objetivo é unificar sistemas, otimizar processos e aumentar o percentual de tempo que o corretor dedica à geração de novos negócios.

A plataforma não é apenas tecnológica, mas estratégica: representa a busca por maior unidade operacional entre as corretoras associadas.

 

Sucessão familiar: um alerta direto ao mercado

Outro tema abordado foi a sucessão nas corretoras familiares, realidade comum no setor. Murilo faz dois alertas claros:

  1. Sucessão não significa necessariamente continuidade familiar.
  2. Continuidade não significa manter o mesmo modelo de negócio.

 

Muitas vezes o erro é insistir que o sucessor deve ser o filho. E outro erro é tentar perpetuar um modelo que já perdeu eficiência.” Segundo ele, o futuro pode exigir redesenho societário, novas parcerias ou até fusões, e não apenas a troca de comando.

Ao encerrar o episódio, Murilo reforça que o momento é positivo, mas exige maturidade estratégica.

Precisamos aproveitar essa janela para estruturar as corretoras, ganhar eficiência e fortalecer a distribuição. Só assim os números vão acontecer de forma sustentável.

Crédito foto:

Filipe Tedesco

Crédito texto:

Helena Toniolo

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