O Rio Grande do Sul é, até o momento, o estado que recebeu o maior volume de recursos federais para ações de resposta e recuperação de desastres naturais em 2026. Segundo levantamento publicado por O Globo, com base nos atos do Diário Oficial da União do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, já foram destinados cerca de R$ 29,9 milhões a municípios gaúchos atingidos por eventos climáticos extremos.
Entre as cidades contempladas estão Cachoeirinha (R$ 17,7 milhões), Erechim (R$ 1,38 milhão), Feliz (R$ 1,58 milhão), Faxinal do Soturno (R$ 1,71 milhão), Estrela (R$ 862 mil) e Bagé (R$ 339 mil), além de outros municípios impactados.
O cenário reflete uma tendência estrutural apontada no “Radar de Eventos Climáticos e Seguros no Brasil”, da CNseg. Entre 2022 e 2024, foram identificados 67 eventos climáticos significativos no país, que resultaram em perdas econômicas estimadas de R$ 184 bilhões. Em 2025, até junho, outros 10 eventos já haviam acumulado perdas de R$ 31 bilhões.
A Região Sul concentrou a maior parte das perdas econômicas na última década, com destaque para eventos hidrológicos e secas prolongadas.
Em 2024, o desastre climático provocado pela chuva no Rio Grande do Sul tornou-se o mais severo já registrado no país, afetando 2,4 milhões de pessoas, resultando em 182 mortes e R$ 35,6 bilhões em prejuízos diretos, dos quais aproximadamente 17% estavam cobertos por seguros.
Rio Grande do Sul concentra maior volume de repasses federais e reforça debate sobre modelo estruturado de seguro para catástrofes
A média nacional de cobertura oculta fortes disparidades regionais. Mesmo na região com maior nível de proteção, o Sul, apenas cerca de 16% das perdas causadas por eventos climáticos são cobertas por seguros. No Sudeste, esse percentual é de aproximadamente 11%, e no Centro-Oeste, 6%. Já no Nordeste (2%) e no Norte (0,2%), a presença do seguro é muito menor.
Como resultado, apenas cerca de 9% das perdas econômicas provocadas por desastres climáticos no Brasil são cobertas pelo mercado segurador — percentual que chegou a aproximadamente 13% em 2024, influenciado pelo evento no Rio Grande do Sul. Ainda assim, o país permanece distante do observado em economias desenvolvidas, onde a cobertura costuma variar entre 20% e 55%.
Entre os setores econômicos mais impactados pelos eventos extremos está o agronegócio. Em 2025, apenas cerca 3,3% da área contava com cobertura do Programa do Seguro Rural, o que ajuda a explicar por que, embora o setor agropecuário concentre grande parte das perdas econômicas, o grupo de seguros patrimoniais responde pela maior parcela das indenizações pagas em desastres climáticos.
Os efeitos do desastre também se refletem no comportamento da demanda por proteção no estado. De acordo com dados da CNseg, o segmento de Danos e Responsabilidades no Rio Grande do Sul registrou crescimento nominal de 10,5% na arrecadação em 2025, com destaque para os 20% de crescimento dos seguros Patrimoniais (que protegem bens físicos e financeiros) e de 29,7% para o seguro Habitacional. O movimento pode estar associado à maior percepção de risco após as enchentes e à busca por proteção financeira por meio de seguros.
Para a diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, o caso gaúcho reforça a necessidade de soluções estruturais. “A discussão sobre um modelo estruturado de seguro para catástrofes é urgente. Um mecanismo adequado pode reduzir a volatilidade econômica dos desastres, acelerar a recomposição de serviços essenciais e diminuir a pressão recorrente sobre o orçamento público, especialmente em estados historicamente afetados por enchentes, como o Rio Grande do Sul.”
Além de ampliar a proteção securitária da população, a CNseg defende o fortalecimento de mecanismos público-privados para a cobertura de catástrofes, o desenvolvimento de seguros voltados à infraestrutura urbana e aos serviços essenciais e a adoção de medidas de resiliência, com foco em investimentos e reformas voltadas à adaptação climática.
Para o presidente do Sindicato das Seguradoras do Rio Grande do Sul (SindsegRS), “o cenário vivido no estado mostra que os eventos climáticos deixaram de ser exceção e passaram a integrar a realidade econômica e social do país”. Para ele, “ampliar a cultura do seguro não é apenas uma agenda setorial, mas uma estratégia de desenvolvimento e resiliência econômica, capaz de reduzir a dependência de recursos emergenciais e oferecer maior previsibilidade financeira a famílias, empresas e municípios diante de eventos extremos cada vez mais frequentes”.
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