Neste período do calendário agrícola, o Brasil vive um momento de transição importante: a safra de soja, principal cultura do país, está em fase avançada de colheita na maior parte das regiões, enquanto a primeira safra de milho também começa a ser colhida. Ao mesmo tempo, avança o plantio da segunda safra de milho (safrinha), que representa uma parcela significativa da produção anual. Outras culturas, como arroz e feijão, também estão em fase de colheita, caracterizando esta etapa como um período de renovação dos ciclos produtivos — e também de intensificação da análise de riscos no campo.
Nesse contexto, ganham relevância ferramentas que ampliam a segurança, a transparência e a conformidade das operações no seguro rural. Entre elas, a Solução de Conformidade Socioambiental desenvolvida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), lançada para apoiar o processo de subscrição com base em critérios ambientais, sociais e de governança (ASG). A ferramenta integra consultas a 18 bases públicas oficiais, incluindo o Cadastro Ambiental Rural (CAR), áreas embargadas, unidades de conservação, terras indígenas e registros de desmatamento, permitindo uma análise mais precisa, estruturada e auditável dos riscos antes da aceitação do seguro.
Na prática, a solução amplia a capacidade das seguradoras de avaliar riscos e tomar decisões com maior consistência técnica e jurídica. “A solução Conformidade Socioambiental, da CNseg, apoia a gestão de riscos das seguradoras ao avaliar a conformidade socioambiental de propriedades com base em legislações, regulações e outros critérios relevantes. Voltada principalmente ao seguro rural, mas aplicável também ao contexto urbano, a solução cruza automaticamente informações de imóveis, polígonos e registros do Cadastro Ambiental Rural (CAR) com diversas bases socioambientais. Com isso, as seguradoras ganham mais segurança jurídica e operacional nos processos de subscrição e renovação de apólices, além de maior transparência e responsabilidade na gestão de riscos”, afirma André Vasco, diretor da Diretoria de Serviços às Associadas da CNseg.
O uso dessas informações reforça práticas já consolidadas no setor. Segundo dados do Relatório de Sustentabilidade da CNseg, 68,6% das seguradoras incorporam critérios ASG na subscrição, e 80,6% afirmam recusar a cobertura ou não renovar contratos quando identificam riscos socioambientais incompatíveis com suas políticas. A utilização de bases públicas, ferramentas de georreferenciamento e monitoramento contínuo contribui para ampliar a rastreabilidade das operações, fortalecer a governança dos processos e a segurança jurídica no campo.
Para Glaucio Toyama, presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o avanço dessas soluções acompanha a evolução do próprio mercado. “O seguro rural tem passado por um processo contínuo de aprimoramento, incorporando tecnologia, dados e critérios cada vez mais rigorosos na análise de risco. A Solução de Conformidade Socioambiental é um exemplo concreto de como o setor vem estruturando suas práticas não apenas do ponto de vista ambiental e social, mas também de governança, com processos mais transparentes, auditáveis e alinhados às exigências regulatórias, garantindo não apenas a proteção da produção, mas também a integridade das cadeias produtivas e o cumprimento da legislação.”
Segundo o executivo, esse movimento se torna ainda mais evidente em momentos como o atual, de transição entre safras. “É justamente nesses períodos, em que se encerram ciclos e se iniciam novos plantios, que a avaliação de riscos ganha ainda mais relevância. As seguradoras estão cada vez mais preparadas para atuar com critérios técnicos e responsabilidade socioambiental e solidez de governança, contribuindo para um ambiente de maior transparência, previsibilidade e sustentabilidade no campo.”
A CNseg e a FenSeg destacam que o desenvolvimento do seguro rural caminha lado a lado com o fortalecimento da governança e o aperfeiçoamento contínuo dos mecanismos de monitoramento e controle, consolidando o setor como um aliado da produção agrícola sustentável no Brasil.
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