A força da cultura urbana como motor econômico e social foi o centro do debate “Culturas urbanas: mídia, música e negócios”, realizado na sexta-feira (27), no Palco Terra, durante a ExpoFavela Innovation Rio, no Museu do Amanhã. O encontro reuniu os cantores Dudu Nobre e Serjão Loroza, e teve mediação da diretora de parcerias estratégicas da MAG Seguros, Carol Vieira, em uma conversa sobre empreendedorismo, oportunidades e o impacto da cultura das favelas na economia criativa.
O evento aconteceu pela primeira no Museu do Amanhã e reuniu empreendedores, artistas e lideranças comunitárias em uma programação voltada à geração de negócios e visibilidade para iniciativas periféricas. A Favela Seguros, uma empresa da Favela Holding em parceria com o Grupo MAG e apoio social da CUFA, é uma iniciativa pioneira focada em democratizar o acesso a seguros e proteção financeira em comunidades.
Mediadora do painel e diretora de parcerias da MAG, Carol Vieira apresentou a proposta do projeto Favela Seguros e destacou o impacto social da iniciativa. Segundo ela, a ação foi inspirada em experiências já existentes dentro das comunidades.
“A Favela Seguros vem para alavancar oportunidades a partir de um povo que tem talento, que se movimenta e tem necessidades reais. Nosso maior sonho é levar proteção para o maior número de pessoas nas favelas e, ao mesmo tempo, gerar emprego e renda. Desenvolvemos um ecossistema que, além de levar proteção, gera oportunidades de trabalho. As pessoas que conhecem suas comunidades têm um papel fundamental nisso. É um ecossistema pensado para se retroalimentar e fazer com que a favela ocupe o espaço que merece”, frisou.
Empreendedorismo
Durante o encontro, com aproximadamente 300 pessoas na plateia, Dudu Nobre destacou o crescimento do empreendedorismo nas favelas e a importância de iniciativas que ampliem oportunidades. O cantor também defendeu a importância da ocupação de espaços tradicionais, como museus e teatros, pela cultura das favelas.
“Hoje, além da parte cultural, também tem essa parte empresarial, que é superimportante. A economia gira muito em torno disso. Para mim, estar aqui hoje [no Museu do Amanhã] é uma vitória de uma trajetória que a gente construiu junto com a Cufa. A gente fica feliz de ver novas parcerias chegando, como vocês da MAG, criando mais oportunidades, como o Favela Seguros, que vai gerar novas possibilidades e ainda fortalecer projetos nas favelas espalhadas pelo Brasil inteiro. O grande diferencial da ExpoFavela foi justamente ocupar espaços importantes. Podíamos fazer em quadras ou espaços tradicionais da comunidade, mas decidimos marcar território. Hoje estamos no Museu do Amanhã, já estivemos na Cidade das Artes, no Expo Center Norte, em São Paulo. Isso abre oportunidades e mostra que a favela pode estar em qualquer lugar”, afirmou o cantor.
O compositor falou também sobre o futuro do empreendedorismo como alternativa ao mercado tradicional. “Cerca de 70% dos empregos formais que existem podem não existir daqui a 20 anos. O que vai crescer é o empreendedorismo. Eventos como a ExpoFavela ajudam as pessoas a identificar oportunidades e criar novos caminhos.”
Encontro que deu samba
Já Serjão Loroza, ator, cantor, compositor e comediante, reforçou a potência cultural e a capacidade de adaptação das favelas.
“Aqui tem uma plateia que conhece essa realidade. O favelado é obrigado a conhecer mais coisas do que quem vive no asfalto. Existem realidades exclusivas da favela e, ao mesmo tempo, a gente também precisa conhecer o resto da cidade. Isso faz com que a gente tenha uma visão mais ampla e mais preparada para criar oportunidades”, disse.
Nascidos e criados em comunidades e no samba, os artistas fizeram a plateia cantar animada no final do painel alguns de seus maiores sucessos, como “A Grande Família”, tema da série de mesmo nome na TV Globo e interpretada por Dudu Nobre, e “É Hoje” samba-enredo de 1984 da União da Ilha do Governador que ficou marcada na voz de Serjão Loroza nos tempos como vocalista do grupo carioca Monobloco.
A ExpoFavela Rio aconteceu de sexta (27) a domingo (29), reunindo painéis, rodadas de negócios e apresentações culturais com foco no fortalecimento da economia criativa e no empreendedorismo das periferias.
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