FenSeg destaca avanços do Zarc e alerta para desafios climáticos no seguro rural durante seminário da Embrapa

Participação da Federação reforça importância da integração entre políticas públicas, crédito e seguro para ampliar a proteção no campo

A Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) participou da 9ª Reunião da Rede Zarc, realizada entre os dias 28 e 30 de abril, em Brasília, evento que celebrou os 30 anos do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e reuniu representantes do setor público, privado e da comunidade científica para discutir a evolução da gestão de risco climático no Brasil.

Durante o encontro, promovido pela Embrapa, foram debatidos os avanços metodológicos do Zarc e sua crescente integração com instrumentos de política agrícola, como o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), o Proagro e o crédito rural.

Representando a FenSeg, o presidente da Comissão de Seguro Rural, Daniel Nascimento, destacou a relevância do Zarc como ferramenta estruturante para o desenvolvimento do mercado segurador agrícola no país.

O Zarc é hoje uma referência essencial para o mercado. Praticamente não existe apólice de seguro rural sem estar enquadrada no zoneamento, e a vinculação ao PSR foi um avanço importante para direcionar melhor os recursos públicos e fortalecer a mitigação de riscos no campo”, afirmou.

Segundo ele, o próximo passo relevante é ampliar essa integração. “A vinculação do Zarc também ao crédito rural tende a ser um avanço importante, porque melhora a alocação dos subsídios e fortalece a lógica de gestão de risco tanto para o seguro quanto para o financiamento da produção”, acrescentou.

A participação da FenSeg também trouxe uma análise da evolução do mercado ao longo das últimas décadas, com destaque para eventos recentes que evidenciaram os desafios do setor. De acordo com Nascimento, a safra 2021/2022 representou um marco nesse sentido, com perdas em larga escala e índices de sinistralidade que chegaram a patamares entre 500% e 600% em algumas seguradoras.

O principal risco hoje, tanto para o mercado quanto para o produtor, está relacionado à variabilidade das chuvas, especialmente à seca. Diferentemente de eventos como granizo ou geada, que são mais localizados, a seca afeta regiões inteiras, o que caracteriza o seguro agrícola como um seguro de riscos correlacionados e amplia significativamente o impacto das perdas”, explicou.

Outro ponto de atenção destacado pela FenSeg foi o chamado “gap de proteção” no campo. “Já tivemos cerca de 14% a 15% da área plantada segurada no Brasil. Hoje, esse percentual está abaixo de 5%, o que mostra o tamanho do desafio para ampliar o acesso ao seguro rural”, disse o porta-voz.

Nesse contexto, o avanço do Zarc — especialmente com a evolução para o modelo de Níveis de Manejo (ZarcNM) — foi apontado como uma das principais apostas para o futuro do setor. A nova metodologia, que considera a qualidade do manejo do solo na avaliação de risco, permite uma abordagem mais precisa e individualizada das coberturas.

Estamos caminhando para um modelo de maior personalização do seguro rural, saindo de uma lógica baseada em médias municipais para uma abordagem mais aderente à realidade de cada produtor. O Zarc de Níveis de Manejo é fundamental nesse processo”, destacou Nascimento.

O executivo também ressaltou a importância de o mercado segurador acompanhar a evolução tecnológica e metodológica promovida pelo zoneamento. “O setor precisa estar atento a essas inovações para aprimorar continuamente seus modelos de subscrição e ampliar a capacidade de mitigação de riscos”, concluiu.

A 9ª Reunião da Rede Zarc reuniu cerca de 100 especialistas de diferentes áreas, incluindo pesquisadores da Embrapa, representantes do Ministério da Agricultura e Pecuária, Banco Central, setor produtivo e instituições financeiras, consolidando o papel do zoneamento como um dos principais instrumentos de gestão de risco climático na agricultura brasileira.

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