Realizado nesta quinta-feira (21), no Cubo Itaú, em São Paulo, o Thunder Summit reuniu lideranças do mercado segurador em uma agenda voltada às mudanças que já impactam a relação entre seguradoras, corretores, distribuição e público. Promovido pelo Grupo Exalt em parceria com o JRS, o encontro reuniu mais de 200 participantes e trouxe discussões sobre experiência, comunicação, inteligência artificial, retenção, cultura organizacional e comportamento de consumo.
Executivos, especialistas e representantes de grandes companhias defenderam uma visão em comum: inovação deixou de estar associada apenas à tecnologia e passou a depender, principalmente, da capacidade de simplificar relações, entender comportamento e criar conexões mais humanas.
Ao longo da programação, passaram pelo palco nomes como Alexandre Federman, CEO do Grupo Exalt; Patrícia Chacon, CEO da Porto; Rodolfo Margato, economista da XP; Carol Portilho, especialista em comunicação; Adriana Ramos e Suellen Paranhos, sócias da Ramos Advogados; além dos painelistas Eduardo Mota, Head MAG Lab; Karine Brandão, Diretora Executiva Comercial da Mapfre; João Merlin, Diretor de Automóvel da Zurich Seguros; e Rodrigo Pecoraro, Diretor Executivo da Sabemi. O evento também contou com uma participação especial de Erika Medici, CEO da AXA no Brasil, em conversa conduzida por Júlia Senna sobre liderança, cultura organizacional e transformação no ambiente corporativo.
Experiência ganha protagonismo no setor
Um dos principais nomes do evento, Alexandre Federman, CEO do Grupo Exalt, abriu o encontro reforçando que o mercado segurador atravessa uma transformação que já acontece no presente.
“O mercado não vai mudar. Ele já mudou”, afirmou. Segundo ele, o setor ainda dedica grande parte da energia à conquista de novos negócios, enquanto a retenção e a experiência permanecem subestimadas.
“96% dos clientes que vão embora não reclamam. Eles simplesmente saem”, destacou.
Federman defendeu que experiência não deve ser tratada como diferencial, mas como parte da estratégia de permanência e relacionamento. Para ilustrar, citou empresas como Uber, Netflix, Amazon e Airbnb, que transformaram mercados ao eliminar atritos da jornada.
“Experiência não é algo complexo. Muitas vezes são pequenos momentos que fazem diferença”, disse.
Inteligência artificial avança, mas fator humano segue central
A inteligência artificial apareceu recorrentemente ao longo dos painéis. Patrícia Chacon, CEO da Porto, destacou que a tecnologia precisa estar conectada a necessidades reais das pessoas. Ela citou exemplos recentes da China e da indústria de tecnologia para ilustrar como a IA vem sendo aplicada de forma mais funcional e integrada ao cotidiano.
“Quem está ganhando essa corrida da IA está usando inteligência artificial em coisas que fazem sentido”, afirmou.
Na Porto, segundo a executiva, o uso da tecnologia já impacta áreas como vistoria prévia, análise de imagens e prevenção de fraudes.
“A IA facilita, acelera processos e potencializa o trabalho humano”, explicou.
Mesmo com o avanço digital, executivos defenderam que o relacionamento continua sendo essencial, principalmente em produtos consultivos.
“No seguro de vida, a presença humana continua sendo muito importante”, afirmou Eduardo Mota, Head MAG Lab.
Ferramenta estratégica
Outro tema que ganhou destaque foi a mudança na forma de comunicação dentro das empresas e nas relações comerciais.
Especialista em comunicação, Carol Portilho chamou atenção para o impacto da linguagem corporal, da presença e da conexão no ambiente corporativo.
“A comunicação hoje é baseada em conexão. Se você não gera conexão, não gera presença, autoridade nem influência”, afirmou.
Durante a palestra, ela abordou como postura, pausas, gestos e ritmo da fala interferem diretamente na percepção das pessoas.
“O ser humano mudou. A forma de se relacionar mudou. Se a gente continuar se comunicando da mesma maneira de 20 anos atrás, não funciona mais”, disse.
Clareza contratual e transparência entram no radar jurídico
Questões relacionadas à linguagem dos contratos e à transparência também entraram em pauta.
Em painel conduzido por Adriana Ramos e Suellen Paranhos, da Ramos Advogados, o debate mostrou como decisões judiciais vêm ampliando a responsabilidade das seguradoras na comunicação das coberturas e exclusões.
“Não basta informar. É preciso garantir que o segurado compreenda a informação”, destacou Suellen.
As executivas citaram casos em que cláusulas consideradas pouco claras resultaram em indenizações e condenações por dano moral.
Segundo Adriana Ramos, o desafio não está apenas no cumprimento técnico da informação, mas na capacidade de comprovar que houve entendimento real do contrato.
Cenário econômico amplia necessidade de adaptação
A programação também incluiu uma análise econômica conduzida por Rodolfo Margato, economista da XP.
Ao abordar juros, câmbio, petróleo e cenário internacional, ele destacou o grau de imprevisibilidade que influencia os mercados globais.
“Ninguém tem bola de cristal”, resumiu.
Segundo o economista, o Brasil continua atraindo fluxo estrangeiro mesmo em meio às tensões geopolíticas e às incertezas internacionais.
Mercado conectado
Entre painéis, ativações e debates, o Thunder Summit consolidou um consenso entre os participantes: o mercado segurador vive uma mudança estrutural impulsionada por comportamento, conectividade e expectativa de experiência.
Mais do que produtos, o público busca clareza, agilidade, conveniência e relações mais consistentes com as marcas.
No encontro, inovação apareceu menos associada ao discurso futurista e mais ligada à capacidade de adaptação prática do setor diante de um consumidor exigente e digital.
O Thunder Summit contou com o patrocínio de AXA no Brasil, MAG, Mapfre, Sabemi, Zurich Seguros, Klimber, Ramos Advogados e Porto, marcas que vêm impulsionando a evolução do mercado segurador e fortalecendo o encontro como um espaço estratégico de conexão, conteúdo e transformação para o setor.
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