Painel do Maio Amarelo debate impactos dos sinistros de trânsito na saúde em Blumenau

Evento aconteceu no dia 25 de maio, no Auditório da FURB – Campus 2
Da direita para esquerda: Cléia Floriani, Maurício Cechin, Cristiano Lopes, Paulo Sérgio Rodrigues, Heintje Heerdt, Eluana Boso e Sandra Benkendorf

 

Como parte da programação do Maio Amarelo 2026, Blumenau recebeu, nesta segunda-feira (25), o painel “Muito além do acidente: os impactos dos sinistros de trânsito na saúde”. O encontro reuniu profissionais de diferentes áreas para discutir as consequências físicas, emocionais e sociais causadas pelos acidentes de trânsito.

Realizado no Auditório da FURB – Campus 2, o evento promoveu reflexões sobre prevenção, atendimento às vítimas, saúde mental e os impactos dos sinistros no sistema de saúde e na sociedade. Com inscrições gratuitas e abertas ao público, o painel contou com a participação de estudantes, profissionais da saúde, representantes da segurança pública, seguradoras, corretores, instituições e comunidade em geral.

Entre os painelistas convidados estiveram Cristiano Lopes, técnico de enfermagem do SAMU; Cléia Floriani, psicóloga; Maurício Cechin, supervisor do Pronto-Socorro do Hospital Santo Antônio; Sandra Benkendorf, analista de gestão em saúde da GADNT/DIVE/SES/SC; Heintje Heerdt, comandante do 10º BPM; e Eluana Boso, médica da família do AG Garcia. A mediação foi conduzida por Paulo Rodrigues, diretor do SindsegSC e o cerimonial realizado por Mery Souza, responsável pela área educacional do Grupo de Trabalho do Vale do Itajaí.

Durante a abertura do painel, o mediador Paulo Rodrigues destacou que os impactos dos sinistros de trânsito vão muito além dos números. “Mais do que números e estatísticas, estamos falando de pessoas, famílias, histórias interrompidas e consequências que ultrapassam o momento do acidente”, afirmou. O mediador também reforçou a importância da conscientização coletiva para a construção de um trânsito mais seguro e humano.

 

O que disseram os painelistas

Ao longo do debate, os painelistas compartilharam experiências e destacaram a importância de ações integradas de conscientização, educação e prevenção no trânsito. Também foram abordados os desafios enfrentados pelos profissionais que atuam diretamente no atendimento às vítimas e no acompanhamento das consequências dos acidentes.

Os painelistas trouxeram dados e experiências práticas sobre os impactos dos acidentes de trânsito em diferentes áreas. O comandante Heintje Heerdt apresentou números relacionados aos custos humanos e econômicos dos acidentes em Blumenau, destacando que os acidentes com vítimas geraram impacto estimado em mais de R$ 386,51 milhões no município em 2024, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA).

Cristiano Lopes, técnico de enfermagem do SAMU, compartilhou experiências vivenciadas nos atendimentos de emergência e chamou a atenção para o aumento dos acidentes envolvendo idosos, destacando os desafios enfrentados pelas equipes de resgate no atendimento a esse público.

Já Maurício Cechin mostrou a estrutura mobilizada pelo Hospital Santo Antônio, para atendimento de traumas graves, envolvendo diversas especialidades médicas e equipes multiprofissionais, além de destacar que os acidentes com motocicletas estão entre os casos mais recorrentes atendidos pela instituição.

A médica da família Eluana Boso destacou que os impactos de um acidente de trânsito vão além da vítima direta, afetando também toda a estrutura familiar. Segundo ela, além das sequelas físicas e emocionais, muitas famílias precisam reorganizar completamente a rotina para lidar com tratamentos, reabilitação e cuidados permanentes.

Por outro lado, a psicóloga Cléia Floriani abordou os impactos emocionais e psicológicos causados pelos acidentes, especialmente em situações de luto repentino e traumático. Em sua apresentação, ela destacou que “um trânsito doente adoece o ser”, reforçando os efeitos da imprudência e do estresse no comportamento humano e na saúde mental das vítimas e familiares.

Por fim, Sandra Benkendorf apresentou dados regionais sobre mortalidade no trânsito e os impactos econômicos gerados pelos sinistros, ressaltando que a maioria das vítimas fatais, entre 2020 e 2025, no Médio Vale do Itajaí, são homens entre 15 e 64 anos, com 584 óbitos masculinos a 122 óbitos femininos, segundo dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

O mediador Paulo Rodrigues, encerrou o evento e deixou claro uma mensagem sobre a importância do seguro para sociedade: “Quando falamos em cuidado e proteção, é importante destacar também o papel do seguro. em momentos difíceis, ele representa apoio, segurança e tranquilidade para as pessoas e suas famílias, garantindo assistência e amparo quando mais se precisa. O seguro não substitui a vida, mas é uma importante ferramenta de proteção e responsabilidade social. Que possamos sair deste encontro mais conscientes da importância de cuidar de nós mesmos e do próximo. porque um trânsito mais humano e mais seguro começa nas escolhas de cada um de nós”, finalizou.

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