A corrida global pela inteligência artificial já começa a provocar reflexos no mercado de riscos cibernéticos. Softwares modernos capacitados na geração de códigos, detecção de vulnerabilidades sistêmicas e aceleração de fluxos digitais elevaram simultaneamente ataques virtuais, vazamentos de dados e brechas críticas de segurança.
Segundo reportagem publicada pelo jornal The New York Times, executivos do setor de tecnologia afirmam que a procura por profissionais especializados em segurança digital cresceu significativamente nos últimos meses, impulsionada justamente pela expansão da IA generativa.
De acordo com Austin Cowan, headhunter da empresa Heidrick & Struggles, vagas voltadas à resposta de incidentes cibernéticos e revisão técnica de códigos, que antes apareciam esporadicamente, agora surgem semanalmente.
O movimento acontece em meio à reorganização das companhias, que vêm reduzindo equipes em algumas áreas e direcionando investimentos para projetos ligados à inteligência artificial.
Para o mercado segurador, o cenário reforça uma mudança que já vinha ganhando força: os riscos digitais deixaram de ser uma preocupação restrita às grandes corporações e passaram a fazer parte da rotina de empresas de diferentes portes e segmentos. Matheus Pansera, diretor executivo da Pansera Corretora de Seguros, manifesta que a transformação digital exige uma revisão constante das estratégias de proteção das empresas.
“A inteligência artificial trouxe ganhos enormes de produtividade, mas também aumentou a velocidade dos riscos. Hoje um ataque pode acontecer de forma muito mais automatizada e sofisticada”, afirma.
Segundo ele, muitas empresas ainda associam o seguro cyber apenas a vazamento de dados, quando o impacto operacional pode ser muito maior.
“Um ataque cibernético não afeta só tecnologia. Ele pode parar a operação, comprometer reputação, gerar perdas financeiras e até interromper relacionamento com clientes e fornecedores”, destaca.
Matheus observa que o avanço da IA também mudou o perfil das ameaças digitais. “Antigamente, grande parte dos ataques exigia intervenção manual e um nível técnico elevado. Atualmente, há ferramentas que automatizam procedimentos de intrusão, detectam falhas e até geram golpes mais sofisticados”, explica.
Nesse cenário, a demanda por seguros cibernéticos tende a crescer junto com a necessidade de prevenção, monitoramento e resposta rápida a incidentes.
“O mercado começa a entender que cyber não é mais um risco do futuro. É um risco atual, presente e que precisa estar no centro das estratégias corporativas”, afirma.
Além da contratação de apólices, especialistas defendem que empresas invistam em educação digital, proteção de dados, revisão de processos internos e treinamento de equipes.
“A tecnologia evolui rapidamente, mas a conscientização das pessoas ainda continua sendo uma das principais barreiras contra ataques”, conclui.
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