A maturidade de um mercado se mede pela liberdade de escolha do cliente

Leia o artigo de Rogério Araújo, presidente do Instituto Minha Vida Protegida

A notícia de que a Prudential avalia uma eventual saída do Brasil e busca um comprador para sua operação despertou inúmeras análises sobre os impactos para o mercado de seguros.

Na minha visão, porém, existe uma reflexão muito mais importante do que discutir quem será o novo controlador da companhia.

O verdadeiro destaque dessa notícia é a demonstração de maturidade do mercado brasileiro de seguros.

Antes de qualquer análise, é preciso registrar um reconhecimento público à Prudential. Ao longo de quase três décadas no Brasil, a companhia exerceu um papel transformador. Ajudou a elevar o padrão técnico do seguro de vida individual, difundiu o modelo da venda consultiva, investiu fortemente na formação de profissionais e contribuiu para que milhões de brasileiros passassem a enxergar o seguro de vida como um instrumento de proteção patrimonial, familiar e financeira.

Independentemente de quem venha a assumir essa operação no futuro, esse legado permanecerá.

Outro aspecto que merece ser celebrado é a proteção dos direitos dos segurados. Em um mercado sólido e bem regulado, as empresas podem mudar, podem ocorrer fusões, aquisições ou mudanças societárias, mas os contratos permanecem protegidos e os compromissos assumidos com os clientes são preservados. Essa segurança jurídica fortalece a confiança da população e demonstra a evolução institucional do nosso setor.

Na prática, quem ganha é o consumidor.

Mas talvez a maior oportunidade esteja justamente no futuro.

Se confirmada uma mudança de controle, abre-se um verdadeiro mercado de mar aberto para novas estratégias comerciais, novos produtos, novos canais de distribuição e novos investimentos.

É uma oportunidade para que outras seguradoras ampliem sua presença no segmento de seguros de pessoas, acelerem a inovação e fortaleçam ainda mais a cultura da proteção financeira no Brasil.

Existe também uma enorme oportunidade para os profissionais especializados.

Ao longo dos últimos anos, milhares de Life Planners foram formados dentro de um modelo que revolucionou a venda consultiva de seguros no país. Hoje, aproximadamente 2.300 desses profissionais, que ainda estão cativos, carregam conhecimento, método, relacionamento e uma capacidade extraordinária de identificar necessidades reais das famílias brasileiras.

Agora, mais do que nunca, esse conhecimento pode ganhar ainda mais valor.

Vivemos um momento em que o especialista deixa de representar apenas uma companhia para se consolidar como um verdadeiro consultor de proteção financeira, capaz de analisar as necessidades de cada cliente e construir soluções utilizando diferentes seguradoras, diferentes produtos e diferentes estratégias de planejamento financeiro e sucessório.

Isso representa uma enorme evolução.

Quem sempre acreditou que o foco deveria estar no produto talvez encontre dificuldades. Mas quem entende que o foco sempre foi, e sempre será, o cliente, encontrará um universo ainda maior de oportunidades.

É exatamente essa a essência da consultoria.

O mercado brasileiro ainda possui enorme potencial de crescimento. Nossa participação no PIB continua abaixo de países mais desenvolvidos, milhões de famílias permanecem sem qualquer proteção financeira e a demanda por planejamento patrimonial, sucessório e previdenciário cresce ano após ano.

Portanto, não vejo essa notícia como o encerramento de um ciclo.

Vejo como o início de uma nova etapa.

Uma etapa em que seguradoras terão novos desafios, especialistas ampliarão sua atuação, consumidores terão ainda mais liberdade de escolha e o mercado continuará evoluindo.

Porque mercados verdadeiramente maduros não são aqueles em que uma empresa domina um segmento.

São aqueles em que o cliente está no centro de todas as decisões.

E, quando isso acontece, todos ganham.

Seguimos na missão de Cuidar e Proteger.

Forte Abraço!

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Rogério Araújo 

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