Envelhecimento do RS amplia desafios para o planejamento financeiro das famílias

Pessoas com 60 anos ou mais já representam 20,6% da população do Estado representa o maior índice de envelhecimento do país

O Rio Grande do Sul vive uma nova fase de sua transição demográfica. Pela primeira vez, a população com 60 anos ou mais já supera a de crianças e adolescentes, com idosos representando 20,6% dos gaúchos, enquanto os menores de 15 anos correspondem a 17,7%, segundo levantamento do Departamento de Economia e Estatística (DEE). A mudança ocorre às vésperas de outro marco. De acordo com projeções do IBGE, o Estado deve atingir seu pico populacional em 2026, com 11,23 milhões de habitantes, e começar a encolher já a partir do próximo ano.

O avanço do envelhecimento coloca o Rio Grande do Sul em uma posição particular no país. No Censo 2022, o Estado registrou o maior índice de envelhecimento do Brasil, com 115 pessoas de 60 anos ou mais para cada 100 crianças de até 14 anos. Com a expectativa de vida chegando a 76,49 anos, a mudança demográfica também amplia o período durante o qual famílias precisam planejar renda, patrimônio e proteção diante de imprevistos.

Na prática, uma vida mais longa muda a própria lógica do planejamento financeiro. A aposentadoria deixa de ser o único horizonte de preocupação e passa a fazer parte de uma estratégia mais ampla, que considera a proteção da renda, os custos associados a doenças e eventuais situações de incapacidade, além da organização do patrimônio e da sucessão. Quanto maior o tempo de vida, maior também o período de exposição a eventos que podem comprometer a capacidade financeira de uma família.

É nesse cenário que instrumentos tradicionalmente associados à morte e à sucessão patrimonial passam a ganhar novas funções dentro do planejamento financeiro. O seguro de vida, por exemplo, também pode oferecer proteção diante de eventos ocorridos ainda em vida, como doenças graves e incapacidade, ajudando a preservar a renda e o patrimônio quando a capacidade de trabalho é comprometida ou surgem novas despesas.

Para Rafael Cló, CEO da Azos, insurtech especializada no setor, o envelhecimento muda o horizonte em que as famílias precisam pensar na proteção financeira. “Quando as pessoas vivem mais, o planejamento também precisa considerar um período maior de exposição a riscos e uma vida financeira que vai durar mais tempo. Isso muda a forma de pensar não apenas na aposentadoria, mas também na proteção da renda, dependência financeira entre gerações e organização do patrimônio. O seguro pode fazer parte dessa estratégia, justamente porque protege a família diante de eventos que podem comprometer a capacidade de gerar renda ao longo da vida”, afirma.

Os dados mostram que a população gaúcha tem olhado cada vez mais por proteção financeira no Estado. Nos últimos 12 meses, a Azos registrou crescimento de 29% na rede de corretores cadastrados. A presença da companhia também se estende para além de Porto Alegre, com atuação crescente no interior do Estado. Passo Fundo, Lajeado e Caxias do Sul estão entre os municípios gaúchos com o maior número de apólices ativas.

Para o especialista, a transformação demográfica reforça a necessidade de ampliar a compreensão sobre o seguro de vida. Em vez de ser associado apenas à sucessão patrimonial ou morte, a ferramenta pode cumprir diferentes funções de proteção financeira ao longo da vida, especialmente diante de doenças, invalidez e perda de capacidade de trabalho.

“O envelhecimento não é apenas uma questão demográfica; ele muda a forma como as famílias precisam distribuir seus recursos ao longo do tempo. Quanto mais longa é a vida, maior a importância de pensar antes em como preservar renda e patrimônio diante dos imprevistos. A discussão sobre proteção financeira precisa acompanhar essa nova realidade”, conclui Cló.

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