Cancelar o seguro pode sair caro, mesmo quando nada acontece

Leia o artigo de Fernando Pantaleão, Vice-Presidente Comercial da Suhai Seguradora

Segundo dados do levantamento interno da Suhai Seguradora, baseados a partir do cruzamento dos números da frota circulante, sendo todos os veículos emplacados da na Senatran, e pela frota vigente, da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), 75% da frota circulante de carros não possuem seguro. Contudo, existe uma lógica que ainda é comum entre muitos motoristas: contratar um seguro, usar por um período e, se nada acontecer, cancelar na renovação para “economizar”. A pergunta inicial do condutor é simples: “se não houve sinistro, por que continuar pagando?”

Mas, na prática, essa decisão que parece econômica no curto prazo pode sair mais cara e mais arriscada ao longo do tempo. Seguro não funciona como um serviço sob demanda, que você ativa apenas quando precisa. O valor dele está justamente na continuidade, na construção de um histórico e na proteção constante diante de riscos que, por definição, são imprevisíveis.

Existe um viés comportamental relevante nessa decisão de cancelamento: a ilusão de economia. Ao cancelar o seguro, o motorista experimenta um alívio imediato no orçamento, o que reforça a percepção de ganho financeiro. No entanto, essa economia é estruturalmente frágil, pois está condicionada à ausência total de eventos que não temos controle algum.

Na prática, basta um único sinistro, mesmo de menor gravidade, para neutralizar integralmente o valor “economizado” ao longo de meses ou anos. Ou seja, não se trata de uma economia real, mas de uma exposição crescente.

Na prática, o que se observa de forma recorrente é um comportamento cíclico: o cliente mantém o seguro enquanto percebe risco iminente, cancela após períodos de tranquilidade e retorna apenas quando sua percepção de vulnerabilidade aumenta novamente, muitas vezes após um evento direto ou indireto.

Mais do que uma escolha pontual, esse padrão revela uma leitura equivocada do papel do seguro, que deixa de ser uma ferramenta de gestão de risco contínua para se tornar uma decisão reativa.

Ao longo da minha experiência, fica claro que manter o seguro ativo traz benefícios que muitas vezes passam despercebidos. Existe a construção de um histórico positivo com a seguradora, que pode se traduzir em melhores condições na renovação, como bônus e descontos. Quando esse ciclo é interrompido, esse histórico se rompe, prejudicando as possibilidades de vantagens ao longo prazo.

Além disso, tem um ponto que eu considero central: o risco não desaparece quando o seguro é cancelado. O motorista continua exposto a situações como roubo, furto, colisões e danos a terceiros, que podem gerar custos muito superiores ao valor economizado ao deixar de pagar o seguro.

Ao mesmo tempo, o preço do seguro não é estático. Ele varia conforme diversos fatores, como perfil do condutor, região e cenário do mercado, o que significa que cancelar hoje não garante que será possível voltar amanhã pagando o mesmo valor. Arriscado, não é?

Outro aspecto importante é a previsibilidade financeira. Quando mantenho um seguro ativo, eu transformo um risco incerto e potencialmente alto em um custo planejado. Ao abrir mão disso, volto a assumir integralmente esse risco no meu próprio orçamento, o que pode comprometer o planejamento financeiro em caso de imprevistos.

Isso não significa que o seguro precisa ser encarado de forma engessada, muito pelo contrário. Existem diferentes modelos e coberturas que podem ser ajustados à realidade de cada motorista, mas tratar o seguro como algo pontual, acionado apenas quando parece conveniente, acaba enfraquecendo justamente o que ele tem de mais relevante: a proteção contínua e o planejamento.

No fim das contas, o seguro não deveria ser analisado sob a lógica do uso, mas sob a lógica da exposição. Risco não é um evento que se agenda, é uma variável permanente, ainda que invisível na maior parte do tempo.

Por isso, interromper a proteção com base na ausência de ocorrências recentes é, na prática, tomar uma decisão olhando pelo retrovisor. A continuidade, nesse contexto, não é um detalhe operacional, mas o que sustenta a previsibilidade financeira e a efetividade da proteção ao longo do tempo.

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Divulgação Suhai Seguradora

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Fernando Pantaleão

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