A Academia Nacional de Seguros e Previdência prepara para 2027 a realização de seu primeiro congresso. O evento deverá reunir pesquisadores, acadêmicos, profissionais e representantes do mercado para discutir temas estratégicos relacionados aos seguros, à previdência e às atividades que integram esse ecossistema.
O anúncio foi feito por Edmur de Almeida, presidente da ANSP, durante entrevista conduzida por Júlia Senna, editora-chefe do JRS, no Seguro Sem Mistério Podcast. A conversa foi gravada nos estúdios do JRS Comunicação, em Porto Alegre.
Primeiro corretor de seguros a assumir a presidência da instituição, Edmur pretende ampliar a produção de estudos, pesquisas, artigos, conteúdos de capacitação e eventos. Outro objetivo é fortalecer a presença nacional da Academia e incentivar projetos desenvolvidos fora do eixo Rio–São Paulo.
“A nossa missão é promover estudos, pesquisas e eventos em benefício do desenvolvimento dos seguros, da previdência e das atividades relacionadas. Quanto mais conseguirmos produzir em quantidade e qualidade, mais estaremos entregando aquilo que a Academia promete à sociedade”, definiu.
A relação de Edmur de Almeida com o setor começou aos 14 anos, quando ingressou como office boy em uma seguradora. Ele permaneceu por duas décadas dentro de companhias antes de decidir atuar na corretagem e abrir o próprio negócio.
A corretora, inicialmente especializada em Seguro Garantia, completou 30 anos em 2026. Somadas as duas fases da carreira, Edmur acumula cinco décadas de experiência no mercado.
Ao longo desse período, acompanhou a expansão da indústria, o surgimento de novos riscos, a transformação dos produtos e as mudanças nas necessidades da sociedade.
“O mercado mudou demais. Tivemos um crescimento muito grande, novas atividades e novos riscos. Atualmente, falamos sobre mudanças climáticas, nova legislação e situações que não estavam presentes nas discussões de 1996”, contextualizou.
Para o executivo, o desenvolvimento econômico e social aumenta a responsabilidade do setor. Empresas, famílias e trabalhadores dependem de soluções capazes de preservar patrimônios, atividades produtivas, renda e qualidade de vida.
A atuação de Edmur sempre esteve ligada aos riscos corporativos. Segundo ele, a principal contribuição do seguro empresarial é garantir condições para que uma organização atravesse eventos adversos e mantenha sua operação.
A continuidade de uma empresa não interessa apenas aos seus proprietários. Cada negócio sustenta empregos, fornecedores e famílias que dependem dos salários gerados por aquela atividade.
“Contribuir para a sustentabilidade de um negócio significa também contribuir para as pessoas e famílias que estão ao redor dele. Quando seguros e previdência ajudam na perenidade da empresa, existe um impacto social muito maior”, explicou.
Essa visão também orienta o trabalho que o presidente deseja desenvolver na Academia: aproximar a produção intelectual dos problemas concretos enfrentados pelas organizações e pela população.
Edmur tornou-se acadêmico em 2003, após receber um convite de Mauro César Batista, então presidente da instituição. Antes de assumir a liderança, atuou durante três anos como vice-presidente executivo, período no qual acompanhou a gestão administrativa, financeira e operacional da ANSP.
A chegada de um corretor à presidência representa um marco para a Academia. A instituição reúne profissionais de diferentes áreas, entre eles seguradores, corretores, advogados, atuários e gestores de riscos.
Essa diversidade permite analisar os desafios do mercado por diferentes perspectivas.
“O corretor leva os produtos e os serviços ao consumidor final. Também é ele quem escuta esse consumidor. Quando participa das pesquisas e dos estudos, leva para dentro da Academia os desejos do segurado e do tomador de seguros”, destacou.
Na visão de Edmur, a presença da corretagem não deve restringir a atuação institucional a uma categoria. Pelo contrário: o papel da Academia é preservar seu caráter plural e reunir conhecimentos complementares.

Atualmente, a ANSP mantém 26 cátedras dedicadas ao estudo de diferentes áreas dos seguros e da previdência.
As cátedras funcionam como grupos de trabalho. Seus integrantes selecionam temas relevantes, organizam subgrupos e produzem pesquisas, estudos, artigos e eventos.
A participação não está limitada aos acadêmicos. Qualquer profissional interessado em estudar, pesquisar e colaborar pode acessar os canais da ANSP e solicitar sua entrada em um dos grupos.
“Precisamos de gente com vontade de estudar e disposta a se doar para essa missão. Se surgir um grupo interessado em um assunto que ainda não esteja contemplado, temos disposição para criar uma nova cátedra”, convidou.
A quantidade de grupos não é fixa. A estrutura pode ser reorganizada ou ampliada conforme o surgimento de novas pautas e a disponibilidade de profissionais interessados em produzir conhecimento.
Um exemplo da aplicação prática desse trabalho foi uma pesquisa dedicada a identificar por que microempreendedores individuais, microempresas e pequenas empresas ainda contratam poucos seguros.
Segundo Edmur, essas categorias representam aproximadamente 94% dos CNPJs brasileiros e ocupam uma posição decisiva na geração de renda e empregos.
O estudo investigou as barreiras enfrentadas por esses empreendedores e construiu um diagnóstico detalhado sobre a relação desse público com o seguro.
“A pesquisa foi tão minuciosa que brincamos que ela não produziu apenas um raio X, mas uma ressonância magnética desse mercado”, comparou.
O conteúdo já serviu como referência para uma das mantenedoras da Academia avaliar ajustes em seus produtos. O material também deverá ser disponibilizado ao mercado para apoiar outras seguradoras no desenvolvimento de soluções mais adequadas às necessidades dos pequenos negócios.
A iniciativa demonstra como a produção acadêmica pode ultrapassar o campo teórico e influenciar produtos, estratégias de distribuição e decisões empresariais.
A aproximação com instituições de ensino é outra prioridade da gestão. A ANSP pretende colaborar com conteúdos e professores para cursos de extensão e capacitação, além de oferecer mentoria para trabalhos de conclusão de curso.
Estudantes que desenvolvem pesquisas relacionadas às áreas das cátedras também poderão ser convidados a participar dos grupos.
A proposta cria uma ponte entre universidade e mercado, permitindo que os jovens compreendam os desafios reais do setor e que a Academia incorpore novas perspectivas à sua produção.
“Se esses jovens respirarem o ambiente da Academia e gostarem desse ar, quem sabe, depois da graduação, eles também passem a integrar a instituição”, projetou Edmur.
Durante o Seguro Sem Mistério Podcast, o presidente antecipou que a ANSP realizará seu primeiro congresso em 2027.
A programação deverá concentrar debates, pesquisas e conteúdos desenvolvidos pela instituição. A tradicional Noite Acadêmica, cerimônia na qual os novos integrantes recebem o título e o colar da Academia, deverá acontecer em conjunto com o congresso.
Além desse novo encontro, a entidade mantém formatos como ANSP Café, ANSP Cast e ANSP Fórum, utilizados para compartilhar conhecimento e aproximar especialistas do mercado e da sociedade.
Embora a sede e parte relevante da estrutura estejam concentradas em São Paulo, a atual gestão pretende fazer com que a instituição corresponda cada vez mais ao caráter nacional presente em seu nome.
A passagem de Edmur pelo Rio Grande do Sul integra esse movimento. A agenda incluiu encontros com acadêmicos e profissionais interessados em participar das iniciativas locais.
“A Academia precisa fazer jus ao nome de Academia Nacional de Seguros e Previdência. Existem pessoas qualificadas e dispostas a trabalhar por essa causa em todo o Brasil”, ressaltou.
A diretoria e o conselho devem apoiar a realização de estudos, pesquisas, artigos e eventos produzidos regionalmente. O objetivo não é apenas levar uma programação pronta a outros estados, mas estimular que cada região desenvolva conteúdo relacionado às suas próprias necessidades.
As mudanças climáticas estão entre os temas que mais movimentam atualmente as cátedras e os eventos da ANSP.
Para Edmur, a maior frequência e severidade dos eventos extremos exigem uma articulação entre governos, iniciativa privada, seguradoras, corretores e mercado de capitais.
“O seguro é uma peça fundamental nessa resposta. Esse assunto deverá pautar o mercado durante muitos anos”, avaliou.
A nova Lei do Contrato de Seguro também deverá gerar uma extensa agenda de estudos, especialmente em relação aos seus impactos sobre produtos, contratos e responsabilidades dos participantes do setor.
Outro eixo é a inteligência artificial. A Academia busca compreender como a tecnologia modificará processos e quais competências os profissionais de seguradoras e corretoras precisarão desenvolver.
“O mundo muda todos os dias. É como uma piscina em que alguém joga uma pedra nova a cada manhã. Precisamos estudar os reflexos e enfrentar essas transformações”, comparou.
Apesar do avanço dos produtos e da tecnologia, Edmur considera que uma das maiores lacunas permanece fora das empresas: a falta de cultura de seguros entre a população.
O desafio é levar educação securitária às famílias de menor renda, escolas, microempreendedores e pequenos negócios. Para o presidente da ANSP, o seguro precisa ser compreendido como instrumento de proteção, resiliência econômica e manutenção da qualidade de vida.
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul demonstraram como a baixa presença de seguros pode tornar a reconstrução mais lenta. Quando existe cobertura, recursos privados ajudam famílias e empresas a recuperar patrimônios, preservar empregos e retomar atividades.
“Seguro é proteção. É fator de resiliência, preservação da renda e manutenção dos filhos na escola, inclusive quando falta a pessoa responsável pelo sustento da família”, resumiu.
Depois de mais de duas décadas como acadêmico, Edmur enxerga sua atuação na ANSP como uma maneira de devolver parte daquilo que recebeu ao longo da carreira.
“O meu desenvolvimento profissional, pessoal e financeiro aconteceu dentro desse mercado. Colaborar com a Academia é uma forma de gratidão e uma contribuição para as próximas gerações”, declarou.
Para os próximos cinco anos, o objetivo é transformar a ANSP em uma referência amplamente reconhecida na produção científica voltada aos seguros, à previdência e às novas atividades que passam a integrar o setor.
No quadro “De Frente com as Lideranças”, Edmur definiu seguro como “proteção”, o corretor como “consultor” e o trabalho acadêmico como uma contribuição para o desenvolvimento do mercado e da sociedade.
Ao final, deixou um convite direto: “Se você tem disponibilidade, tempo e vontade de contribuir para o desenvolvimento dos seguros e da previdência no Brasil, venha para a Academia. Estamos de portas abertas”.
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