Gente Seguradora aponta novas oportunidades no mercado de proteção

Marcelo Wais destaca potencial dos seguros de pessoas, empresariais e patrimoniais
Marcelo Wais, vice-presidente da Gente Seguradora.

 

O mercado segurador brasileiro ainda possui espaço para ampliar a cultura de proteção e alcançar pessoas e empresas que não contam com seguros. Marcelo Wais, vice-presidente da Gente Seguradora, identifica nos seguros de pessoas, empresariais e patrimoniais algumas das principais frentes para esse avanço, além de soluções voltadas a novas necessidades de consumidores e empresas.

Dados da OCDE referentes a 2024 mostram que a penetração total dos seguros no Brasil correspondeu a 3,4% do PIB, enquanto nos Estados Unidos chegou a 12,7%. No seguro de vida, o indicador brasileiro foi de 2,3%, ante 4,9% nos Estados Unidos. Na Europa, os índices são ainda maiores, como no Reino Unido, com 8%, na Dinamarca, com 8,7%, e na Suécia, com 10,2%.

A comparação, segundo Wais, ajuda a dimensionar o espaço para o desenvolvimento do setor brasileiro, embora cada mercado tenha características próprias.

“Não significa que devemos simplesmente copiar esses mercados, porque existem diferenças econômicas, sociais e culturais importantes. Mas o comparativo mostra claramente que existe espaço para o Brasil avançar”, afirma.

Os números mais recentes da Susep reforçam esse movimento. No primeiro semestre de 2026, o seguro de vida cresceu 10,29% nominalmente e 5,70% em termos reais. Já os seguros de danos e pessoas, excluindo VGBL, registraram alta nominal de 6,51% no período.

A expansão da base de segurados aparece como uma das prioridades para o desenvolvimento do mercado. A perspectiva envolve alcançar consumidores que ainda não possuem proteção e ampliar a cobertura de quem já está inserido no setor.

“Precisamos aumentar a base de pessoas e empresas protegidas. Não podemos pensar o crescimento do mercado apenas pela disputa da carteira que já existe”, destaca Wais.

Entre as frentes com espaço para avançar estão as pequenas e médias empresas. O segmento reúne negócios com diferentes níveis de exposição e necessidades de proteção, especialmente em áreas relacionadas à gestão e transferência de riscos.

“Temos uma quantidade muito grande de pequenas e médias empresas que ainda precisam evoluir na gestão e transferência de riscos”, afirma.

Riscos cibernéticos, continuidade operacional, mudanças climáticas e proteção patrimonial também ampliam a demanda por soluções específicas. Na Gente Seguradora, a percepção é de uma procura maior por produtos ajustados às características de cada cliente e segmento.

“O que mudou bastante é a necessidade de entender o cliente de forma mais ampla. Muitas vezes ele chega procurando uma determinada cobertura e, a partir da conversa com o corretor, percebe que possui outras necessidades de proteção”, explica.

A companhia não divulga números comerciais internos. Wais aponta, porém, espaço para ampliar a proteção de segurados que já estão no mercado e alcançar novos consumidores.

“Podemos afirmar que enxergamos uma oportunidade muito grande na ampliação da proteção dos clientes que já estão no mercado e, principalmente, na entrada de novos clientes.”

Juros elevados, pressão sobre custos e necessidade de preservar caixa tornam as empresas mais criteriosas nas decisões. A gestão dos riscos ganha relevância diante dos possíveis impactos sobre patrimônio, operação e continuidade das atividades.

“Vejo um potencial importante nas pequenas e médias empresas. Existe um universo muito grande de negócios que ainda pode evoluir na gestão de riscos e na contratação de proteção adequada”, avalia.

A atuação conjunta entre seguradoras e corretores também é apontada como essencial para desenvolver soluções adequadas às necessidades dos clientes.

A tecnologia aparece como aliada para simplificar operações, reduzir burocracias e tornar a experiência do cliente mais eficiente. Para Wais, esse avanço deve fortalecer o trabalho desses profissionais, ao liberar tempo para atividades que exigem proximidade e conhecimento sobre o segurado.

“Para nós, o corretor é nosso parceiro, e a tecnologia deve fortalecer esse relacionamento. Se conseguimos automatizar processos operacionais, o corretor ganha mais tempo para aquilo que realmente agrega valor: entender o cliente, analisar riscos e orientar”, afirma.

A abordagem consultiva permite identificar necessidades que podem não aparecer em uma contratação inicial. Profissionais autônomos, famílias e segmentos econômicos específicos também estão entre os públicos com espaço para ampliar a presença no mercado.

“Isso mostra que ainda temos um universo muito grande de pessoas que pode entrar no mercado de proteção”, afirma.

Nos próximos anos, Wais projeta avanços nos seguros de pessoas, na personalização de produtos, na digitalização e nas soluções empresariais, além de alternativas voltadas a riscos relacionados às mudanças climáticas, à segurança cibernética e à continuidade dos negócios. Segundo o executivo, o crescimento do setor depende da ampliação da base de segurados, da chegada de novos públicos e do desenvolvimento de produtos capazes de atender necessidades ainda pouco exploradas.

“O futuro do mercado passa por inovação, eficiência, expansão da proteção e, principalmente, por uma relação cada vez mais próxima entre seguradoras e corretores”, afirma Wais.

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Priscilla Freitas

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