Grupo HDI registra alta de até 70% nas cotações de seguros para veículos híbridos e elétricos

Em entrevista à CBN Autoesporte, Rafael Ramalho abordou preços, coberturas, reparação e perspectivas para o mercado de veículos eletrificados

As cotações de seguros para veículos híbridos e elétricos cresceram entre 65% e 70% no Grupo HDI, segundo maior grupo segurador do Brasil, que reúne as marcas HDI Seguros, Yelum e Aliro, em comparação com o mesmo período do ano anterior. As contratações também avançaram, acompanhando a expansão desse mercado.

Os números foram apresentados por Rafael Ramalho, vice-presidente de Produto Auto, Vida e Massificados do Grupo HDI, em entrevista ao programa CBN Autoesporte, conduzida pelo apresentador Guilherme Muniz e por Leonardo Félix, diretor de redação da revista Autoesporte.

“Percebemos, nos últimos meses, um crescimento expressivo na procura por seguros para veículos eletrificados. A cotação é um bom termômetro, porque indica o interesse do cliente em buscar um corretor de seguros para contratar uma apólice para esse tipo de veículo”, afirma Ramalho.

Para o executivo, a contratação segue o modelo tradicional, com a participação do corretor na identificação das necessidades do cliente e na busca pelas opções disponíveis. As mudanças estão nos produtos e serviços, que precisam atender às particularidades desses automóveis.

Entre os diferenciais da companhia está o desconto de 30% na maior rede de postos de recarga do Brasil para proprietários de veículos híbridos e elétricos recarregáveis na tomada. O benefício busca facilitar o acesso à recarga para esse público, à medida que a mobilidade eletrificada ganha espaço no país.

Outro ponto discutido é o custo da proteção. Ramalho explica que não há diferença significativa entre os preços dos seguros de veículos híbridos, elétricos e a combustão de valores semelhantes. A mesma lógica se aplica à comparação entre híbridos e elétricos.

“O cliente vai perceber o preço do seguro muito similar àquilo que ele já está acostumado”, ressalta.

O cálculo considera mais de 40 variáveis, e os dados utilizados pela companhia não indicam diferenças de risco que justifiquem variações expressivas nas taxas entre essas categorias.

A cobertura da bateria também esteve entre os temas abordados na entrevista. O executivo explica que a cobertura compreensiva contempla esse componente, sem exclusão específica para a bateria. A evolução tecnológica também facilita os reparos, especialmente nos modelos em que o conjunto é formado por módulos que podem ser substituídos separadamente, conforme a extensão do dano.

“Hoje as baterias são compostas de módulos menores e é possível trocar só uma parte desses módulos, isso acelera o processo de reparação, diminui o tempo de espera”, explica. A substituição dos componentes danificados, quando tecnicamente viável, pode reduzir custos e evitar a troca integral da bateria.

A estrutura de atendimento também precisa acompanhar as particularidades dos veículos eletrificados. Ramalho cita procedimentos específicos para o transporte de determinados modelos e a necessidade de treinamento das equipes de assistência 24 horas. Nos sinistros que envolvem funilaria e suspensão, os reparos costumam ser semelhantes aos dos carros a combustão. Já os serviços relacionados ao sistema de propulsão podem exigir equipamentos e conhecimentos especializados.

Nessas situações, a companhia avalia cada caso para definir o encaminhamento adequado, seja para uma oficina referenciada, seja para uma concessionária. A disponibilidade de peças, especialmente diante da chegada de novas marcas ao mercado brasileiro, também exige atenção. O executivo observa que as montadoras têm se preparado para atender à demanda e que as parcerias com redes de concessionárias contribuem para agilizar o fornecimento de componentes.

O perfil de quem compra veículos eletrificados também está mudando. De acordo com o vice-presidente, esse mercado deixou de estar associado a um grupo específico de pessoas interessadas em adotar novas tecnologias antes da maioria. Hoje, famílias e compradores que antes optavam por modelos a combustão também consideram os híbridos e elétricos entre as alternativas de compra.

A companhia não identifica frequências de roubo e furto significativamente diferentes das registradas no conjunto de sua carteira. Regionalmente, os elétricos têm maior presença em áreas urbanas densamente povoadas, enquanto os híbridos apresentam distribuição semelhante à dos veículos a combustão.

O vice-presidente demonstra otimismo em relação aos efeitos da expansão desse mercado para os consumidores. Com o aumento do número de veículos eletrificados em circulação, mais marcas, oficinas e prestadores de serviços tendem a se preparar para atender a essa frota, ampliando as opções de reparação e acompanhando a evolução do setor.

“Quanto mais determinadas categorias ou tipos de carro ganham escala, isso se traduz num impacto positivo para o cliente”, destaca.

Rafael Ramalho avalia que o crescimento desse mercado impulsiona o desenvolvimento de toda a cadeia, das seguradoras às oficinas e montadoras, que precisam acompanhar a chegada de novos modelos e ampliar sua capacidade de atendimento.

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Priscilla Freitas

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