Mamografia, genética e prevenção: especialista esclarece dúvidas sobre o câncer de mama

Palestra interna do Grupo PróVida reuniu orientações técnicas sobre a saúde feminina e reforçou o papel das colaboradoras na orientação e no acolhimento das pacientes
Equipe RH da PróVida

 

O diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados no enfrentamento do câncer de mama. Mas, para que ele aconteça, informação e acesso aos exames precisam fazer parte da rotina de cuidado. Com esse propósito, o Grupo PróVida promoveu, durante o Outubro Rosa, uma palestra interna com o médico mastologista Rodrigo Quevedo de Lima, voltada à preparação das colaboradoras da instituição.

Durante a live, o médico esclareceu os principais questionamentos do público, discutindo desde a recomendação dos exames preventivos até aspectos genéticos, desmistificando condutas diagnósticas, cuidados ginecológicos e estratégias preventivas gerais.

Um dos relatos apresentados pelo médico chamou a atenção para as consequências da ausência de acompanhamento regular. Ele compartilhou o caso de uma paciente de 42 anos atendida na unidade da PróVida em Sobradinho, que chegou ao serviço com um tumor mamário de aproximadamente três centímetros e comprometimento dos linfonodos da axila.

A falta de exames de rastreamento contribuiu para que a doença fosse identificada em estágio mais avançado. A paciente percebeu uma alteração na própria mama e procurou atendimento. Pela análise do especialista, o episódio confirma a relevância do acompanhamento médico regular e da percepção imediata sobre as mudanças do corpo.

Identifique os sinais

Durante a apresentação, o mastologista destacou a mamografia como principal exame de rastreamento do câncer de mama. Ele recomendou a realização anual para mulheres a partir dos 40 anos e explicou que a ecografia mamária pode complementar a investigação, mas não substitui a mamografia.

 

Palestra interna contou com a participação do médico mastologista Rodrigo Quevedo de Lima

 

O médico abordou uma das barreiras que levam algumas mulheres a adiar o exame: o desconforto provocado pela compressão das mamas. Na avaliação dele, esse incômodo não deve impedir a realização do procedimento, especialmente diante da importância da identificação precoce. Também esclareceu que a mamografia não provoca o crescimento de tumores, ao contrário do que afirmam alguns mitos.

O autoexame, segundo a orientação apresentada na transmissão, pode ajudar a reconhecer essas alterações. O médico ressaltou, porém, que não é necessário tentar realizar um autodiagnóstico: o mais importante é perceber quando algo mudou e buscar atendimento. Essa observação não substitui os exames de rastreamento nem a avaliação profissional.

Outro tema foi a realização de mamografia em mulheres com próteses de silicone. Quevedo de Lima afirmou que o exame continua indicado nesses casos. Embora os implantes possam dificultar um pouco a visualização de determinadas áreas, técnicas específicas permitem avaliar o tecido mamário. A ecografia pode ser utilizada como complemento, enquanto a ressonância magnética fica reservada a situações específicas.

Histórico familiar e avaliação genética

A idade para iniciar o acompanhamento também foi tema de perguntas. Uma participante relatou ter recebido orientação de sua ginecologista para realizar mamografia antes dos 40 anos, devido ao histórico de câncer na família.

Quevedo explicou que a indicação de exames mais precoces depende do tipo de câncer e do histórico familiar. Casos de câncer de mama ou de ovário, especialmente em parentes próximos e em idade jovem, podem justificar uma investigação individualizada.

O especialista também falou sobre os testes genéticos, como a pesquisa de mutações nos genes BRCA1 e BRCA2. Esses exames podem ser indicados em situações de histórico pessoal ou familiar que sugiram maior predisposição hereditária. Quando identificadas mutações associadas a risco elevado, medidas preventivas específicas podem ser discutidas com a equipe médica, incluindo, em determinadas situações, a mastectomia profilática.

A conversa reforçou que a presença de casos de câncer na família merece atenção, mas não significa, por si só, que todas as mulheres devam realizar testes genéticos. A avaliação considera o tipo de tumor, o grau de parentesco e a idade em que a doença foi diagnosticada.

Hábitos e informação

Entre os fatores abordados, o médico destacou a amamentação como um elemento associado à redução do risco de câncer de mama. Segundo ele, esse efeito está relacionado, entre outros aspectos, à interrupção temporária dos ciclos menstruais e à exposição aos hormônios ovarianos durante o período de amamentação.

O especialista também destacou a importância do controle do peso e da interrupção do tabagismo, medidas que contribuem para a prevenção de diferentes tipos de câncer. Em relação à saúde ginecológica, explicou a importância da prevenção do HPV, especialmente dos tipos de alto potencial oncogênico associados ao câncer do colo do útero.

A transmissão também trouxe informações sobre a atualização do rastreamento dessa doença, com a incorporação da pesquisa do HPV de alto risco. O exame é realizado por meio da coleta de material do colo do útero, procedimento semelhante ao preventivo convencional, e não por análise de sangue. A idade e a periodicidade do rastreamento devem seguir as recomendações de saúde vigentes e a orientação profissional.

Outro esclarecimento envolveu os exames de sangue e os marcadores tumorais. De acordo com Quevedo de Lima, testes como CA 15-3 e CA 125 não são indicados como métodos de rastreamento precoce do câncer de mama ou de ovário em mulheres sem diagnóstico.

O médico ainda respondeu a dúvidas sobre miomas subserosos, cistos ovarianos e linfonodos. Explicou que miomas subserosos são, em geral, benignos e podem exigir apenas acompanhamento. Da mesma forma, muitos cistos simples de ovário tendem a regredir espontaneamente, sem necessidade de tratamento medicamentoso ou cirurgia. Já os linfonodos são estruturas naturais do sistema de defesa do organismo, embora também sejam avaliados durante a investigação do câncer de mama por sua relação com a drenagem da região mamária.

A transmissão abordou, ainda, o câncer de mama em homens. Apesar de raro, o diagnóstico pode ocorrer e exige atenção a alterações ou nódulos na região mamária masculina. Diante de qualquer sinal suspeito, a orientação é procurar avaliação médica.

Ao reunir dúvidas sobre prevenção, exames e fatores de risco, o encontro do Grupo PróVida reforçou a importância de manter o diálogo sobre a saúde feminina durante todo o ano. A conscientização não se limita à campanha de Outubro Rosa: envolve acompanhamento regular, atenção às mudanças do corpo e acesso a informações confiáveis.

Crédito foto:

Divulgação Grupo PróVida

Crédito texto:

Fernanda Torres

Publicado por:

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Helena Toniolo