Advogado comenta polêmica sobre seguro de Marília Mendonça: ‘sem respaldo legal’

Acidente aéreo ocorrido em 2021 trouxe nova camada de tensão envolvendo questões legais e familiares.

A dor pela perda de Marília Mendonça, vítima de um acidente aéreo em 2021, ainda reverbera no Brasil — agora com uma nova camada de tensão envolvendo questões legais e familiares. Dona Ruth Moreira, mãe da cantora, foi citada em uma denúncia pública feita por George Freitas, pai do produtor Henrique Ribeiro, uma das cinco vítimas da tragédia. Segundo ele, Ruth teria exigido metade do valor total do seguro da aeronave, o equivalente a aproximadamente R$ 2,7 milhões, sob a alegação de que Marília era a figura mais relevante entre os ocupantes do voo.

Conforme divulgado inicialmente pelo jornalista Ricardo Feltrin, a mãe da artista teria entrado em contato com a seguradora menos de 24 horas após o acidente. A apólice, no valor de US$ 1 milhão, destinava US$ 200 mil para cada vítima. Contudo, a denúncia aponta que Ruth teria proposto reter parte da quantia destinada aos outros quatro ocupantes, incluindo o tio de Marília e irmão de Dona Ruth, Abicieli Silveira Dias Filho.

A acusação acirrou os ânimos nas redes sociais e surge em um momento delicado: além da comoção pública, Dona Ruth enfrenta uma disputa judicial pela guarda do neto Léo, de 5 anos, hoje sob a custódia temporária do pai, o cantor Murilo Huff.

A defesa de Ruth nega qualquer tentativa de reter valores indevidos. Segundo o advogado Robson Cunha, todo o valor pago pelo seguro foi destinado exclusivamente ao filho de Marília e permanece em sua conta bancária desde o acidente. “O dinheiro foi depositado na conta do Léo e lá permanece até hoje. O acordo foi realizado entre todos os herdeiros e validado judicialmente”, disse Cunha ao portal Hugo Gloss. No entanto, ele não detalhou a divisão proporcional entre as partes.

Diante da repercussão do caso, o advogado Carlos Josias, especialista em direito securitário e professor da Escola de Negócios e Seguros (ENS), destaca a importância de tratar o tema com cautela e base jurídica. “É bem delicado e difícil tratar de um caso assim, respondendo questionamentos e opinando à distância dos fatos e com poucas informações concretas”, observa.

Segundo ele, a alegação de que Marília era a figura mais importante no voo não tem respaldo jurídico. “A sugestão de que a cantora era a figura mais relevante para embasar a sugestão de pagar metade do valor à mãe não é jurídica, não possui fomento nem respaldo legal”, afirma.

Josias também questiona a consistência das informações veiculadas até o momento. “Bem, há uma aparente contradição no resumo das notícias: ou a seguradora ainda não pagou, ou, como consta ali, estaria disponibilizada ao filho da cantora. Não é justificada esta disponibilização.

O episódio revela como o luto, a fama e os interesses financeiros podem se misturar de uma forma difícil de lidar. Para quem assiste, o melhor é ter cuidado com as especulações. Para as famílias, o maior desafio é manter viva a lembrança de quem partiu, sem que essa tragédia vire motivo para brigas públicas.

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Reprodução/Instagram Marília Mendonça

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Fernanda Torres

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