Agricultores cobram soluções do governo em meio à crise no financiamento do seguro rural

Com o bloqueio da verba do programa, a quantidade de lavouras cobertas por seguro rural vem diminuindo.

A redução dos recursos federais destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) tem acendido um alerta no campo brasileiro. Com o bloqueio de 42% da verba do programa, anunciado em junho pelo governo federal, a quantidade de lavouras cobertas por seguro rural vem diminuindo, deixando produtores mais expostos a riscos climáticos e de mercado.

Em resposta a essa retração, estados têm buscado alternativas próprias para atender às demandas dos agricultores. São Paulo lidera esse movimento ao subsidiar até 30% do valor do prêmio do seguro rural, por meio do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento. A iniciativa estadual funciona como complemento aos recursos federais e tem sido vista como um modelo de apoio diante da insegurança orçamentária do PSR.

 

Pressão por soluções federais

O tema esteve em evidência também na abertura da 48ª Expointer, em Esteio (RS), com a presença dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário). Agricultores gaúchos pressionaram por medidas que aliviem o endividamento do setor após perdas sucessivas com eventos climáticos extremos, como estiagens e enchentes.

Ainda não tinha certeza se os ministros participariam, mas a pressão do setor acabou levando à confirmação de que eles estariam presentes no evento. A expectativa era que o governo anunciasse oficialmente um pacote de apoio financeiro, que já tinha sido sinalizado anteriormente.

Após negociações com representantes do agro, o Executivo anunciou R$ 12 bilhões em crédito para repactuação de dívidas, com prazo de pagamento de nove anos e taxas de juros diferenciadas: 6% para pequenos, 8% para médios e 10% para grandes produtores.

 

Desafio do financiamento ao risco no campo

O seguro rural, garante a sustentabilidade da atividade agrícola, depende fortemente da subvenção pública, já que os prêmios ainda representam um custo elevado aos produtores. Especialistas alertam que a retração do PSR compromete a expansão da cultura de proteção no campo e expõe agricultores a perdas que poderiam ser mitigadas.

A movimentação de estados como São Paulo sinaliza um caminho possível, mas também evidencia a desigualdade regional no acesso ao seguro. Com a aproximação de um novo ciclo agrícola e os riscos climáticos cada vez mais presentes, o debate sobre o financiamento do cobertura ganha urgência, envolvendo União, estados e setor produtivo em busca de uma equação capaz de proteger a renda do campo e garantir previsibilidade ao agronegócio brasileiro.

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Fernanda Torres com informações da CNN Brasil

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