O mercado segurador já mudou. Foi com essa provocação que Alexandre Federman, CEO do Grupo Exalt, abriu o Thunder Summit, realizado no Cubo Itaú, em São Paulo. Diante de corretores, executivos e lideranças do setor, o executivo conduziu uma palestra focada menos em promessas sobre o futuro e mais nas transformações que já impactam a relação entre seguradoras, distribuição e público.
“Não queremos mais um evento falando apenas de inteligência artificial e de um futuro distante. Queremos discussões práticas, coisas que as pessoas possam aplicar amanhã”, afirmou.
A partir daí, o executivo construiu uma reflexão sobre experiência, relacionamento, retenção e comportamento de consumo, temas que dominaram o encontro.
Retenção ainda recebe pouca atenção
Um dos principais alertas da palestra envolveu a perda silenciosa de clientes no setor segurador.
“96% dos clientes que vão embora não reclamam. Eles simplesmente saem”, destacou.
Segundo Federman, muitas empresas ainda concentram energia excessiva na busca por novos negócios, enquanto deixam em segundo plano a experiência de quem já faz parte da carteira.
O executivo lembrou que manter um cliente custa menos do que conquistar outro e defendeu uma revisão dos indicadores tradicionais das áreas comerciais.
“Durante anos, o principal indicador foi seguro novo. Talvez esteja na hora de olhar mais para retenção, relacionamento e experiência.”
O setor disputa atenção com outras experiências
Empresas como Uber, Netflix, Amazon e Airbnb mostraram que mercados diferentes são guiados pela eliminação de atritos na jornada do usuário. “O Uber não inventou o transporte. Ele eliminou experiências ruins que as pessoas tinham no táxi”, comentou.
Segundo ele, o setor segurador passou a disputar atenção não apenas com concorrentes diretos, mas com qualquer experiência positiva que o consumidor vivencia no dia a dia.
“O público hoje espera facilidade, clareza, rapidez e conveniência em qualquer relação com marcas.”
Federman reforçou que a vivência do cliente não está necessariamente ligada a grandes investimentos ou tecnologias complexas.
“Muitas vezes, pequenos detalhes criam memória e vínculo.”
Como exemplo, citou um hotel que disponibiliza um telefone ao lado da piscina para que crianças peçam picolés gratuitamente.
“Isso não muda a hospedagem. Mas faz as pessoas quererem voltar.”
Outro ponto da palestra foi a comunicação das empresas. Segundo Alexandre, linguagem, posicionamento, presença digital e coerência passaram a fazer parte da experiência oferecida pelas marcas.
“Comunicação também é experiência”, resumiu.
Na avaliação do executivo, transformação digital vai além da adoção de tecnologia e exige mudanças culturais dentro das organizações.
“O mercado não vai mudar. Ele já mudou”, reforçou.
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