Avanço dos diagnósticos precoces de câncer expõe novo risco no radar financeiro de jovens brasileiros

Segundo OMS, casos da doença devem superar 35 milhões por ano até 2050 e já impactam carreira, renda e decisões financeiras de pessoas em idade produtiva.

Planejar carreira, renda e investimentos sempre fez parte da vida adulta. Agora, um novo fator começa a entrar nessa conta entre jovens brasileiros: o aumento no índice de casos de câncer entre 25 e 50 anos. Antes associado majoritariamente ao envelhecimento, o diagnóstico tem se tornado mais frequente em pessoas em plena fase produtiva, impactando não apenas a saúde, mas também a estabilidade financeira. Para se ter uma ideia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) a tendência deve levar o número de novos diagnósticos a mais de 35 milhões por ano até 2050.

Além disso, dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil registrou cerca de 704 mil novos casos de câncer por ano entre 2023 e 2025 . Esse cenário vem redesenhando a forma como adultos abaixo dos 50 anos enxergam risco, trabalho e proteção financeira.

A mudança já reflete no comportamento de contratação de seguros. Levantamento da Azos, insurtech especializada em seguro de vida com coberturas em vida, mostra que mais de 70% das apólices de Doenças Graves estão concentradas entre pessoas de 25 a 44 anos, faixa etária economicamente ativa. Em 2025, 100% dos sinistros de Doenças Graves envolvendo mulheres na base da companhia tiveram o câncer como causa, reforçando a doença como o principal risco materializado quando esse tipo de cobertura é acionada.

Esse tipo de seguro oferece o pagamento de uma indenização ao segurado em caso de diagnóstico de doenças como o câncer, permitindo que os recursos sejam usados livremente para manter renda, arcar com despesas do tratamento ou reorganizar a vida durante o período de afastamento do trabalho.

A discussão sobre câncer ainda está muito centrada no acesso ao tratamento médico, mas o impacto financeiro de um diagnóstico durante a fase produtiva é igualmente decisivo. O seguro de Doenças Graves não é um produto de sucessão, e sim uma ferramenta de continuidade de renda, para ser utilizada ainda em vida”, afirma Rafael Cló, CEO da Azos.

Segundo a empresa, a maior parte das apólices está concentrada em faixas de renda intermediárias, entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, indicando que a busca por proteção não se limita a perfis de alto rendimento. Além disso, cerca de um terço dos segurados é formado por solteiros ou divorciados, sinalizando que a preocupação vai além da proteção de dependentes e passa pela preservação da própria autonomia financeira em caso de afastamento prolongado do trabalho.

Histórias individuais ajudam a dar dimensão concreta a esse cenário. O diretor de seguros da Portfel Consultoria, Matheus Falcão, recebeu o diagnóstico de câncer ainda jovem e, apesar de contar com plano de saúde, comenta que foi a cobertura de Doenças Graves que garantiu estabilidade financeira durante o tratamento. “O convênio cuidou da parte médica, mas o seguro me deu fôlego para reorganizar a vida, manter compromissos e não transformar a doença em um colapso financeiro”, relata. A experiência pessoal o levou a ingressar no mercado segurador, hoje atuando na conscientização sobre riscos que costumam ser ignorados antes de um diagnóstico.

A atriz, influenciadora e jornalista Duda Riedel, diagnosticada com leucemia aos 25 anos, também vivenciou impactos que foram além do tratamento oncológico. Após a cura, desenvolveu menopausa precoce e osteopenia, condição descoberta após uma fratura no fêmur. “O câncer não termina quando acaba o tratamento. Ele muda planos, carreira e o corpo. Falar de proteção financeira é falar de autonomia para atravessar esse processo”, compartilha.

Para Cló, é importante ampliar o debate para além da prevenção e do tratamento. “A data reforça a importância da conscientização em todas as dimensões da vida. Quando falamos de diagnósticos cada vez mais precoces, falamos também de planejamento, de escolhas financeiras e da necessidade de criar redes de proteção antes do imprevisto, não depois”, conclui.

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