Bradesco Seguros e Swiss Re destacam oportunidades do agro aos corretores durante a Expointer

Workshop realizado em Esteio reuniu profissionais e discutiu diversificação de carteira, consórcio, proteção de equipamentos e soluções diante dos riscos climáticos

No agronegócio, surgem frentes de atuação profissional na distribuição de apólices. Em um cenário marcado por investimentos em máquinas, expansão da energia fotovoltaica nas propriedades e preocupação com eventos climáticos, a visão abrangente das demandas do meio rural gera novos caminhos comerciais.

Foi com essa perspectiva que o Bradesco Auto/RE e a Swiss Re realizaram, em 3 de setembro, um workshop durante a Expointer, no restaurante da Farsul, em Esteio (RS). A programação abordou alternativas que vão além do seguro automóvel, passando por consórcio, equipamentos, propriedades rurais, rebanho e proteção de sistemas fotovoltaicos.

Na abertura do encontro, Cleverson Veroneze, superintendente regional Sul da Bradesco Seguros, chamou atenção para a redução da concentração das carteiras em determinados produtos e ao relacionamento já existente com os clientes na identificação de outras demandas.

“Eu quis trazer esse conceito também aqui hoje, olhando o negócio e trazendo as oportunidades que temos aos corretores, visando a diversificação das carteiras, o fortalecimento do relacionamento com os clientes e a geração de novos negócios”, afirmou.

A postura do público favorece o portfólio variado de produtos no mesmo contrato. Entre os cases citados esteve a cota consorcial focada na aquisição de maquinários e veículos agrícolas. “O consórcio é muito mais, muito além de um consórcio do automóvel ou do segurado. Aqui, com foco na taxa de juros do tamanho que está e na dificuldade de crédito, o consórcio tem sido um grande aliado”, destacou.

A apresentação do Bradesco Consórcios ficou a cargo de Ighor Arndt, gerente Comercial, que apresentou o produto como uma alternativa de planejamento financeiro e uma possibilidade de ampliar a atuação dos corretores junto a clientes do campo. Segundo ele, a modalidade vem ganhando espaço justamente em um momento de maior atenção ao custo do crédito.

“O consórcio nada mais é do que uma solução financeira. Hoje a gente vê a operação como operação de fato, como operação de crédito. A gente faz comparativos com outras opções e apresenta ao cliente final, demonstrando o ganho financeiro que ele pode ter.”

Ighor Arndt evidenciou a expansão deste nicho de mercado. Segundo os indicadores, o volume de comercialização de cotas saltou 25% no último período, atingindo a marca de 179 mil operações. A viabilidade de organizar a compra de maquinários e propriedades rurais ganha destaque. O gestor ressaltou que a ferramenta possibilita prazos variados e a previsibilidade de contemplação conforme as particularidades.

“Hoje, o consórcio nada mais é do que uma compra planejada, a gente consegue estruturar. Quando a gente vende um consórcio, normalmente, o que apresentamos ao cliente? Faço uma previsibilidade de contemplação. E, com a saúde financeira dos grupos, consigo fazer essa previsibilidade”, explicou.

 

Maquinários ganham relevância

Outro ponto discutido foi o seguro de equipamentos, apresentado por Diego Gassenferth, Superintendente Comercial Bradesco Auto/RE da Sucursal de Porto Alegre.

A solução contempla formas de contratação, inclusive em operações que envolvem máquinas utilizadas no campo. De acordo com Diego, até quatro equipamentos são considerados individualmente e, a partir de cinco, são enquadrados como frota. Também existem modalidades de contratação risco a risco e por LMI único.

Um dos avanços destacados foi a digitalização do processo de contratação. A proposta leva ao seguro de equipamentos recursos já existentes em outras operações da companhia, reduzindo o tempo de análise.

“Estamos trazendo toda a tecnologia que temos no frota, com a parte sistêmica, ao portal de vocês no LMI único de máquinas, de seguros de equipamentos. Esse sistema está pronto, rodando em piloto em alguns corretores no Brasil, e a expectativa é agora, no segundo semestre, soltar em todo o Brasil”, afirmou.

Segundo Diego, a mudança busca reduzir uma etapa que tradicionalmente poderia exigir vários dias de análise. “Antes o processo era manual. Levavam-se dois dias na análise; se tinha um questionamento, iam mais dois dias ao corretor responder. No fluxo normal, acabava levando de sete a dez dias. Agora vamos fechar essa lacuna, trazendo isso ao nosso portal.”

Durante a apresentação, também foram discutidos cuidados na contratação, especialmente em relação ao local de utilização dos equipamentos e às condições previstas na apólice.

 

Energia solar e novos riscos

A expansão da energia solar nas propriedades rurais também apareceu entre as oportunidades apresentadas. O sistema fotovoltaico instalado no solo ou em estruturas de telhados pode ser contratado, segundo Diego, ampliando o campo de atuação dos corretores junto a produtores que investiram nessa tecnologia.

“Hoje temos uma das aceitações mais amplas do mercado, tanto na modalidade do equipamento quanto em relação ao valor e ao ano de uso. O sistema de energia solar fotovoltaica, instalado no chão das fazendas ou em estruturas de telhados, ambos podem ser contratados”, explicou.

O tema ganha relevância diante do aumento da presença de sistemas fotovoltaicos em propriedades rurais, inclusive em locais mais afastados e com estruturas próprias de geração e armazenamento de energia. Diego ressaltou as condições de território e local determinadas na contratação, já que diferentes situações de uso demandam enquadramentos específicos.

 

Clima coloca seguro rural no centro da discussão

A programação também avançou nos seguros voltados diretamente à atividade rural. Cátia Rucco, Head de Agro na Swiss Re, destacou o apoio ao produtor diante de eventos climáticos que podem afetar tanto a produção quanto a estrutura da propriedade.

“Hoje a gente trouxe para falar rapidinho sobre os produtos de seguro agro, propriedade rural e o quanto podemos apoiar o produtor na atividade dele, o quanto podemos estar do lado do produtor quando falamos em eventos climáticos e em eventos que são sistêmicos”, afirmou.

Na sequência, Fairidayse Antônio, da área Técnica Comercial da Swiss Re, apresentou algumas novidades previstas ao ciclo 2026/2027. Entre elas estão mudanças em produtos voltados à fruticultura, incluindo uma solução à uva de vinho com coberturas relacionadas à qualidade, queda de barreira e granizo.

Também foram citadas reduções de franquias em produtos de riscos nomeados destinados a culturas como arroz, soja e milho.

O cenário climático foi outro ponto de atenção. Fairidayse ressaltou que a ocorrência de um El Niño forte exige cautela não apenas em relação à lavoura, mas também à estrutura das propriedades.

“Tem sido muito comentado e nós acompanhamos muito. A gente espera que não seja um evento catastrófico, mas sabemos que foi confirmado um evento de El Niño forte. Então entra ali o ponto de atenção à seguradora, principalmente aos produtores, pensando não somente no excesso de chuva, mas também em granizo, tempestades e ventos fortes”, explicou.

 

Flexibilidade de coberturas na Pecuária

Entre as soluções apresentadas pela Swiss Re também esteve o seguro de rebanho, que, segundo Fairidayse, permite combinar coberturas e franquias conforme a disposição do produtor em investir na proteção.

“O produto consegue fazer combinações de coberturas e franquias. Dependendo do que ele colocar ali, consegue ter taxas de 1,5%, 2%. Então, pensando em uma contratação de uma cobertura simples com uma franquia simples, ele consegue se proteger diante de um evento catastrófico”, explicou.

A proposta permite que o seguro seja ajustado às características de cada produtor. Quem busca uma proteção ampla pode optar por coberturas e franquias diferentes, enquanto outros segurados podem priorizar uma garantia mais específica. Fairidayse também exemplificou o funcionamento da franquia em eventos climáticos. “Pense numa apólice com uma franquia simples. Deu um raio, morreu um animal. Se a franquia for de dois animais, não paga nada. Na semana seguinte, morreu outro animal, que também não paga. Eles precisam superar a franquia e falecer no mesmo evento. Então, se der um raio e morrerem três animais, eu pago os três animais.”

 

Diversificação como caminho a novas oportunidades

Ao longo do workshop, a mensagem que atravessou as diferentes apresentações foi a necessidade de o corretor ampliar a conversa com o cliente. No agronegócio, uma mesma propriedade pode reunir máquinas, equipamentos, sistemas de geração de energia, produção agrícola, rebanho e patrimônio, criando diferentes necessidades de proteção.

Na avaliação de Cleverson Veroneze, conhecer melhor esse cenário permite ao profissional deixar de atuar de maneira concentrada em uma única modalidade.

O encontro apresentou caminhos ao corretor que já mantém uma relação com o cliente e identificou demandas que ficam muitas vezes fora do radar. Em um setor diretamente exposto às oscilações do clima e às transformações tecnológicas, diversificar a carteira é entender a mudança.

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