Bradesco Seguros no Seguro Sem Mistério: tecnologia, corretor e a cultura do seguro que o Brasil ainda precisa construir

Episódio contou com a participação de Cleverson Veroneze, Executivo da Bradesco Seguros no Sul do país

Em mais um episódio do programa Seguro Sem Mistério, Júlia Senna, CEO do JRS, recebeu Cleverson Veroneze, Executivo da Bradesco Seguros responsável pela regional Sul. Com mais de 20 anos de trajetória no grupo, Cleverson conduziu uma conversa franca sobre transformações no mercado de automóvel, o papel insubstituível do corretor, os aprendizados das enchentes de 2024 e o que diferencia um corretor comum de um corretor estratégico.

Uma carreira que cresceu junto com o mercado

Cleverson Veroneze tem uma história que se confunde com a do próprio mercado segurador do Sul do Brasil. Começando pelo interior do Paraná, passou por sucursais nos três estados da região, acumulando quase 10 anos no Rio Grande do Sul. “Fui crescendo junto com alguns corretores que viraram amigos“, conta. Em setembro do ano passado, assumiu a superintendência da regional Sul, missão que define com clareza: reconquistar espaço, desenvolver corretores e reorganizar o canal de distribuição.

O seguro de automóvel virou um ecossistema de serviços

Para Cleverson, a maior transformação no ramo auto não foi tecnológica, foi cultural. O produto que antes se resumia à cobertura de sinistros hoje é uma plataforma de serviços que acompanha o segurado durante toda a vigência da apólice. Coberturas de pneu, roda, martelinho, seguro residencial acoplado, guincho e carro reserva são apenas parte de um pacote pensado para tangibilizar o valor do seguro no dia a dia. “A intenção é fazer com que o segurado se sirva desses benefícios ao longo da vigência, não só no momento do sinistro.”

A tecnologia entrou nessa equação para desburocratizar: autovistoria feita pelo próprio segurado, indenizações por imagem, cotações resolvidas pelo WhatsApp. Mas Cleverson faz questão de frisar o limite dessa automação. “Se por trás você não tem um profissional corretor para assessorar o segurado nas coberturas corretas, ele vai continuar tendo dificuldade.” O corretor, para ele, segue sendo peça insubstituível do processo.

Enchentes, risco climático e o momento em que o seguro se provou

As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul deixaram uma marca profunda no mercado. Cleverson vê naquele episódio um divisor de águas para a percepção do seguro pela população. “As pessoas conseguiram tangibilizar o valor de uma apólice. Quando isso acontece e a gente vê que é vulnerável, o seguro passa a fazer sentido de verdade.”

O prejuízo às seguradoras chegou perto de R$ 8 bilhões. Mas o saldo, segundo ele, foi positivo para o setor: segurados mais conscientes, produtos mais aderentes ao risco climático e uma população que viu de perto o papel social do seguro. “Os eventos climáticos vieram para ficar. Aquelas alertas no celular com laranja e vermelho são a nova realidade.” A Bradesco manteve coberturas de alagamento e desmoronamento ativas durante a crise e o mercado gaúcho saiu mais maduro do outro lado.

Corretor comum versus corretor estratégico

Um dos momentos mais diretos da conversa foi quando Cleverson traçou a distinção entre dois perfis de profissional. O corretor comum espera o WhatsApp chegar. O corretor estratégico olha para dentro da própria carteira, identifica oportunidades, expande o negócio, usa a tecnologia a seu favor. “O cara está indo para o Nordeste abrir escritório para atender gaúchos que foram para lá. Isso é visão estratégica.”

Cleverson faz questão de não julgar quem escolhe manter o modelo tradicional, “tem espaço para os dois“, mas deixa claro que quem entende a tecnologia como aliada, e não como concorrente, chega primeiro.

A Bradesco que escuta para criar

A segmentação da Bradesco Seguros em unidades especializadas, Auto RE, Vida e Previdência, Saúde e Odontoprev, surgiu justamente para eliminar a dispersão do modelo generalista. “Quando o comercial trabalhava com oito produtos, ele não aproveitava nenhum deles de verdade.” Hoje, cada especialista chega ao corretor com foco e profundidade.

E os produtos que chegam ao mercado, conta Cleverson, nascem de escuta ativa. O Auto One, por exemplo, voltado a veículos de alto valor com cobertura de até R$ 3 milhões, surgiu de pedidos dos próprios corretores.

Para apoiar o desenvolvimento dos parceiros, a Bradesco mantém a UNIVERSEG, plataforma com mais de 600 cursos em áreas que vão de matemática financeira a oratória, além do programa Ciclos, focado em auxiliar corretores no processo de sucessão da corretora.

Tecnologia que aproxima

Assim como no seguro de automóvel, Cleverson defende que a tecnologia no relacionamento com o corretor deve ser usada para ampliar a presença humana, não para substituí-la. “A gente não acredita que o corretor consegue crescer sem o relacionamento com o time.” A aposta é garantir que 100% dos corretores tenham algum tipo de atendimento dentro da companhia, seja pelos executivos regionais, seja pelas assessorias parceiras que operam como canal complementar de distribuição.

O que o Brasil ainda precisa construir em cultura de seguro

Ao olhar para o cenário mais amplo, Cleverson aponta uma distorção que ainda persiste: o brasileiro calcula o seguro do carro antes de comprar o veículo, mas não pensa no seguro da casa, da empresa ou da vida. “A visão de risco precisa ser mais abrangente. O seguro não pode ser visto como custo, ele é proteção do patrimônio.”

O Rio Grande do Sul já tem índices de adesão ao seguro residencial quase o dobro da média nacional. Para Cleverson, isso é sinal de que o gaúcho tem perfil preventivo e também de que há muito mais a explorar. “A gente fala muito de seguro para nós mesmos. Precisa levar essa conversa para fora.”

Legado e propósito

Questionado sobre o que o move depois de duas décadas no mercado, Cleverson foi simples: o brilho nos olhos das pessoas. Ver uma corretora crescer depois de uma visita, acompanhar um gerente comercial se desenvolver, deixar um lugar melhor do que quando chegou. “Quando consigo desenvolver alguém, e vejo a operação dele antes e depois, isso me motiva bastante.”

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Helena Toniolo

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