A Inteligência Artificial (IA) foi tema central do painel “Qual o impacto da IA no seguro e uma visão de futuro”, que reuniu Eduardo Dal Ri, CEO do Grupo HDI, e Paulo Kakinoff, CEO da Porto. O momento fez parte da programação do CQCS Inovação 2025, que acontece em 11 e 12 de novembro, em São Paulo. Ambos destacaram que a tecnologia já melhora eficiência, experiência do cliente e combate a fraudes, mas requer governança, critérios claros de priorização e capacitação contínua das equipes.
Abrindo a conversa, Dal Ri ressaltou que IA não é recurso barato nem universal para todos os problemas. Por isso, advoga duas frentes: (1) priorização de casos de uso com maior impacto em resultado (receita, satisfação, eficiência) e **(2) segurança — com controles para impedir vazamento de informações sensíveis. Segundo ele, a sua companhia estruturou um programa interno de IA com acesso controlado às ferramentas, treinamento amplo e times dedicados aos projetos de maior sofisticação. Entre os focos citados estão regulação de sinistros, prevenção a fraudes e atendimento. “A IA faz o primeiro filtro e eleva o nível do contato humano, reservando o especialista para decisões de maior valor”, explicou. Dal Ri também lembrou a tradição brasileira em modelagem e precificação e reforçou que o hype deve dar lugar a entregas objetivas e mensuráveis.
Kakinoff classificou a IA como a alavanca de produtividade mais potente das últimas décadas, comparável à soma de internet, planilhas e redes sociais em termos de ganho operacional. Ele citou aplicações já em curso, como transcrição e mineração diária de ligações para gerar insights acionáveis em tempo real (tendências de reclamações, gargalos por região ou produto) e ganhos expressivos em áreas jurídicas, contábeis e de desenvolvimento de software. O executivo também apontou desafios: riscos de desinformação e deepfakes, dependência de dados confiáveis e a necessidade de governança para que a tecnologia esteja “a serviço de um propósito” e não substitua o juízo profissional.
O horizonte, segundo Kakinoff, é a hiperpersonalização: underwriting cada vez mais granular, preços mais justos e produtos mais competitivos e inclusivos, com redução de ineficiências oriundas de políticas médias. “A ferramenta é poderosa e acessível; o diferencial estará em quem combinar capacidade computacional com dados de qualidade e liderança preparada”, resumiu.
Em comum, os executivos enfatizaram que IA amplifica — não substitui — o papel humano. O caminho passa por casos de uso bem escolhidos, segurança, dados bem governados e treinamento. A combinação de eficiência operacional com atendimento consultivo tende a acelerar o amadurecimento do setor e a ampliar o acesso ao seguro no país.


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