Em mais um episódio do programa Seguro Sem Mistério, Júlia Senna e Bruno Carvalho receberam o Dr. Carlos Josias Menna de Oliveira, advogado formado pela PUCRS e sócio fundador do escritório CJosias & Ferrer Advogados Associados. Com mais de 50 anos de atuação no mercado de seguros e 42 anos dedicados ao direito securitário, o doutor Josias é uma das referências mais respeitadas do setor e a conversa foi à altura da trajetória.
De mercado escasso a setor intelectualizado
Quando o Dr. Josias começou sua carreira, a literatura jurídica sobre seguros era praticamente inexistente. Poucos escritórios, poucos autores, e uma imagem negativa que pesava sobre todos que atuavam no setor. “O direito securitário era visto como um direito de picareta. Ser advogado de seguradora significava, para muitos, estar do lado errado“, relembra.
A virada começou com iniciativas que aproximaram o judiciário do mercado segurador, em especial os congressos pioneiros organizados no Rio Grande do Sul, capitaneados por Jane Manssur e pelo diretor Junqueira. “Foi a primeira vez que os juízes se misturaram com o setor de seguros. Ali aquela imagem começou a se desfazer”, conta. Desde então, entidades como o CVG e a AIDA passaram a ocupar espaço relevante na formação jurídica do setor, e o cenário mudou radicalmente. “Hoje o setor está absurdamente melhor. Quem acompanhou desde o início sabe disso.”
Os ramos mais judicializados
Na visão do Dr. Josias, automóvel e responsabilidade civil seguem como os campeões em volume de ações judiciais, reflexo direto da proporção de segurados nesses ramos. O agronegócio aparece como potência crescente, enquanto o seguro de RC profissional ainda enfrenta obstáculos culturais e operacionais que limitam seu desenvolvimento. “O ser humano tem dificuldade em se reconhecer culpado. E quando o RC profissional é exigido de forma excessiva, isso pode travar a produção e afastar o mercado“, avalia.
O Brasil ainda é judicializado, mas por razões diferentes
Para o advogado, o Brasil continua sendo um país com alto índice de judicialização em seguros, mas o motivo mudou. Antes, as ações vinham da ignorância sobre os contratos. Hoje, vêm do conhecimento. “Quanto mais o segurado entende o que assinou, mais chances tem de contestar o que não foi cumprido. Isso é positivo, ainda que gere demanda judicial.”
Ele também aponta que a advocacia evoluiu nesse aspecto: o hábito de pedir muito para negociar pouco perdeu força, e os bons advogados, em sua visão, não pedem além do direito que a parte efetivamente possui.
Formação do corretor: um passo atrás
Um dos pontos mais enfáticos da conversa foi a crítica ao fim do curso presencial obrigatório para corretores de seguros. Para o Dr. Josias, encerrar essa formação estruturada, que era conduzida pela Escola Nacional de Seguros. foi um retrocesso. “O ensino a distância tem seu valor, mas não substitui a interatividade da presença. O ser humano tem uma certa preguiça, e sem a obrigatoriedade presencial, perde-se muito da qualidade da formação.” Na sua avaliação, isso resultou em uma nova geração de corretores com lacunas importantes de conhecimento técnico.
O escritório como escola
Ao longo da conversa, o Dr. Josias voltou repetidamente a um tema que claramente lhe é caro: o papel do escritório como formador de profissionais. Nomes como Dra. Nires, Luiz Felipe e Juliano são citados com orgulho, não apenas como sócios, mas como exemplos de que é possível construir carreira própria mesmo num mercado cada vez mais dominado por grandes estruturas. “Hoje o escritório é muito mais do que eu. Tenho pessoas que me representam com muita propriedade, algumas, com certeza, melhores do que eu. E isso é o mais bonito de chegar a uma certa altura da carreira.”
Seu conselho para quem está começando no direito securitário é direto: busque quem tem tradição, peça indicações, e escolha bem suas fontes. “Se a fonte não é boa, não bebe.”
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