Como guerras, como as do oriente médio, podem impactar o seguro no Brasil e no mundo?

Confira artigo do presidente do fórum Mário Petrelli e do Conselho Consultivo da MAG Seguros, Marco Antônio Gonçalves.

Guerras sempre foram eventos que afetam não apenas os países diretamente envolvidos, mas também todo o planeta. No setor de seguros, os efeitos costumam ser sentidos com rapidez, já que o mercado trabalha essencialmente com a precificação e a gestão de riscos. Quando um conflito de grandes proporções explode em uma região estratégica, como o Oriente Médio, o reflexo atinge desde as coberturas marítimas e aéreas até o seguro patrimonial no outro lado do mundo.

O aumento da exposição a riscos faz com que seguradoras e resseguradoras ajustem suas políticas de aceitação. Rotas comerciais próximas a zonas de guerra, por exemplo, se tornam mais caras de segurar. Isso impacta diretamente os custos dos seguros de transporte e pode gerar atrasos nas cadeias logísticas globais, o que também pesa sobre o setor industrial e o comércio.

Outro ponto importante é o efeito econômico indireto. A volatilidade no preço do petróleo, tão comum em períodos de tensão no Oriente Médio, poderia elevar os custos de combustíveis, o que pressionaria a inflação global. Outra possibilidade na crise mais recente era o Irã ter fechado ou sobretaxado a passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Quando variáveis como esse se concretizam, seguradoras precisam rever suas estimativas de sinistralidade e reajustar prêmios, o que exige do corretor de seguros uma postura ainda mais consultiva na hora de explicar esses aumentos ao cliente.

Além disso, o ambiente de guerra impulsiona o risco cibernético, pois cresce a possibilidade de ataques hackers patrocinados por governos ou grupos extremistas. Isso leva a uma maior procura por seguros cibernéticos e por coberturas de responsabilidade civil em setores estratégicos, o que abre novas oportunidades para corretores atentos às tendências.

No fim das contas, mesmo que os conflitos pareçam distantes, seus efeitos no setor segurador são bastante concretos. A confiança das resseguradoras, o apetite das seguradoras e o comportamento do consumidor são todos afetados. E o corretor, como elo entre o mercado e o segurado, precisa estar preparado para orientar seus clientes em um cenário global cada vez mais instável.

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