Custo da inadimplência impulsiona mercado de Seguro de Crédito em Santa Catarina

Com salto de 86,4% no pagamento de indenizações até junho de 2026, proteção de caixa consolida-se como ferramenta indispensável para a sustentabilidade das empresas no estado

O aumento da inadimplência e a busca por maior segurança nas transações comerciais B2B (business to business) transformaram a gestão de risco nas empresas catarinenses. No acumulado de 2026 até junho, o mercado de Seguro de Crédito no estado registrou um crescimento expressivo no pagamento de indenizações aos segurados, que somou R$ 11,75 milhões, um avanço de 86,4% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

A alta no volume das indenizações foi acompanhada pela maior procura pelo produto. No mesmo intervalo, a arrecadação cresceu 45,2%, alcançando R$ 12,83 milhões em prêmios emitidos.

O desempenho reflete um cenário de cautela, no qual as empresas precisam conceder crédito e prazos aos seus clientes para manter a competitividade, mas sem comprometer a saúde financeira do negócio. Esse alerta no ambiente corporativo é respaldado por dados da Serasa Experian, que apontam um agravamento acelerado do quadro no varejo nos últimos seis meses: o número de pedidos de recuperação judicial no setor saltou cerca de 20,4%, impulsionado pelas taxas de juros elevadas e pelo endividamento recorde das famílias. O avanço da crise no varejo e nas cadeias de suprimentos é evidenciado por casos de grandes redes em reestruturação financeira, como Casas Bahia e Tok&Stok, o que acendeu o sinal de alerta entre fornecedores de todos os portes.

 

Como funciona a cobertura do seguro de crédito?

Projetado especificamente para transações comerciais entre empresas, o seguro de crédito protege o fornecedor contra o risco de calote nas vendas efetuadas a prazo. Caso o comprador não honre o pagamento por insolvência ou falência, a seguradora indeniza o segurado com o valor da fatura não paga, garantindo a continuidade do fluxo de caixa.
Mais do que indenizar uma empresa quando um cliente deixa de pagar, as seguradoras acompanham continuamente a situação financeira dos compradores e ajudam seus segurados a identificar sinais de deterioração antes que a inadimplência aconteça.

Para o empresariado catarinense, fortemente ancorado em polos industriais, no comércio e no agronegócio, a proteção deixou de ser um diferencial para se tornar um pilar estratégico.

“O empresariado catarinense sempre se destacou pela eficiência operacional e governança, e os dados do primeiro semestre de 2026 mostram uma mudança clara de postura: o seguro de crédito deixou de ser encarado apenas como custo e passou a ser tratado como um pilar essencial para o crescimento seguro. Em um cenário em que as concessionárias e a indústria precisam dar prazo para vender, proteger o balanço contra a inadimplência tornou-se a prioridade número um para garantir a sustentabilidade dos negócios no estado”, ressaltou o presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC), João Fazio Amato Neto.

Com a perspectiva de manutenção das oscilações de mercado no segundo semestre, a tendência é que a busca por instrumentos de proteção ao crédito permaneça em alta no ecossistema corporativo de Santa Catarina.

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