Dez vezes maior em 7 anos: a engrenagem por trás do avanço da Wiz Corporate

Operação da Wiz Co voltada ao mercado corporativo projeta multiplicar por dez seu faturamento em sete anos e aposta na combinação entre inteligência comercial, profundidade técnica e tecnologia para expandir presença no seguro corporativo
Anderson Romani e Stephanie Zalcman, diretores da Wiz Corporate.

 

Há duplas que funcionam porque pensam parecido. Outras, porque pensam diferente e, justamente por isso, se completam. Na Wiz Corporate, braço da Wiz Co voltado ao mercado corporativo de seguros, a parceria entre os diretores Anderson Romani e Stephanie Zalcman ajuda a explicar parte importante da trajetória recente da operação.

Ele, com perfil comercial, visão de mercado e foco em expansão. Ela, com formação jurídica, olhar técnico e atenção rigorosa aos fluxos, produtos e estruturas. Juntos e ao lado de seus times, ajudam a sustentar uma operação que, segundo a companhia, projeta multiplicar por dez seu faturamento em sete anos e busca se consolidar como uma referência em distribuição, consultoria e soluções para riscos corporativos complexos.

A sintonia entre os dois nasceu antes da Wiz Corporate. Romani e Stephanie trabalharam juntos anteriormente no mercado e, ao optarem por um novo ciclo profissional, enxergaram na então pequena operação corporativa da Wiz espaço para construir algo diferente do modelo tradicional das grandes multinacionais do setor. A aposta era arriscada. Mas, poucos anos depois, se transformou em uma curva de crescimento que chamou a atenção do mercado.

Segundo Romani, a Wiz Corporate vive um ciclo de expansão acelerada, com a perspectiva de consolidar um crescimento de dez vezes ao longo de sete anos. O avanço se dá em paralelo à própria transformação da Wiz Co, grupo que atua em seguros, crédito e consórcios e que, após o fim da exclusividade histórica com a Caixa, precisou redesenhar sua estratégia de distribuição e ampliar sua atuação em diferentes frentes. Recentemente, a companhia anunciou Lucas Neves como novo CEO.

Dentro desse ecossistema, a Wiz Corporate passou a ocupar um papel específico: atender empresas de diferentes portes, especialmente em operações que exigem leitura mais aprofundada de risco, maior capacidade de estruturação e atuação consultiva.

Temos a fama de sermos resolutivos. Muitas empresas que enfrentam alguma dificuldade, seja financeira, de colocação de risco ou em operações mais complexas, nos procuram porque sabem que nós resolvemos”, afirma Romani.

Hoje, a carteira reúne cerca de 15 mil apólices emitidas por mês e 3 mil clientes ativos, segundo os executivos. O perfil da operação está longe do varejo. “O nosso foco está em empresas pequenas, médias e grandes, em setores diversos, com demandas que vão de seguro garantia a cyber, passando por crédito, rural, aviação, real estate, energia e licitações”, explica.

 

Distribuição com profundidade técnica

Se a distribuição aparece como palavra-chave no discurso de Romani, Stephanie reforça que ela só se sustenta quando vem acompanhada de preparação e diagnóstico. “Não basta ganhar um cliente e simplesmente começar uma operação. Tem que ter diagnóstico, preparação e entendimento. Quem são os envolvidos, quais são as necessidades, quais coberturas fazem sentido. Sem estratégia, a distribuição não acontece”, afirma.

A executiva destaca que uma das mudanças mais importantes dos últimos anos foi ampliar a atuação da operação, antes muito concentrada em obras do Minha Casa Minha Vida, para outros ramos e setores, com maior controle operacional e mais agilidade na tomada de decisão. “Somos uma empresa nacional. Isso nos dá uma vantagem importante: a decisão acontece aqui. A gente consegue pensar, ajustar e aplicar com rapidez”, diz.

Essa combinação entre distribuição e profundidade técnica também aparece no desenho das equipes. Segundo Romani, a companhia trabalha com especialistas por linha de negócio e segmento econômico, numa tentativa de entender não apenas o produto de seguros, mas a lógica operacional do cliente. “A área sempre precisa de especialista. Quando vamos atrás de um cliente, investigamos o que ele faz, quais são os gargalos e quais riscos estão em jogo”, afirma.

 

Tecnologia como suporte à gestão

Outro eixo central da estratégia é a tecnologia. Mas, na visão da companhia, o diferencial não está apenas em digitalizar a emissão de apólices. A ambição é oferecer ao cliente uma base de informação que facilite a gestão de riscos e seguros no dia a dia.

Segundo Romani, a Wiz Corporate conta com sistemas capazes de concentrar informações sobre vencimentos, renovações, boletos, relatórios, limites tomados junto às seguradoras e histórico das apólices — inclusive aquelas contratadas fora da própria corretora. “O mercado inteiro olha para emissão na ponta. Nós já temos isso. O que queremos é ser um facilitador, um balcão de informações para o cliente”, afirma.

A proposta é se aproximar da rotina dos gestores de risco e transformar a corretora em uma parceira de gestão, e não apenas de intermediação. Essa visão, segundo os executivos, tende a ganhar ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial. “A tecnologia é o que vai manter a gente vivo”, resume Romani. “A inteligência artificial precisa servir para facilitar a vida do cliente e aproximar ainda mais a relação entre corretor e empresa”, acrescenta.

 

Consultoria antes da apólice

Na prática, o modelo defendido pela Wiz Corporate parte da premissa de que a apólice é apenas uma etapa de um trabalho maior. Antes dela, entram leitura de contexto, análise de risco, inspeções, reuniões, visitas técnicas e entendimento da operação do cliente.

A apólice é somente mais um passo. Antes disso, tem inspeção, entendimento do cliente, entendimento dos riscos. A nossa ideia é viver a vida do cliente”, diz Romani.

Essa lógica ganhou forma, entre outras iniciativas, na área de Quality Review, criada há cerca de dois anos. A estrutura combina videovistorias, relatórios online e visitas presenciais com engenheiros, de acordo com o porte e a complexidade do risco.

Segundo Stephanie, a proposta é ajudar o cliente a enxergar vulnerabilidades e melhorias possíveis na própria operação, não apenas para fins de contratação, mas também de prevenção e eficiência. “Muitas vezes mostramos o que ele pode melhorar para mitigar risco e até reduzir custo de seguro”, explica.

 

Parceiros e capilaridade

A operação também mantém uma frente voltada a parcerias com outros corretores de seguros. Os parceiros respondem por uma fatia importante do negócio, entre 20% e 30% da operação, segundo Romani. O modelo busca oferecer musculatura técnica para corretores e canais que atuam com clientes corporativos, mas não necessariamente têm estrutura própria para lidar com produtos mais complexos.

Distribuição é a palavra-chave aqui dentro”, afirma o executivo. “Se tiver distribuição, a gente tem interesse.

 

Entre a oportunidade e a conscientização

Os diretores Romani e Stephanie insistem em uma ideia: o mercado brasileiro ainda trata o seguro mais como custo do que como instrumento de continuidade. Para eles, isso ajuda a explicar tanto a baixa contratação de coberturas mais sofisticadas quanto o espaço de crescimento em linhas como crédito, garantia e cyber.

A avaliação da dupla é de que o avanço da operação está diretamente ligado à capacidade de unir duas vocações: resolver problemas e distribuir soluções. “Queremos ser solucionadores e distribuidores ao mesmo tempo. Isso está no nosso DNA”, resume Romani.

Crédito foto:

Filipe Tedesco

Crédito texto:

Júlia Senna

Publicado por:

Picture of Redação JRS

Redação JRS