Grupo Fetra no Seguro Sem Mistério: os desafios e oportunidades dos seguros de transporte

Entrevista aborda especialização, tecnologia, atendimento humanizado e as mudanças trazidas pelo Marco Regulatório do setor.

No mais recente episódio do programa Seguro Sem Mistério, o apresentador Bruno Carvalho recebeu duas grandes lideranças do mercado de seguros de transporte: Paula Bruch, CSO, e Ana Karine Gidi, COO do Grupo Fetra.

A conversa revelou os desafios e oportunidades de um dos segmentos mais técnicos e dinâmicos do mercado segurador brasileiro, com foco na especialização como diferencial competitivo.

O Grupo Fetra consegue empoderar o corretor. Ele cria um poder porque conta com a força do grupo“, afirmou Ana Karine. A frase resume a essência da assessoria: ser o facilitador que acelera negócios e conecta mais de 3.000 corretores às melhores condições do mercado de transporte de cargas.

23 anos de especialização em transporte

Com mais de duas décadas de atuação focada exclusivamente em seguro de transporte de cargas, o Grupo Fetra nasceu da necessidade do corretor que não dominava o produto e precisava de suporte técnico qualificado. “Nosso DNA é o seguro de transporte de carga. 90% do nosso time está focado nesse produto“, destacou Ana Karine.

Paula Bruch reforçou o posicionamento: “Somos o facilitador do mercado de seguros, a engrenagem que acelera os negócios para os corretores“. A proposta dos cofundadores sempre foi clara: dar ao pequeno e médio corretor as mesmas condições competitivas que grandes brokers conseguiam no mercado.

O desafio da siglas

Durante a entrevista, as executivas desmistificaram a complexidade dos seguros de transporte. Ana Karine explicou didaticamente as principais coberturas: “RCTR-C é Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga, cobre danos por acidente e incêndio. Já o RC-DC cobre o desaparecimento de carga, que é o roubo. E agora temos o RC-V, a bola da vez do mercado.”

O RCV (Responsabilidade Civil por danos causados pela mercadoria ou pelo Veículo) se tornou obrigatório com a Resolução 6.068/2025 da ANTT, que passou a exigir as três apólices para emissão e manutenção do RNTR-C. “Saímos de três ou quatro apólices de RC-V por mês para 120 em apenas 30 dias. E o movimento só cresce“, revelou Ana Karine.

Paula alertou: “Quem deixar para março vai ter bastante dificuldade. O mercado já está se movimentando e nem todas as seguradoras estão preparadas para atender a demanda.”

Pós-venda: onde o corretor se consagra

Um dos pontos mais enfatizados pelas executivas foi a importância do acompanhamento após a emissão da apólice. “O transporte exige um pós-venda muito forte. Não é como um seguro de automóvel que você fecha e só se preocupa daqui a um ano“, explicou Ana Karine.

A apólice de transporte demanda atenção constante: endossos, faturamentos mensais, embarques esporádicos. “Se o corretor não está bem assistido em todo esse processo, ele perde a apólice. Não adianta fechar e não ter alguém para pegar na mão e conduzir“, complementou.

Paula foi direta: “O corretor de transporte se consagra na hora do sinistro. É ali que ele vai mostrar se é especialista ou não.” E os números são expressivos: o valor médio de um sinistro de transporte varia entre R$ 100 mil e R$ 150 mil, podendo chegar a R$ 6 milhões em grandes embarques.

Tecnologia com humanização

Apesar de investir pesadamente em inovação, como o desenvolvimento de um motor de cálculo e integração via APIs com seguradoras, o Grupo Fetra não abre mão do atendimento humanizado. “A essência ainda é continuar com atendimento humanizado. Ninguém quer falar só com máquinas“, defendeu Paula.

Ana Karine completou: “Investimos em tecnologia para eliminar etapas burocráticas e dar agilidade ao corretor, mas sempre mantendo o contato humano. São colaboradores especialistas em transporte, todos prontos para ajudar do início ao fim da jornada.”

O corretor no centro da estratégia

As executivas deixaram claro que o Grupo Fetra mantém um compromisso ético importante: nunca atende segurados diretamente. “O corretor é o dono da apólice, ele é o líder. Nossos colaboradores só fazem contato com segurado na presença do corretor“, afirmou Ana Karine.

Essa postura se reflete nos números: mais de 3.000 corretores assistidos em todo o Brasil, com presença forte em Santa Catarina, Bahia e Rio Grande do Sul.

Futuro: crescimento com solidez

Quando questionadas sobre os planos para o futuro, as lideranças foram unânimes: “Queremos ser reconhecidos como a melhor assessoria do Brasil. No nosso coração, já somos. Mas o desafio agora é se manter nesse patamar“, disse Paula, com a concordância de Ana Karine.

Os pilares para essa trajetória estão claros: confiança construída ao longo de 23 anos, ética, transparência, equipe apaixonada e capacidade de adaptação às mudanças do mercado. “É melhor crescer lentamente, mas com solidez, do que crescer rápido sem ter pilares“, ponderou Ana Karine.

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Helena Toniolo

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