“Lacuna securitária é uma imensa oportunidade de mercado”, destaca superintendente da Susep no CQCS Inovação

Alessandro Octaviani defende que a ampliação da proteção financeira no Brasil pode impulsionar um novo ciclo de crescimento do setor, apoiado por mudanças regulatórias e inovação

A lacuna securitária brasileira representa uma oportunidade para a expansão do mercado de seguros e o desenvolvimento econômico do país. Essa foi uma das principais mensagens do superintendente da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Alessandro Octaviani, durante sua participação no CQCS Inovação 2026, nesta quarta-feira (4), no Transamerica Expo Center, em São Paulo.

Ao abordar as perspectivas de crescimento do setor, Octaviani destacou que, apesar da solidez e dos avanços registrados pela indústria, uma parcela significativa da sociedade brasileira ainda permanece sem proteção financeira adequada.

“Certamente há uma enorme lacuna de seguro, previdência e resiliência patrimonial na nossa sociedade a ser ainda preenchida”, afirmou.

Para dimensionar esse cenário, o superintendente utilizou como exemplo as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Segundo os números apresentados, as seguradoras desembolsaram aproximadamente R$ 6 bilhões em indenizações, enquanto os prejuízos totais provocados pela tragédia foram estimados em R$ 100 bilhões.

“Temos aqui uma lacuna de R$ 6 bilhões de economia segurada para R$ 100 bilhões de acontecimentos trágicos que trouxeram prejuízos àquela economia”, explicou.

A diferença representa, na comparação apresentada pelo dirigente, cerca de 94% de perdas não cobertas por indenizações securitárias naquele evento.

 

Lacuna como oportunidade de crescimento

Apesar do desafio, Octaviani defendeu que o baixo nível de cobertura deve ser compreendido também como uma oportunidade de desenvolvimento econômico e expansão dos negócios.

“Nós podemos considerar lacuna securitária como um mercado a ser desenvolvido”, declarou.

Segundo ele, ampliar a presença dos seguros, da previdência e dos demais instrumentos de proteção financeira significa não apenas fortalecer as empresas do setor, mas contribuir diretamente para a estabilidade da economia brasileira.

“Desenvolver o nosso mercado é desenvolver o nosso país”, ressaltou.

O superintendente também destacou que o crescimento depende da construção de relações de confiança com os consumidores. Para ele, além da disponibilidade de renda, a decisão de contratar um seguro está diretamente relacionada à percepção de valor e à segurança de que as obrigações contratuais serão cumpridas.

“Não pode haver quebra de confiança, porque, se este ciclo se quebra, nós, no momento seguinte, temos uma imensa objeção de venda contra o nosso produto”, alertou.

 

Novo ambiente regulatório para impulsionar o setor

Entre os caminhos para reduzir a lacuna securitária, Octaviani destacou quatro frentes legislativas: o novo marco legal dos contratos de seguros, a Lei Complementar nº 213/2025, as mudanças relacionadas ao seguro rural e a nova disciplina tributária aplicável aos resseguradores locais.

A Lei Complementar nº 213/2025, que estabelece regras para cooperativas de seguros e operações de proteção patrimonial mutualista, foi apontada como uma oportunidade de ampliar a oferta e estimular a concorrência.

“Aumenta-se aqui não só a competição com aqueles que já estavam instalados, mas também aumentam-se as oportunidades de interações entre as várias pontas do ecossistema”, afirmou.

O dirigente mencionou ainda a importância do fortalecimento do seguro rural para a sustentabilidade do agronegócio brasileiro e o papel do resseguro na ampliação da capacidade de absorção e distribuição de riscos.

Na avaliação do superintendente, essas mudanças, somadas às atualizações normativas dos segmentos de previdência privada e capitalização, criam condições para o desenvolvimento sustentável do setor nos próximos anos.

“Todo o nosso mercado foi reformado, está sendo reformado, para adquirir sustentabilidade para os próximos anos”, declarou.

 

Eventos climáticos ampliam a necessidade de proteção

Outro ponto central da apresentação foi o aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos extremos no Brasil.

“Nós não podemos tratar como aleatório aquilo que virou constante”, afirmou Octaviani, ao defender a necessidade de instrumentos capazes de reduzir os impactos financeiros das catástrofes.

O superintendente apresentou o trabalho desenvolvido pela Susep em torno de uma estratégia nacional de resiliência securitária e financeira, voltada à ampliação da proteção da economia brasileira diante de grandes eventos.

Entre as possibilidades discutidas está o aumento da contratação de seguros pelo poder público, especialmente para proteger obras, equipamentos e estruturas essenciais à prestação de serviços.

“Agora imaginem vocês os 5.500 municípios do nosso país sendo contratantes de seguro para que a sua infraestrutura tenha resiliência”, provocou.

Segundo Octaviani, a ampliação da cobertura securitária de projetos de infraestrutura pode representar uma mudança significativa na dimensão do mercado brasileiro.

Ao relacionar inovação, regulação e desenvolvimento econômico, o superintendente reforçou que a redução da lacuna securitária representa uma oportunidade para ampliar negócios, fortalecer a indústria e aumentar a capacidade de recuperação financeira da sociedade diante de perdas e acontecimentos inesperados.

O JRS acompanha o CQCS Inovação 2026, realizado nos dias 4 e 5 de novembro, em São Paulo, trazendo os principais debates, anúncios e iniciativas que movimentam o mercado de seguros brasileiro.

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Filipe Tedesco

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Júlia Senna

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