Longevidade: “o futuro tem cabelo grisalho”

Confira artigo do advogado sócio fundador e diretor da CJosias & Ferrer Advogados Associados, Carlos Josias Menna de Oliveira.

“O futuro tem cabelo grisalho – Martin Henkel”

Já faz algum tempo que o tema vem despertando cada vez mais o interesse de todos.

Não poderia escapar ao olhar securitário a reflexão sobre o assunto e menos ainda as repercussões dele.

Sabido que nos seguros de pessoas, vida e vida em grupo, em especial, é antiga a discussão acerca do reajuste por faixa etária, previsão contratual invariável, verdadeiro tormento para os usuários porque a estipulação convencional onera, e bastante, o segurado com incômodos incontáveis, entre eles o de acarretar, numa fase incômoda da vida, um ônus, nem sempre suportável a ponto até de comprometer (questão não muito simpática de abordagem) não só o sustento do segurado como o próprio conceito universal de proteção do instituto e que é o pilar de toda a política do setor.

Este debate que parece não ter fim, e se renova a cada reajuste, perante o grupo segurável – em casos extremos acontecia até o cancelamento total da apólice, originando sucessivas demandas judiciais de definições sempre incertas e nem sempre justas – para um dos lados sempre injusta.

O assunto, palpitante, tem ganho volume de atração, na medida em que a ciência está anunciando, e estamos vivenciando e testemunhando isto dia a dia, o admirável aumento da expectativa de vida, e com qualidade, que já se imagina evoluir para cada vez melhor, mesmo que se saiba do aumento das enfermidades velhas e novas.

Num passado, não muito distante, era quase inimaginável encontrar, conhecer e até saber de alguém que atingisse a, até há pouco espantosa, marca dos 100 anos de vida. Pois isto vai aumentar.

Não faz muito, aos 80 anos, em média, o idoso de antes que já se apresentava por demais envelhecido e enfraquecido, frutifica, hoje, em velocidade cada vem mais acelerada para a produtividade e mantendo pleno vigor e dinamismo capacitado para dançar rock and roll por duas horas ou mais num palco, exercitar as artes com talento invejável e dirigir um país (@maurenmotta).

Notem como as mulheres, num número considerável, deixaram-se alcançar pelos cabelos brancos. Elas sabem o que fazem e o que querem, quem confundiu a escolha por simples vaidade, ou falta de, não entendeu muito, ou não entendeu nada.

As informações se acumulam, “O futuro tem cabelo grisalho”, anunciou Martin Henkel, referência no marketing e vendas da Economia Prateada no Brasil, fundador da SeniorLab, escritor do livro A Trilha da Longevidade Brasileira, estudioso há mais de trinta anos deste assunto.

Parece que há “sinais” de que se não for exatamente isto passa muito por isto.

Envelhecer seria o novo verbo da economia, “longevidade não se mede em anos, mas em planos”.

Diretor Junqueira com graça e ironia fulminantes era, efetivamente, um visionário “ainda bem que envelheci se não teria morrido antes”.

De suas ponderações Martin desnuda que o fato é que a geração 60, pasmem, move 1,8 trilhão por ano e decidirá os rumos do país em uma década.

Sim, Martin carrega “cabeça branca”.

E barba branca.

Estaria somente em causa própria não fosse munido de tantos dados e evidências.

O comercial do cabeça branca na lancha passou quase que desapercebido por quem se ajustou nele pelo lado pejorativo e irrelevante da conquista e do poder, havia nele um conteúdo mais real, construtivo e promissor.

O Fórum São Paulo da Longevidade, acontecido de 27 a 29 de outubro, 2025 no Expo Center se dedicou à saúde integral, mobilidade acessível e proteção social para a população idosa e ajudou a desvendar este tesouro encoberto pela febre da rotina e do pensamento cômodo de que a vida acaba logo ali.

De 12 a 14 de outubro de 2026 será a 8ª edição do evento que parece ter despertado um mercado adormecido.

Hora de parar de se espantar com isto, com a mobilidade de um Ary Fontoura (92), a lucidez de Lima Duarte (95), Fernanda Montenegro (96), a disposição de Caetano (83) e Ney Matogrosso (84), ou de grandes chefes de Estado Paul Bya (92), Mahanmoud Abbas (89), Salman (89), Sergio Matarella (84) e tantos outros.

O Mundo está mudando. E tão rápido que já mudou.

Hora de acordar.

E nós aonde vamos?

Algumas alterações urgem que aconteçam no mercado securitário e no ramo dos seguros de pessoas – principalmente.

A troca de faixa etária em momento, ainda inoportuno, precisa ser reavaliada mas o aumento da expectativa de vida impõe, necessariamente, um outro olhar, outra visão, no ponto.

Que os técnicos e atuários se debrucem sobre o tema.

Saudações

Crédito foto:

Carlos Josias Menna de Oliveira

Crédito texto:

Carlos Josias Menna de Oliveira

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Helena Toniolo