As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul geraram impactos significativos na economia, na sociedade e, especialmente, no setor de seguros. Diante da maior frequência de eventos climáticos extremos, o episódio evidenciou a urgência de discussões sobre gerenciamento de riscos, prevenção e a importância da proteção do patrimônio.
Para André Favaro, gestor comercial do GrupoGC no estado, a catástrofe alterou a percepção dos profissionais do setor sobre sua própria função. Ele ressalta que o cenário promoveu uma maior conscientização e profissionalismo, exigindo que o corretor compreenda com clareza as necessidades reais de cada segurado. Além disso, Favaro destaca que, em momentos de crise, ficou claro que a atuação da categoria vai além dos resultados financeiros, focando no cuidado com a sociedade e na efetividade da entrega.
Na avaliação de André Favaro, gestor comercial do GrupoGC no Rio Grande do Sul, a tragédia provocou uma mudança importante na forma como os profissionais do setor enxergam sua atuação.
“Acredito que isso veio a conscientizar mais e profissionalizar também o que o corretor tem que entregar para seu cliente, olhar com visão e entender as necessidades reais de cada segurado. Em situações de extrema urgência, também se notou o quanto a união entre todos mostra que não é só comissão, só resultado, é entrega, é cuidado com a sociedade“, afirma.
A percepção de que as mudanças climáticas não representam um evento isolado também tem influenciado o comportamento dos profissionais do mercado. Há apreensão com os impactos futuros e, consequentemente, busca por apoio estratégico junto às seguradoras e às instituições ligadas ao setor.
“É de conhecimento de todos que a alteração climática não será um evento isolado, é algo que fará parte de nossas vidas daqui por diante. Então sim, a preocupação existe, a mudança de mentalidade vem junto à preocupação e a busca de apoio junto às seguradoras e aos órgãos competentes deve existir para tentarmos minimizar os efeitos“, observa.
Apesar desse avanço, Favaro acredita que o debate ainda poderia ser mais intenso, especialmente nos períodos entre os eventos climáticos.
“Essa busca deveria ser enfatizada no meio segurador, principalmente no período entre os eventos climáticos, inclusive com práticas em prol do meio ambiente“, acrescenta.
Seguros residenciais e empresariais lideram procura
O aumento da percepção de risco ainda reflete na procura por seguros. De acordo com o executivo, os produtos voltados à proteção de residências e empresas foram os mais demandados nos últimos meses.
“Com certeza, seguros das carteiras de residência e empresa. Mas cabe sinalizar que, sem apoio das seguradoras, que obviamente acaba desacelerando as operações em locais de risco, pouco pode ser feito na prática“, destaca.
O movimento acompanha uma tendência observada em diversas regiões afetadas pelas enchentes, onde famílias e empresários passaram a avaliar de forma cuidadosa os impactos financeiros provocados por desastres naturais.
Debate sobre prevenção precisa avançar
Apesar de o desastre ter elevado o interesse pelo assunto, Favaro considera que ainda não existe um diálogo suficientemente amadurecido sobre gestão de riscos entre empresas, poder público e a sociedade.
“Sinceramente, não vejo esse movimento. Deveria haver uma cobrança, um debate entre o mercado em si, empresas, população e órgãos públicos, pois tem que ser uma preocupação geral. É uma conversa que precisa acontecer antes e não depois dos eventos“, afirma.
Para ele, o enfrentamento dos desafios climáticos exige uma atuação conjunta, que ultrapassa os limites do mercado segurador. “A mudança tem que ser global. Órgãos públicos, sociedade e mercado segurador precisam atuar juntos, com conscientização, investimento em prevenção, melhorias estruturais e cuidado com o meio ambiente“, ressalta.
O papel social do corretor
Com mais de três décadas de atuação no setor, Favaro acredita que o corretor de seguros desempenha uma função que vai muito além da comercialização de apólices. No segmento há mais de 30 anos. De acordo com o gestor, a compreensão do cenário local e das demandas sociais reforça que o atendimento especializado gera um impacto vital na comunidade.
Ao longo da carreira, inúmeras experiências ajudaram a consolidar sua visão sobre a importância da proteção financeira.
“São tantas situações. Desde aquele cliente que, com muito esforço, comprou seu primeiro veículo, uma família que perde um ente querido ou uma empresa que, por algum motivo de força maior, precisa interromper suas atividades. Sem a contratação de proteção patrimonial ou familiar, dificilmente conseguiriam se restabelecer em curto ou médio prazo“, relata.
Para o gestor, o seguro tem um papel não apenas na recuperação individual de pessoas e empresas, mas também na manutenção da atividade econômica. “Amparar de forma que sigam com suas vidas de maneira digna e contribuir para que a roda da economia continue girando mudou minha visão. Percebi que não se trata apenas de uma prestação de serviço“, conclui.
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