O Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (Sindseg SC) reuniu profissionais do mercado na manhã desta quarta-feira (19) para discutir temas sensíveis e estratégicos do setor: as mudanças recentes no seguro auto e os efeitos da nova Lei do Seguro. O palestrante convidado foi Ney Dias, presidente da FenSeg e diretor-presidente da Bradesco Auto/RE, que conduziu um amplo panorama sobre regulação, comportamento do consumidor, custos, riscos e o futuro da proteção automotiva.
Para presidente do Sindseg SC, João Amato, ressaltou que o encontro ocorre “em um momento especialmente significativo” para o mercado catarinense e brasileiro.
“As tecnologias emergentes, as mudanças de comportamento, as novas formas de mobilidade e os impactos cada vez mais evidentes das alterações climáticas estão mudando a forma como pensamos o risco, a proteção e o serviço”, destacou.
Ele reforçou ainda o compromisso do sindicato com a capacitação contínua: “Investir em educação é fortalecer a cultura do seguro e o crescimento de todas as instituições que fazem parte do setor.”
“O setor de seguros é um negócio de pessoas para pessoas”
Ney Dias compartilhou aspectos da própria trajetória, destacando que a maior parte dos profissionais chega ao setor “por acaso”, mas permanece por identificação:
“A grande maioria entrou por acidente no mercado segurador. Mas isso tem um lado positivo: depois que entra, a gente se apaixona.”
Segundo ele, essa paixão nasce do impacto social da atividade: “É um setor de pessoas com pessoas, pessoas fazendo a diferença na vida de pessoas.”
Desafios do seguro auto: custos, riscos e comportamento
Ney detalhou fatores que pressionam o ramo Auto, um dos mais relevantes do país. Para o executivo, a combinação entre inflação de peças, mão de obra, tecnologia embarcada e variações regionais de roubo e furto exige atenção permanente.
Ele lembrou que os eventos climáticos extremos também trazem complexidade adicional: “Cada vez mais observamos os impactos das alterações climáticas. Precisamos de coberturas de alagamento e catástrofes que sejam técnicas e sustentáveis.”
O presidente da FenSeg também destacou a mudança etária dos segurados: “Os jovens estão começando a dirigir mais tarde. E depois dos 30 anos, quando estabilizam a vida, passam a contratar o seguro.”
Essa tendência, segundo ele, altera profundamente a composição da carteira.
Regulação e modernização: o impacto da Lei 15.040
Um dos temas centrais do encontro foi a nova Lei do Seguro, que entra em vigor em dezembro. Para Ney Dias, a norma traz avanços significativos: “A grande vantagem da lei é juntar tudo em um arcabouço só.”
Ao mesmo tempo, ele pondera que o excesso de proteção pode gerar efeitos indesejados: “Quando você cria uma proteção exagerada, pode acabar dificultando a própria existência de cobertura para alguns riscos.”
Sobre deveres de informação, Ney enfatizou: “Aquilo que o segurador não perguntou, ele não tem direito de questionar depois. Isso vai obrigar a que a gente tenha tudo muito bem documentado.”
Ele recomendou que seguradoras e corretores reforcem a transparência no processo de regulação: “É fundamental que o corretor saiba e que o cliente saiba o que está faltando. A melhor forma é a transparência da documentação necessária.”
LC 213 e APVs: campo que exige isonomia
Ao comentar o novo marco regulatório das proteções patrimoniais mutualistas, Ney reforçou a importância de uma concorrência equilibrada: “Como FenSeg, não somos contrários à concorrência, desde que essa concorrência seja justa.”
E relembrou que, diferentemente das seguradoras, as associações não possuem reservas técnicas suficientes para riscos sistêmicos: “Quando o fundo não tem recursos, não há como pagar. É importante que o consumidor saiba a diferença entre um seguro e um rateio.”
Cultura do seguro e comunicação com a sociedade
Ney ressaltou que o fortalecimento da cultura de proteção depende de esforço conjunto: “A cultura do seguro não cai do céu. Todos os países enfrentam essa dificuldade.”
E defendeu maior colaboração entre seguradoras e corretores no desenvolvimento de novos produtos e na comunicação com o público: “Temos que ouvir mais os corretores na hora de desenvolver produtos e ajudar na geração de conteúdos que formem consciência de risco.”
Santa Catarina como palco de debates estratégicos
João Amato destacou que receber Ney Dias em Florianópolis reforça o protagonismo do estado na discussão regulatória e no avanço da cultura do seguro.
Entre análises técnicas, bastidores regulatórios e reflexões de mercado, o encontro deixou claro: o seguro auto está passando por uma transição estrutural — tecnológica, regulatória e comportamental — que exigirá do setor mais diálogo, agilidade e maturidade.

























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