Santa Catarina lidera ranking nacional de golpes virtuais e impulsiona Seguro Cibernético

Estado registra taxa de estelionato eletrônico mais de quatro vezes superior à média brasileira; arrecadação do seguro cresce 8,7% em 12 meses

A crescente migração dos crimes para o ambiente digital tem impulsionado a procura pelo Seguro de Riscos Cibernéticos em Santa Catarina. Nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, a arrecadação do produto no estado alcançou R$ 5,7 milhões, um crescimento de 8,7% em relação ao período anterior, de acordo com dados da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O avanço da modalidade acompanha a escalada dos crimes virtuais no estado.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, os golpes eletrônicos em Santa Catarina cresceram 9,5% entre 2023 e 2024. A taxa de estelionato eletrônico catarinense chegou a 903,8 casos por 100 mil habitantes, um índice mais de quatro vezes superior à média nacional, de 200,6 ocorrências por 100 mil habitantes.

Os impactos financeiros desses ataques também aparecem nos dados do setor segurador. O pagamento de indenizações do Seguro Cibernético em Santa Catarina registrou crescimento de 33,3% no acumulado de 12 meses até março de 2026, totalizando R$ 22 mil.

O cenário revela uma mudança no perfil da criminalidade. Segundo o Atlas da Violência 2026, Santa Catarina consolidou-se como o segundo estado mais seguro do país em letalidade e vem registrando quedas históricas consistentes nos crimes patrimoniais com violência direta. Ao mesmo tempo, o estado se destaca nacionalmente pelo avanço acelerado dos delitos digitais, especialmente dos golpes eletrônicos.

Para o presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC), João Amato, o aumento das transações digitais ajuda a explicar esse movimento.

Com o crescimento exponencial do volume de transações bancárias por canais digitais, os criminosos estão migrando para o ambiente virtual por conta do menor risco e do maior potencial de perda financeira para as vítimas”, afirma.

Ainda de acordo com o Atlas da Violência 2026, entre 2020 e 2024, as transações digitais passaram a representar 81,5% de todas as operações bancárias realizadas no país, ampliando a exposição de empresas e pessoas aos riscos cibernéticos.

Segundo Victor Perego, membro da Subcomissão de Linhas Financeiras da FenSeg, o avanço dos ataques digitais tem levado empresas a encarar a cibersegurança como um tema estratégico de gestão de riscos.

O risco cibernético deixou de ser visto apenas como uma questão de tecnologia e passou a ocupar espaço nas agendas de governança, compliance e continuidade dos negócios. Nesse contexto, o seguro cyber ganha relevância não apenas pela proteção financeira que oferece após um incidente, mas também por integrar uma estratégia mais ampla de resiliência operacional e preparação das empresas para enfrentar ameaças cada vez mais frequentes e sofisticadas.

O Seguro de Riscos Cibernéticos oferece proteção para empresas e profissionais diante de prejuízos financeiros causados por ataques virtuais, invasões de sistemas, vazamento de dados, violação de propriedade intelectual e outras ameaças digitais.

A cobertura também pode incluir danos à imagem e à reputação da empresa, além de perdas decorrentes da interrupção das atividades do segurado.

Outra proteção importante é o amparo em situações em que clientes, parceiros comerciais ou órgãos reguladores acionem judicialmente a empresa por falhas de segurança.

A modalidade pode ser contratada por empresas e organizações de diferentes portes, com possibilidade de extensão da cobertura para diretores, conselheiros, sócios e empregados.

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