Seguradoras querem estimular o corretor a oferecer seguro de vida

Representantes do Sindseg PR/MS discutem estratégias de estímulo à comercialização do produto que ainda não chega a proteger 2 de cada 10 brasileiros

O mercado de seguros de pessoas (que inclui seguro de vida) arrecadou R$ 37,8 bilhões no primeiro semestre de 2025, crescimento de 8,4% em relação ao mesmo período de 2024. Dentro desse segmento, 48% do total arrecadado corresponde ao seguro de vida (individual e coletivo), conforme relatório elaborado pela Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), com base nas informações da Susep (Superintendência de Seguros Privados). Mesmo com esse avanço, apenas cerca de 18% da população brasileira possui seguro de vida, indicando grande potencial de expansão.

Representantes do Sindicato das Seguradoras do Paraná e de Mato Grosso do Sul (Sindseg PR/MS) nas diversas regiões dos dois estados se reuniram por teleconferência na última semana (02/03), e dentre outros temas, discutiram estratégias que possam estimular os corretores a ampliar a oferta de seguros de vida. Os participantes destacaram que é um produto de extrema importância para a segurança financeira das famílias, tem boa rentabilidade para seguradoras e corretores, mas ainda é pouco difundido no país e enfrenta desafios culturais e operacionais no mercado.

Uma das representante do sindicato no Mato Grosso do Sul, Ana Letícia Silva, da Zurich Seguros, lembrou que o incentivo à comercialização do produto tem sido uma pauta comum entre as companhias. “Percebemos que é um percentual bastante elevado da população que ainda não dispõe dessa cobertura, e do percentual que possui, o quanto essa produção está centralizada em bancos, contratação via bancos“, disse ela, destacando que o seguro de vida exige uma venda mais criteriosa e consultiva, que demanda um preparo do corretor.

Muitas companhias investem em treinamentos com os corretores com informações sobre os diferentes produtos e formas de abordagem. Mas para outro representante do Sindicato no Mato Grosso do Sul, Erivelton Barbosa (Porto Seguro), esse modelo vem apresentando certo desgaste. “Quando a gente fala de treinamento, ninguém aguenta mais ouvir, tem alguns termos que não dá nem para a gente falar mais“.

Ele explicou que vem tentando contornar essa resistência dando uma conotação mais informal aos eventos na região trazendo especialistas para falar sobre determinados temas. “O corretor é muito demandado pelo seguro auto e acaba não ofertando o seguro de vida. É preciso encontrar novas abordagens para engajar os profissionais, mostrar diferentes formas de fidelizar o cliente, de acordo com perfil e momento de vida. Questionar o que pode ser útil para essa pessoa, será que é um consórcio, seria uma previdência privada ou um seguro de vida?“, indagou Barbosa.

Na região de Londrina (PR), o representante Antonio Ocimar, também da Porto Seguro, chamou a atenção para outro ponto importante: o valor das coberturas previstas em muitas convenções coletivas de trabalho. Segundo ele, em vários casos os capitais segurados são muito baixos. “Tem convenção coletiva que oferece R$ 10 ou R$ 20 mil reais de cobertura. Isso não dá para nada. Precisamos trabalhar também para elevar esses valores e conscientizar sindicatos e empresas sobre a importância dessa proteção”, observou.

O representante de Ponta Grossa (PR), Cleverson Kasprzak, destacou que o desenvolvimento do mercado também passa por uma mudança cultural. “Muitos corretores ainda não enxergam o seguro de vida como um benefício essencial para o cliente. É um trabalho de educação, tanto do corretor quanto da sociedade”, afirmou. Para ele, é necessário reforçar o papel do seguro de vida como instrumento de proteção financeira da família.

Já a representante do sindicato, em Londrina, Viviane Magalhães, da Tokio Marine, sugeriu que o setor amplie o debate com a sociedade e com entidades de classe. “Talvez o caminho seja trabalhar de trás para frente, despertando a sociedade para a importância dessa proteção. Assim, o corretor passa a ser demandado pelo próprio cliente”, disse.

Em Maringá (PR), o representante Fernando Bernardes, da HDI/Yelum, também destacou a importância da conscientização. “Enquanto a sociedade não perceber que o seguro de vida é essencial para proteger a família em situações inesperadas, vamos continuar tendo que fomentar esse produto”, afirmou. Ele acrescentou que experiências dentro das seguradoras mostram que, quando o corretor passa a oferecer o seguro sistematicamente aos clientes, os resultados aparecem.

O diretor executivo do Sindseg PR/MS, Ramiro Dias, reforçou que o tema exige ações conjuntas do setor. Segundo ele, uma das estratégias pode ser aproximar o mercado de entidades empresariais e sindicatos de trabalhadores para discutir o seguro de vida como parte da educação financeira e da proteção dos empregados. “Temos que encontrar uma forma de mostrar a importância do seguro de vida sem simplesmente ensinar a vender o produto. É preciso despertar as pessoas para essa necessidade”, finalizou.

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