Seguro de silos exige atenção ao estoque e à dinâmica da operação

Variação do valor dos grãos, concentração de mercadorias e investimentos em tecnologia influenciam a estruturação do programa de seguros
Talita Ferrari, sócia e diretora comercial da Wiz Co.

 

O seguro de uma unidade de armazenagem de grãos não começa nem termina na estrutura física do silo. Embora incêndios e explosões estejam entre as ocorrências que exigem maior atenção, a exposição envolve equipamentos, processos operacionais, sistemas de conservação e, sobretudo, o valor da mercadoria concentrada no local.

Na avaliação de Talita Ferrari, sócia e diretora comercial da Wiz Co, um dos principais cuidados está justamente em não tratar o silo apenas como um patrimônio físico.

“Quando analisamos uma operação de armazenagem, o primeiro erro que precisamos evitar é olhar apenas para o silo como um ativo físico. O risco não está só na estrutura. Está no conjunto: instalação, equipamentos, processo operacional e, principalmente, no valor do produto concentrado ali dentro.”

A presença de poeira combustível torna incêndio e explosão ocorrências relevantes na análise. Outros eventos, no entanto, também podem provocar perdas expressivas, como falhas elétricas, problemas em equipamentos, eventos climáticos, danos estruturais e falhas nos sistemas responsáveis pela conservação dos grãos.

Outro ponto destacado pela executiva é a diferença entre proteger o patrimônio e proteger o estoque. Uma unidade pode ter a estrutura devidamente segurada e, mesmo assim, apresentar uma exposição superior no valor das mercadorias.

“Isso se torna ainda mais sensível quando a unidade armazena produto de terceiros.”

Nesse cenário, a definição das coberturas precisa considerar a operação como um todo. Capacidade máxima de armazenamento, valor dos produtos, propriedade dos grãos e responsabilidades do armazenador entram na análise.

“A contratação precisa começar pelo entendimento da operação. Quanto de produto pode estar armazenado simultaneamente? Qual o preço desse produto? Quem é o proprietário? Qual é a responsabilidade do armazenador? Sem responder a essas perguntas, é muito fácil montar uma apólice que parece adequada no papel, mas não responde corretamente em um sinistro.”

 

Estoque muda ao longo do ano

A oscilação no volume e no preço dos grãos traz outro desafio à estruturação do seguro. Durante a safra, uma unidade pode concentrar valores significativamente superiores aos observados em outros períodos do ano.

Por isso, segundo Talita, a importância segurada do estoque precisa considerar a exposição máxima da operação, e não apenas uma média anual.

“Aqui, o conceito mais importante é bastante simples: a importância segurada do estoque não deve ser calculada apenas pela média da operação. Ela precisa considerar a exposição máxima.”

Em períodos de maior concentração de grãos, uma importância segurada calculada com base em um estoque médio inferior pode resultar em insuficiência de cobertura justamente quando a exposição estiver no ponto mais alto.

A análise considera a movimentação do estoque durante o ano, incluindo entrada, saída, capacidade de armazenagem, produtos mantidos na unidade e os preços das commodities.

“O valor não é estático. O estoque muda e o preço muda.”

A revisão do programa de seguros, nesse sentido, ganha relevância conforme a operação cresce ou passa por mudanças. Aumento da capacidade de armazenagem, maior retenção de produtos ou alteração no perfil do negócio podem modificar a exposição.

Na avaliação da executiva, a atualização periódica das informações permite que o seguro acompanhe a dinâmica do negócio e reduz a possibilidade de uma cobertura insuficiente em caso de sinistro.

 

Tecnologia melhora a qualidade do risco

A modernização das unidades de armazenagem trouxe sensores, automação, termometria e sistemas de aeração que ampliam a capacidade de monitoramento e prevenção. Esses investimentos já influenciam a análise das seguradoras, embora não exista uma relação automática entre a adoção de determinado equipamento e um desconto na apólice.

“Sim, influencia. Cada vez mais. Mas eu faria uma ressalva, pois não existe uma tabela em que o produtor instala determinado equipamento e automaticamente recebe determinado desconto no seguro. O mercado olha o risco como um todo.”

Na prática, tecnologias de monitoramento ajudam a identificar desvios com antecedência, enquanto sistemas de prevenção e combate a incêndio, manutenção adequada e processos bem definidos podem reduzir a possibilidade de uma ocorrência evoluir até uma perda de grande proporção.

“Isso muda a conversa com a seguradora porque melhora a qualidade do risco apresentado.”

Uma operação com controles efetivos, gestão estruturada e capacidade de prevenção tende, segundo Talita, a apresentar melhores condições para análise do risco pelo mercado segurador. Dependendo das características de cada caso, isso pode contribuir com melhores condições de taxa, franquia, limites ou cobertura.

A tecnologia, no entanto, não substitui os processos de gestão.

“Não adianta ter sensores sofisticados se não existe uma rotina clara para acompanhar os alertas e agir rapidamente.”

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Divulgação Wiz Corporate

Crédito texto:

Fernanda Torres

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