Falar sobre seguro de vida ainda provoca desconforto para grande parte dos brasileiros. O tema, muitas vezes evitado, segue cercado por tabus culturais, desinformação e uma comunicação historicamente baseada no medo. Para João Levandowski, diretor comercial da Azos, o problema não está no produto, mas na forma como ele foi apresentado ao longo do tempo.
“O brasileiro é otimista por natureza. A gente acredita que vai dar tudo certo, que os imprevistos ficam sempre para depois”, explica. Esse traço cultural, embora positivo em diversos aspectos, acaba afastando conversas sobre planejamento e proteção financeira. Soma-se a isso o fato de o seguro de vida ter sido, por décadas, associado quase exclusivamente à morte, criando um bloqueio emocional natural. “Falar de proteção exige falar de futuro, vulnerabilidade e cenários que ninguém gosta de imaginar”, pontua.
Essa forma de pensar acaba adiando decisões importantes. A atenção fica no amanhã, enquanto a lógica do imediatismo distorce as prioridades financeiras. Muitas pessoas acreditam que proteção e suporte só são necessários na velhice e veem o serviço como algo caro, burocrático ou distante da realidade.
Segundo Levandowski, a desinformação existe, mas está diretamente ligada à forma como o produto é comunicado. “Quando o seguro é explicado de maneira excessivamente técnica ou fria, ele se distancia das pessoas. Informação existe, mas muitas vezes não é traduzida”, afirma. Ainda nas palavras do executivo, o papel do mercado e dos corretores é transformar um produto técnico em algo compreensível e próximo.
Outro ponto é a associação da apólice apenas à morte, o que limita a percepção do seu valor. “O seguro de vida é, na prática, uma ferramenta de proteção à vida. Ele ampara famílias em casos de doenças graves, invalidez, incapacidade temporária e outros eventos que impactam diretamente a renda e o planejamento financeiro. Quando falamos só de morte, deixamos de mostrar o serviço como um aliado em momentos difíceis.“
Nesse cenário, modelos simplificados e digitais se aproximam do consumidor. Jornadas mais rápidas, transparentes e menos burocráticas ajudam a quebrar barreiras e a gerar confiança. “Quando o cliente entende claramente o que está contratando, quanto vai pagar e quais coberturas terá, o seguro deixa de parecer algo inacessível”, afirma Levandowski. O executivo termina dizendo que a tecnologia, quando bem aplicada, humaniza a experiência. “Ela não afasta. Pelo contrário: elimina ruídos e torna a experiência mais fluida e humana.”
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