Mesmo em um cenário econômico ainda marcado por incertezas e com pressões concentradas na Previdência Aberta, o setor segurador brasileiro reforçou, até novembro de 2025, seu papel como uma das principais redes de proteção financeira do país. No acumulado do ano, o mercado devolveu R$ 243,8 bilhões à sociedade em indenizações, benefícios, resgates e sorteios, volume 9,6% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Apenas no mês de novembro, os pagamentos somaram R$ 21,1 bilhões, crescimento de 7% na comparação anual. O desempenho evidencia a capacidade do setor de mitigar perdas, preservar renda e dar suporte à continuidade das atividades econômicas de famílias e empresas, mesmo em um ambiente de maior volatilidade.
No campo da arrecadação, os números refletem dinâmicas distintas entre os segmentos. Até novembro, o setor segurador, desconsiderando a Saúde Suplementar, arrecadou R$ 376,2 bilhões, queda de 4,7% em relação ao ano anterior. O presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, explica que “o recuo não deriva de uma retração generalizada da demanda por produtos de seguros, mas está fortemente concentrado em um segmento específico: os planos de Previdência Aberta”.
As contribuições da Previdência, no período analisado, recuaram 19,7%, enquanto os resgates e benefícios pagos avançaram 14,9%, reduzindo a captação líquida para R$ 4,7 bilhões, queda de 91,5% frente ao ano anterior. Em novembro, pelo quarto mês consecutivo, o saldo foi negativo, em R$ 2,5 bilhões, ante o saldo positivo de R$ 7,0 bilhões no mesmo mês de 2024.
“O movimento está associado à incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aportes superiores a R$ 300 mil em uma mesma entidade, nos planos da família Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL)”, explicou Oliveira.
Os demais segmentos mantiveram trajetória de crescimento, reforçando a resiliência da atividade. Os seguros de Danos e Responsabilidades avançaram 6,7%, alcançando R$ 130,4 bilhões em prêmios, impulsionados pela maior busca por proteção patrimonial e empresarial. Nos Seguros de Pessoas, a arrecadação cresceu 8,3%, superando R$ 71,9 bilhões. A Capitalização também apresentou desempenho positivo, com R$ 31,3 bilhões acumulados, alta de 7,7% em relação a 2024.
No entanto, como explica o executivo da entidade, o conjunto de resultados demonstra a solidez do mercado segurador. “Mesmo em um ambiente econômico desafiador, com pressões concentradas em um segmento específico, o setor segue operando como uma rede sólida de proteção financeira, capaz de recompor perdas, sustentar a renda e contribuir para a estabilidade das famílias, das empresas e da economia brasileira”, conclui.
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