Tecnologia amplia análise de riscos e cria oportunidades no seguro corporativo

Sistemas integrados e inteligência artificial ajudam a identificar gaps de cobertura e transformar históricos de sinistros em informação estratégica
Julio Cardoso, superintendente de Estratégia e Performance da Wiz Corporate.

 

No seguro corporativo, nem todo risco aparece de forma evidente. Uma cobertura pode ficar defasada enquanto a exposição da empresa cresce, um ativo pode ser incorporado sem atualização da apólice ou diferentes contratos podem apresentar sobreposição de proteção.

Em uma gestão baseada em planilhas e documentos dispersos, cruzar todas essas informações exige tempo e trabalho manual. É justamente nesse ponto que a tecnologia começa a ganhar espaço como ferramenta de análise.

“Identificar um limite defasado, uma cobertura ausente ou uma duplicidade entre apólices é, ao mesmo tempo, mitigação de risco para o cliente e fortalecimento da relação para o corretor”, explica Julio Cardoso, superintendente de Estratégia e Performance da Wiz Corporate.

A estruturação dos dados permite encontrar esses chamados “desalinhamentos silenciosos”, que podem passar despercebidos justamente porque não existe tempo suficiente para revisar continuamente toda a carteira.

A estruturação inteligente de ocorrências passadas desponta potencial no setor. Longe de ser apenas um registro estático, esse histórico de sinistralidade atua como insumo estratégico na orientação às futuras diretrizes operacionais.

“Sinistro é a concretização do risco, é dado real de histórico e não estimativa. Quando esse histórico está estruturado, ele retroalimenta a análise: informa a próxima renovação, embasa a negociação e permite ler riscos semelhantes em clientes diferentes”, afirma Cardoso.

Informações geradas durante a vigência de uma apólice podem contribuir com a renovação e também ajudar o corretor a identificar padrões em diferentes clientes. Esse movimento, porém, depende de um desafio ainda presente no mercado: boa parte das informações das apólices permanece em documentos não estruturados.

“Uma apólice reúne informações valiosas, mas ainda existe espaço para tornar esses dados mais organizados e acessíveis”, resume.

Condições particulares, endossos e ressalvas podem estar distribuídos ao longo de documentos em PDF. A evolução de ferramentas capazes de interpretar esse conteúdo, extrair informações e organizá-las de maneira estruturada tende a ampliar o potencial das operações orientadas por dados.

A inteligência artificial aparece nesse processo como uma ferramenta capaz de lidar com grandes volumes de informação. O uso pode envolver leitura de documentos, extração de dados e análises preliminares, reduzindo o tempo gasto em tarefas repetitivas.

Contudo, a expansão do volume informativo transforma ativos analíticos em ruídos operacionais desprovidos de aplicação estratégica.

“Nem toda informação gerada é inteligência”, alerta Julio. Segundo ele, uma corretora que não define quais sinais realmente importam pode acabar criando ruído e devolvendo ao profissional justamente o trabalho operacional que a tecnologia deveria reduzir.

Por isso, a capacidade de decisão, o que não precisa ser sinalizado, também passa a ter valor. O seguro corporativo não se resume à criação de plataformas ou à adoção de inteligência artificial. O objetivo está em transformar informação dispersa em conhecimento útil, capaz de apoiar decisões e antecipar problemas.

“A expertise do corretor corporativo na estruturação e na colocação do risco continua sendo o ativo central. A tecnologia, incluindo a inteligência artificial, é uma ferramenta de potencialização, não de substituição”, conclui.

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Fernanda Torres

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