Urbanização acelerada e clima extremo são desafios que o mundo não pode mais adiar. O seguro é o catalisador dessa transformação

Veja o artigo de Eduard Folch, presidente da Allianz Seguros.

A maioria das pessoas em todo o mundo viveu em pequenas comunidades até o século XIX e, a partir da Revolução Industrial, muitas delas começaram a se mudar para as cidades. Ainda assim, em 1960, dois terços da humanidade ainda se concentravam em áreas rurais. Essa realidade mudou em 2007, quando, pela primeira vez, a população urbana ultrapassou a do campo, de acordo com a Organização das Nações Unidas e o Banco Mundial. Hoje, temos 57% da população do planeta nos grandes centros e, em 2050, a estimativa da ONU é de que esse percentual avance para 68%.

No Brasil, o último Censo do IBGE apontou que a zona rural perdeu 4,3 milhões de moradores entre os anos de 2010 e 2022, enquanto as cidades ganharam 16,6 milhões. Em muitos casos, nos deparamos ainda com as megalópoles e cidades adjacentes. A Grande São Paulo, a região metropolitana de Campinas e a Baixada Santista somam, juntas, mais de 27 milhões de pessoas e superam os 21 milhões de residentes de Minas Gerais. Algo semelhante é observado na região de Guangdong, na China, que de Macau a Guangzhou reúne 11 cidades e mais de 70 milhões de habitantes, 2 milhões de pessoas a mais que a população do Reino Unido.

Esse avanço urbano não veio sem consequências. Com mais indústrias instaladas, mais veículos em circulação e cidades cada vez mais rodeadas de construções, volumes crescentes de carbono passaram a ser liberados na atmosfera, o que acelerou o aquecimento global, um dos principais desafios climáticos da atualidade. Como consequência desse movimento, acompanhamos a chegada de eventos cada vez mais extremos que geram prejuízos severos às pessoas e aos negócios, inclusive no Brasil, até então tido como um país menos exposto a catástrofes – as fortes chuvas no litoral Norte de São Paulo, as enchentes no Rio Grande do Sul, a estiagem severa no Centro-Oeste e os recentes tornados no Paraná não negam. Estamos diante de um cenário que, além de preocupante, nos força a buscar uma solução rápida. Não há escolha: precisamos agir ou pagaremos um preço ainda mais alto. E a realização da COP 30 no Brasil reforçou ainda mais essa urgência.

Entretanto, as mudanças climáticas não estão relacionadas somente aos eventos extremos. Elas são parte de uma questão que inclui também a natureza do desenvolvimento urbano e, por isso, as cidades e as megalópoles precisam adaptar a sua infraestrutura e planejamento urbano para essa realidade. Londres, por exemplo, sofre com o superaquecimento no verão, mas gerencia bem as inundações. Independentemente de como o clima possa se materializar daqui em diante, cada comunidade deve achar o seu caminho. Neste quebra-cabeça, cresce a necessidade do seguro, setor que historicamente está a um passo à frente das mudanças globais ao antecipar tendências e oferecer proteção diante de riscos cada vez mais complexos. À medida que as cidades se expandem e os eventos climáticos se intensificam, o seguro se torna um elemento essencial na garantia da resiliência econômica e social, temas altamente ligados ao impacto ambiental. Hoje, a adaptação é uma questão de sobrevivência e, por isso, buscamos liderar a transição rumo a um modelo de negócios mais sustentável, seja com produtos estruturados e com medidas preventivas que fortaleçam a sociedade. Para além de indenizar perdas, o mercado segurador assume agora um papel muito mais proativo no desenvolvimento à resiliência.

Por meio de análises preditivas, incentivos à adoção de práticas sustentáveis e exigência de padrões mais seguros em construções e operações, buscamos reduzir as vulnerabilidades e colaborar para que as cidades tenham menos prejuízos com eventos climáticos extremos ou se recuperem mais facilmente quando eles acontecem. Essa abordagem proativa transforma o seguro em um agente de adaptação às mudanças climáticas, estimulando investimentos em infraestrutura resiliente e soluções inovadoras. É claro que, apesar da sua importância, o setor não deve agir de maneira isolada, e sim com o apoio dos governos, das empresas e da própria sociedade. O trabalho deve ser mútuo.

Em um mundo onde os eventos extremos são cada vez mais frequentes, a adaptação e a mitigação deixam de ser vantagens e passam a responsabilidades para garantir a continuidade das cidades e das economias. Estar preparado é uma necessidade para enfrentar um futuro marcado por incertezas e a resiliência não será obra do acaso, mas da nossa capacidade de agir agora.

Crédito foto:

Divulgação Allianz Seguros

Crédito texto:

Eduard Folch

Publicado por:

Picture of Redação JRS

Redação JRS