Azos no Seguro Sem Mistério: como tecnologia e propósito estão redesenhando o seguro de vida no Brasil

Bernardo Ribeiro, cofundador da Azos, fala sobre tecnologia com propósito, o papel insubstituível do corretor e a missão de honrar compromissos

Em mais um episódio do programa Seguro Sem Mistério, Júlia Senna, CEO do JRS, recebeu Bernardo Ribeiro, cofundador da Azos, insurtech brasileira especializada em seguro de vida. A conversa foi fundo em um tema que vai muito além de tecnologia: o compromisso de proteger famílias de verdade, inclusive quando ninguém está olhando.

De engenheiro a empreendedor do seguro

Formado em Engenharia Civil pela UFMG, assim como o pai e os três irmãos, Bernardo trilhou um caminho marcado pela insatisfação com o convencional e pela atração irresistível pelo novo. Depois de uma passagem pela Arizona State University, onde viu de perto como a tecnologia estava transformando setores inteiros, voltou ao Brasil com a certeza de que empreenderia na área digital.

Dentro da DHL, rodou fábricas automotivas para torná-las mais eficientes, inclusive no México, na Volkswagen. E em paralelo, o Zuli, uma espécie de Airbnb de vagas de garagem. “Perdi muito dinheiro, perdi muito tempo, mas aprendi muito sobre montar times de tecnologia e construir produtos digitais“, resume ele.

Em um dia, chegou o telefonema que mudaria tudo. Rafael Cló, amigo de infância e futuro sócio, ligou relatando um problema com o seu seguro de vida.

A origem da Azos

A reação inicial de Bernardo foi cética. A última abordagem de seguro de vida que ele havia recebido foi conduzida de forma tão ruim que o afastou do produto, mesmo tendo saído da conversa consciente da importância de ter uma cobertura. Mas foi justamente esse argumento que o sócio usou para convencê-lo: “Se a tua experiência tivesse sido boa, talvez não tivesse tanta oportunidade.

O que selou a decisão, porém, foi outra descoberta. Ao conversar com executivos aposentados do setor, ex-presidentes de grandes seguradoras, Bernardo e os sócios encontraram uma realidade que os perturbou profundamente: quando um segurado falece, a seguradora muitas vezes sabe disso, mas aguarda passivamente que alguém entre em contato para abrir o sinistro. Se ninguém liga, o seguro não é pago. O dinheiro que a pessoa pagou por anos, às vezes décadas, simplesmente vira lucro da seguradora.

Como assim? Hoje é muito fácil saber se uma pessoa está viva ou morreu. O banco de dados da Receita Federal permite isso. Por que então não fazem isso?“, questionou Bernardo. A resposta implícita foi o gatilho para a Azos. “Ali virou um propósito.”

Fundada em julho de 2020, em plena pandemia, a empresa nasceu com uma promessa clara: se um segurado falecer, a Azos vai atrás da família para informar que existe um seguro ativo. “Decidimos que seríamos a única empresa do mercado que iria proativamente atrás das famílias.”

O nome e a filosofia do produto

O nome Azos vem do português antigo: “dar azo” significa dar oportunidade. A escolha reflete a intenção de falar sobre seguro de vida de forma mais sóbria e racional, mostrando que é uma decisão inteligente, mas sem abrir mão de tocar o coração. “É um gesto de amor, uma oportunidade que o seguro de vida oferece para a família mesmo quando você não está mais aqui.

No produto, a filosofia se traduz em uma crítica direta à complexidade desnecessária que tomou conta do mercado. Ao longo dos anos, guincho, assistências, resgates e investimentos embutidos foram adicionados ao seguro de vida, em tese para aproximar o cliente, na prática para afastá-lo. “Toda vez que você adiciona complexidade a um produto que deveria ser simples, você afasta o cliente“, explica Bernardo.

A Azos faz o movimento contrário: resgata a base. O seguro existe para proteger de um colapso financeiro, seja pela morte do provedor, seja por doença que limite a capacidade de gerar renda. “Morreu, recebeu. Ficou doente, recebeu. Ficou inválido, recebeu. Esse é o motivo do seguro.”

O corretor no centro da estratégia

Um dos pontos que mais chamou atenção dos investidores da Azos desde o início foi a aposta no corretor como canal principal, em uma época em que muitas insurtechs apostavam no modelo direto ao consumidor. Os próprios sócios foram pressionados a considerar a venda direta.

A resposta veio com dados: em nenhum lugar do mundo o seguro de vida é comprado de forma espontânea. Mesmo nos Estados Unidos, país com alta penetração do produto, o volume de buscas espontâneas no Google é baixo. Nenhuma seguradora ou insurtech conseguiu transformar a venda direta no canal principal. “Existe um tempo de qualidade necessário para explicar os impactos possíveis caso a pessoa morra, fique doente ou fique impossibilitada de trabalhar. E isso normalmente é feito pelo corretor.”

O que a Azos faz é entregar a esse corretor ferramentas simples, acessíveis e capazes de levar informação clara até o segurado, sem tirar o protagonismo de quem está na ponta.

Crescimento e reconhecimento

O episódio foi gravado em um momento de expressiva expansão da empresa. Para Bernardo, o crescimento é sobretudo uma confirmação de direção. “Esse momento representa uma confirmação de que estamos no caminho certo.”

Mais do que os números, o que move o time é a consistência com o que foi prometido no início: colocar o cliente no centro, valorizar o corretor e simplificar o seguro de vida. “Seguro de vida não é sobre produto. É sobre pessoas. É sobre famílias. É sobre responsabilidade.”

Bernardo encerra a conversa com a clareza de quem ainda enxerga muito caminho pela frente. O Brasil ainda tem baixa cultura de seguro de pessoas. Ainda há muita gente que não entende a importância de ter uma cobertura. E ainda há muito espaço para melhorar a experiência do segurado dentro do setor. “Esse é só o começo.”

Tecnologia como motor do próximo ciclo

O episódio com Bernardo chegou ao ar em um momento de forte aceleração para a Azos. A empresa anunciou uma rodada Série C de R$ 125 milhões, parte dos quais será investida no desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial voltadas ao corretor, entre elas o copiloto, assistente que automatiza tarefas operacionais e pode liberar até 15% do tempo desses profissionais para o que realmente importa: orientar clientes e ampliar a proteção das famílias.

Ao mesmo tempo, a Azos se tornou a primeira insurtech selecionada para o programa Emerging Giants da KPMG, iniciativa que reúne empresas brasileiras de alto crescimento com potencial de liderança global.

Crédito foto:

Bruno Carvalho

Crédito texto:

Helena Toniolo

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