Durante anos, o seguro de vida no Brasil passou por um processo de expansão que, na prática, trouxe camadas ao produto. Coberturas adicionais, assistências diversas e estruturas híbridas acabaram transformando um instrumento essencialmente simples em algo de difícil entendimento. Agora, parte do mercado começa a questionar esse caminho.
A crítica ao chamado “produto Frankenstein” ganha força entre executivos do setor, que defendem um retorno ao básico como estratégia de ampliação do seguro no país. Para Bernardo Ribeiro, cofundador da Azos, o excesso de complexidade afastou o cliente final.
“Para vender mais, foram sendo incluídos serviços e assistências que, muitas vezes, ganham mais destaque do que o próprio seguro. Isso torna a oferta confusa. A apólice deveria ser simples: morreu, a família recebe; ficou doente ou inválido, recebe. Quando isso se perde, o cliente se distancia”, afirma.
Segundo ele, a tentativa de agregar valor por meio de múltiplos benefícios acabou gerando o efeito oposto ao esperado. Em vez de aproximar, criou barreiras de entendimento. “O mercado acreditou que estava sofisticando o produto, mas, na prática, dificultou a decisão. Muitas vezes, o consumidor não consegue entender exatamente o que está contratando”, diz.
Resgate do essencial
Esse movimento de revisão parte de um ponto central: o seguro de vida existe para proteger contra um colapso financeiro. Seja pela perda de renda em caso de morte, seja pelo impacto de doenças graves ou invalidez, a lógica é direta. A proposta, agora, é resgatar essa essência.
“A base do seguro é proteção. Quando você simplifica a explicação e deixa claro o que está sendo coberto, a decisão se torna mais racional e acessível”, explica Ribeiro. A simplificação, nesse contexto, não significa reduzir valor, mas tornar o produto mais transparente e aderente à realidade das famílias.
Além da estrutura dos produtos, outro ponto sensível é a comunicação. O executivo destaca que o seguro ainda enfrenta uma barreira cultural no Brasil, muitas vezes associado a um tema evitado no dia a dia. Por isso, a abordagem precisa equilibrar racionalidade e vínculo emocional.
“O seguro é uma decisão inteligente, mas também é um gesto de proteção com a família. Quando isso fica claro, a conversa muda”, afirma.
Falhas estruturais e confiança
A discussão sobre simplificação também expõe um problema mais profundo: a falta de comunicação ativa com beneficiários. Em muitos casos, famílias deixam de receber indenizações simplesmente porque desconhecem a existência da apólice.
Ainda segundo o executivo, algumas empresas passaram a adotar modelos mais proativos. Hoje, existem bases públicas que permitem identificar óbitos. O compromisso da cobertura precisa ser cumprido na prática.
A proposta é inverter a lógica tradicional, em que o beneficiário precisa acionar a seguradora, para um modelo em que a própria empresa toma a iniciativa. Essa mudança pode ser decisiva ao retomar confiança.
Simplificação como estratégia de crescimento
O Brasil ainda apresenta baixa penetração de seguro de vida em comparação a mercados maduros. Linguagem direta, coberturas compreensíveis e processos transparentes diminuem barreiras comerciais. Esse conjunto fortalece o seguro enquanto instrumento de resguardo financeiro.
“O desafio não é criar algo complexo, mas fazer o básico funcionar bem e chegar a mais pessoas”, resume Ribeiro.
O movimento indica uma inflexão importante no setor. Depois de anos de sofisticar o produto, parte do mercado começa a reconhecer que crescer no Brasil, pode depender justamente do oposto: simplificar.
Crédito foto:
Crédito texto:
Publicado por:
Desde 1999, nos dedicamos a disseminar informação segura, inteligente e de alta qualidade para o mercado de seguros. Nossa missão é ser a voz e a imagem de um setor essencial, que desempenha um papel crucial na proteção e no planejamento das vidas das pessoas.
Com compromisso e credibilidade, trabalhamos para conectar profissionais, empresas e consumidores, promovendo uma compreensão mais ampla e acessível sobre a importância dos seguros. Nosso objetivo é não apenas informar, mas também inspirar e fortalecer a confiança em um mercado que impacta diretamente a segurança e o bem-estar da sociedade.
JRS.Digital
CNPJ – 41769103000106
Endereço:
Av. Diário de Notícias, 200 – 1.406
Cristal, Porto Alegre (RS)
CEP: 90810-080
Telefone:
(51) 98140-0475 | (51) 99314-9970
Conteúdo e pauta:
redacao@jrscomunicacao.com.br
Comercial:
julia@jrscomunicacao.com.br
Desenvolvido por B36 Marketing | Todos os Direitos reservados JRS.DIGITAL