Inteligência artificial transforma análise de risco e acelera mudanças no seguro de vida

Uso de modelos preditivos, automação e machine learning amplia personalização, reduz burocracia e redefine jornadas no setor segurador

A inteligência artificial deixou de ser tendência tecnológica no mercado de seguros. Ela já altera profundamente a análise de risco, a precificação de produtos e o relacionamento entre corretores e segurados.

No setor de seguro de vida, essa transformação é notável. Processos que historicamente envolviam burocracia, análises lentas e formulários extensos estão sendo substituídos por jornadas totalmente digitais, decisões automatizadas e o uso de modelos preditivos. Estes modelos são capazes de processar e analisar centenas de variáveis em questão de segundos.

Para André Calazans, a mudança representa uma ruptura importante em relação ao modelo tradicional do setor. “Historicamente, o mercado operava com modelos mais estáticos, baseados em tabelas atuariais amplas e análises predominantemente manuais. Hoje, a IA permite uma avaliação muito mais dinâmica, personalizada e em tempo real”, afirma.

Segundo ele, o avanço do machine learning e dos modelos preditivos amplia a capacidade das seguradoras de interpretar grandes volumes de dados e identificar padrões antes praticamente invisíveis.

Isso melhora não apenas a precificação do risco, mas também a prevenção a fraudes e a eficiência operacional.

 

Insurtechs aceleram transformação

Movimentos de digitalização ganharam velocidade nas insurtechs. A Azos criou tecnologias próprias de automação que agilizam etapas de subscrição, tornando o processo de contratação fluido.“Temos o FRED, um modelo proprietário que ajuda o time de subscrição. Ele consegue avaliar centenas de variáveis em poucos segundos, tomar decisão para emissão de parte das apólices e direcionar, com mais assertividade, os casos que precisam de análise manual”, explica Calazans.

A principal diferença em relação aos usados há alguns anos está na capacidade adaptativa dos sistemas atuais. “No passado, as análises eram construídas a partir de grupos estatísticos amplos e atualizadas com menor frequência. Hoje, os modelos aprendem continuamente com novos dados e ajustam previsões de forma muito mais rápida.

 

Dados ampliam personalização

Além da velocidade, a inteligência artificial também aumentou as informações utilizadas nas análises.

Antes, o seguro de vida se apoiava majoritariamente em dados cadastrais, histórico médico e aspectos básicos de estilo de vida. Agora, múltiplas fontes de informação ajudam a construir uma visão mais contextualizada do perfil de risco.

Os modelos atuais não servem apenas para aceitar ou recusar propostas. Eles ajudam a personalizar ofertas, melhorar jornadas digitais, identificar comportamentos de fraude e otimizar a experiência ao longo de todo o ciclo do seguro”, afirma.

Esse avanço também impulsiona um movimento de democratização do seguro de vida. Segundo Calazans, o ganho de eficiência operacional e precisão nas análises permite que as empresas ofereçam produtos mais acessíveis e aderentes às necessidades reais das pessoas.

O crescimento da inteligência artificial no setor também vem acompanhado de maior atenção regulatória.

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece regras para coleta, armazenamento e tratamento de informações pessoais, especialmente dados sensíveis relacionados à saúde, amplamente utilizados no seguro de vida.

Isso exige que seguradoras e insurtechs tenham processos robustos de governança, consentimento e segurança da informação”, explica.
Além da LGPD, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) acompanha a evolução tecnológica do mercado e discute formas de equilibrar inovação e proteção ao consumidor.

O desafio hoje não é apenas construir modelos eficientes, mas garantir ética e transparência nas decisões automatizadas.

 

Contratação simples e digital

Na prática, um dos impactos mais perceptíveis da IA aparece justamente na experiência do segurado. Processos antes considerados lentos e burocráticos passaram a ocorrer de forma simples e rápida.

Em vez de formulários extensos e análises demoradas, o segurado consegue fazer simulações, enviar informações e receber retorno em poucos minutos ou horas”, afirma Calazans.

A transformação também alcança os corretores, que passaram a contar com ferramentas inteligentes na cotação, acompanhamento e emissão de propostas.

No fim, a tecnologia ajuda a reduzir uma das maiores barreiras históricas do seguro de vida: a complexidade. Quanto mais simples, transparente e digital for a experiência, maior tende a ser a adesão das pessoas ao produto”, conclui.

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Fernanda Torres

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