Só no RS, dados do DETRAN, foram 122 mortes de motociclistas no primeiro trimestre deste 2026. Em Porto Alegre as motos dominam em 60% dos sinistros com mortes – 12 óbitos em 19 eventos.
No trânsito do país 41,6% de vítimas fatais em acidentes são com motos. Quase 16 mil por ano.
Crescimento de 38% acidentes fatais com motos no país nos últimos 5 anos.
Isto resulta em 1/3 das internações por trânsito no SUS, e quase 80% dos leitos do setor de traumatologia.
O RS detém a estúpida média de 40 mortes por mês de motociclistas.
E uma posição constrangedora no ranking.
É possível imaginar o risco destes eventos danosos e trágicos por um simples trafegar na cidade em qualquer horário e qualquer dia da semana, a serviço ou a passeio.
Observar o comportamento, no tráfego, dos motociclistas, é um teste severo de resistência cardíaca e emocional, desperta ansiedade no mais sereno e paciente dos viventes, nos remete a um filme de suspense de Hitchcok e se você não quiser perder o humor lembre de Mel Brooks que, por sinal, atravessa o centenário com saúde e por diversas vezes revelou andar de moto e inclusive fez uma ´ponta` em Banzé no Oeste, posando de motoqueiro.
Mas destaco, não está no rol das minhas intenções demonizar o veículo de duas rodas com motor tampouco seus condutores, ao contrário, trabalho com a ideia de preservar vidas até porque a existência de ambos se tornou indispensável principalmente pelos serviços rápidos e que já se incorporaram ao nosso cotidiano.
Fato inegável, contudo, como registrado, logo ali em cima, que na rotina do nervoso trânsito urbano, as motos protagonizam, a todo instante, a possibilidade de um acidente, queda ou abalroamento, e com assiduidade o evento danoso ocorre.
O comportamento de ´costurar` entre veículos já é tido como normal, rotineiro, quase aceitável, como se isso pudesse ser tido como normal em especial quando o tráfego está parado quer pelo semáforo quer pelo denominado ´engarrafamento` corriqueiro mais notoriamente em ocasiões de ´pico`, proximidades de obras e tantas outras indesejáveis, mas inevitáveis oportunidades.
É assim que é, normalmente em alta velocidade.
É notório que condutas do tipo denotam irresponsabilidade e podem gerar responsabilidades, basta haver o evento danoso o fato lesivo e, obvio, a produção de danos quase sempre muito prováveis.
Entretanto, sem desprezar atitudes dolosas – como enfiar o pé no retrovisor de algum carro para forçar a ultrapassagem ou para “punir” desaforadamente o condutor do veículo por alguma contrariedade em desavença imediatamente anterior, é aconselhável uma reflexão sobre as causas destas práticas atitudinais temerárias.
Parece haver uma imensidão de explicações e possível de enumerar alguma sem que seja necessário se ser um estudioso do tema.
A utilização deste meio de condução se multiplicou geometricamente com a necessidade de entregas rápidas – tempo é dinheiro – num primeiro momento na área da alimentação (“fast food”) principalmente, mas logo se estendeu a incontáveis outros tipos de exigências, entrega de documentos, objetos etc – até uma romântica rosa para a pessoa amada.
Uma situação comum a todas as entregas: a pressa, de quem remete e a pressa de quem espera receber.
Se é verdade que os condutores de motos – e aqui me refiro as motos de serviços, nas de passeio a sinistralidade é bem abaixo deste caos – cometem muitas imprudências na condução dos veículos tão ou mais verdade que as exigências para o cumprimento das tarefas são severas, e isto precipita violentamente a onda de sinistralidade no setor.
Os dados são alarmantes.
O prejuízo destes eventos danosos – no plano patrimonial, extrapatrimoniais e corporal – é assustador, por qualquer angulo que se olhe – sem contar o impagável, que é a vida e ou o violento dano físico
Imaginem um setor de traumatologia de um hospital da rede pública lotado por pessoas acidentadas o gasto impressionante que gera, ainda mais num país que mantém um Sistema Único de Saúde, sem contar todo o sofrimento da vítima e dos familiares em torno do fato.
Na verdade, até chegar ao hospital aquele paciente já percorreu diversos caminhos com custos altíssimos por conta do Estado, ambulância, paramédicos, médicos, enfermagem, e toda a ´máquina` envolvida no entorno, funcionários de toda a ordem, e ao tempo que ficar improdutivo o paciente, internado, no que resulta toda esta operação que atinge, sim, por isso, a rede privada, também, e, por via de lógica consequência, em seu sistema de previdência, seguros etc.
O trânsito tem sido uma fábrica de aleijões, que não para aos sábados domingos e feriados, dia e noite sem adicional noturno, multiplicando danos que não se esgotam nos corporais do acidente em si e ou morais, e muitos atravessam os anos se resultar, do acidente, algum tipo de invalidez e resultar, por exemplo, em aposentadoria.
Na militância já passaram pelas minhas mãos e vistas alguma dezenas de milhares de casos do tipo. É horripilantemente triste.
O custo disso, embora eu não seja da área, me parece beirar ao incalculável e alcança uma cadeia impressionante de pessoas físicas e jurídicas, empresários e serviços de todo o tipo.
Os dados são alarmantes.
Uma epidemia contra a qual não há vacina, ou há?
Este o ponto. Precisamos encontrar uma vacina.
Acredito que haja e já foi testada noutros episódios e tempos.
Este o ponto. Precisamos encontrar uma vacina.
A vacina pode não ser barata, mas duvido seja mais cara que os reflexos dos acidentes.
Basta uma pausa para refletir e concluir que a vacina não será mais cara se ficar como está.
Condições adversas semelhantes já foram enfrentadas como álcool de condutores à direção de seus veículos, velocidades excessivas – grande protagonista com o álcool para gerar acidentes – trabalho com excesso de horas sem dormir, aplicação de multas, enfim.
Cumpre recordar que no setor de transportes rodoviários, ilustrativamente, os problemas que atingiam o setor pareciam sem soluções, até que se rompeu a barreira do “não é possível” e do “assim não dá mas funciona deste jeito” e diversas medidas foram acionadas como multa, exigência de horas de sono dos motoristas, até chegar no “monitoramento”.
Contínuas campanhas governamentais, publicidade privada, mobilização da sociedade que é quem vai arcar com prejuízo do resultado negativo do caos.
Medidas impactantes, de certo, originárias de reclamações de toda ordem, de certo, hoje consagradas e assentadas com resultados ótimos e uma viabilidade do setor inclusive de comercialização de seguros do ramo que se debateu em situações de dificuldades que eram consideráveis quase invencíveis.
O novo impacta, nem sempre é simpático – normalmente não, à primeira vista – mas sempre vem. Se não viesse estaríamos ainda a transportar bananas de carroças.
Parece estarmos precisando deste novo.
Talvez até esteja em andamento ou em projeto medidas sobre a temática, não sei, mas se não estão a hora mais do que chegou. Passou, e o custo está muito alto.
O investimento feito no ramo transporte, no combate à velocidade excessiva, ao álcool, e outros itens prejudiciais, reverteu um quadro macabro e de alto custo.
Que se repita no tema aqui suscitado.
Saudações
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