Da Operação à Decisão

Leia o artigo de Andreas Mantovani, advogado, Coordenador da Controladoria da CJosias & Ferrer

Há algum tempo venho estudando e, principalmente, trabalhando com temas como Controladoria Jurídica, Legal Ops, Business Intelligence, indicadores de desempenho, gestão e, mais recentemente, Inteligência Artificial aplicada ao Direito.

Percebi que muitas reflexões acabam ficando restritas às conversas do dia a dia. Resolvi compartilhá-las por aqui. Não para trazer respostas prontas, mas para discutir temas que fazem parte da gestão de operações jurídicas.

Quando vejo discussões sobre IA no jurídico, normalmente o foco está na automação. Petições, pesquisas, revisão documental, classificação de informações e resumos de processos.

Tudo isso representa um avanço importante.

Mas, antes de automatizar qualquer atividade, existe uma etapa que considero indispensável: entender a operação.

Quanto tempo uma publicação leva para se transformar em um prazo efetivamente cadastrado?

Onde estão os maiores índices de retrabalho?

Como a carga de trabalho está distribuída entre as equipes?

Quais atividades realmente consomem capacidade operacional?

Essas respostas não aparecem apenas observando a rotina. Elas dependem de processos bem definidos, dados confiáveis e indicadores construídos para apoiar decisões.

Uma das maiores mudanças que percebi nos últimos anos foi justamente essa: quando começamos a medir a operação, problemas que pareciam isolados passaram a revelar padrões. Gargalos de fluxo, falhas sistêmicas, retrabalho recorrente e até ferramentas de automação subutilizadas ficaram muito mais evidentes.

Outro ponto que sempre me chama atenção é a forma como muitos dashboards são construídos. É comum encontrar painéis com dezenas de gráficos e indicadores, mas que não respondem à pergunta mais importante: qual decisão esse dashboard deve apoiar?

Saber quantos prazos foram cadastrados no mês é relevante. Mas esse número, sozinho, dificilmente explica o desempenho da operação.

Para mim, um dashboard começa pela pergunta, não pelo gráfico. Se o objetivo é identificar gargalos, os indicadores serão um conjunto. Se o objetivo é avaliar capacidade operacional ou cumprimento de SLA, provavelmente serão outros.

É nesse momento que a Controladoria Jurídica deixa de registrar apenas o que aconteceu e passa a explicar por que aconteceu.

A IA potencializa esse trabalho, mas continua dependendo de dados confiáveis e processos maduros para entregar resultados consistentes.

Tecnologia acelera a execução. Gestão é o que garante que estamos acelerando na direção certa.

Crédito foto:

Divulgação CJosias & Ferrer

Crédito texto:

Andreas Mantovani

Publicado por:

Picture of Redação JRS

Redação JRS