A transição energética está movimentando investimentos, criando novos projetos e modificando o mapa de riscos das empresas. Apesar desse avanço, o segmento de energias renováveis ainda é pouco explorado por grande parte dos corretores de seguros.
O mesmo acontece com o Seguro Garantia, modalidade que possui aplicação em diferentes operações, contratos e setores da economia, mas que ainda não faz parte da rotina comercial de muitos profissionais.
Essas duas frentes foram apontadas por Gustavo Carvalho, diretor Comercial da AXA, como oportunidades para a diversificação das carteiras. O executivo conversou com a jornalista Júlia Senna, editora-chefe do JRS, durante o 24º Congresso Brasileiro dos Corretores de Seguros, realizado no Rio de Janeiro.
“A gente vive um momento de transição em energias renováveis, e esse é um nicho que o corretor ainda explora pouco. O segmento de Garantia também representa um universo muito amplo que nem todos estão observando”, avaliou.
Transição energética cria novas demandas
O crescimento das fontes renováveis não abre espaço somente para uma modalidade de seguro. Projetos ligados à geração e à infraestrutura de energia podem envolver diferentes riscos desde a fase de implantação até a operação.
Nesse ecossistema, existem possibilidades relacionadas aos seguros de Engenharia e Garantia, entre outras soluções que podem acompanhar contratos, obras, equipamentos e responsabilidades assumidas pelas empresas.
Para Gustavo, são nichos alinhados à sustentabilidade, tema que ocupa uma posição cada vez mais estratégica nas decisões de governos, investidores e organizações.
“Em Energia, conseguimos atuar desde Engenharia até Garantia. São segmentos ligados à sustentabilidade, que está no foco do mundo”, explicou.
A oportunidade para o corretor está em compreender como esses projetos funcionam, identificar seus diferentes participantes e construir uma visão mais ampla da operação. Em vez de entrar apenas na etapa final da contratação, o profissional pode acompanhar o cliente desde a estruturação do negócio.
Seguro Garantia ainda possui espaço para avançar
O Seguro Garantia também se destaca pela amplitude de aplicação. A modalidade pode fazer parte de diferentes relações contratuais e exige uma análise técnica que considere as obrigações assumidas, o perfil das partes envolvidas e as características de cada projeto.
Essa complexidade pode afastar corretores que concentram sua produção em produtos mais tradicionais. Ao mesmo tempo, cria uma barreira de conhecimento que pode se transformar em vantagem competitiva para quem buscar especialização.
Em mercados menos explorados, o corretor tende a enfrentar uma concorrência diferente daquela encontrada em carteiras mais maduras. A conversa deixa de girar exclusivamente em torno de preço e passa a envolver análise, estruturação e capacidade de orientar o cliente.
Diversificação sustenta crescimento da AXA
Após completar dez anos no mercado brasileiro, a companhia intensificou o desenvolvimento de produtos, promoveu mudanças na área comercial e revisou sua proposta de valor.
“É um ano desafiador e o mercado não vem crescendo como esperávamos. Mas a diversificação, o lançamento de produtos e o reposicionamento da área comercial têm nos ajudado a continuar crescendo”, relatou.
A estratégia mostra que, diante de um mercado menos acelerado, repetir a mesma oferta tende a produzir resultados cada vez mais limitados. O crescimento passa pela identificação de novas demandas, pela construção de soluções e pela capacidade de acessar segmentos ainda pouco trabalhados.
A AXA não quer ser apenas mais uma companhia
Para que a parceria funcione, Gustavo considera fundamental conhecer o modelo de negócio da corretora e identificar em quais situações a AXA pode efetivamente contribuir. Isso exige uma atuação comercial menos genérica, já que os parceiros possuem especialidades, regiões, estruturas e perfis de clientes distintos.
O objetivo não é ocupar espaço apenas como mais uma seguradora disponível para cotação, mas ajudar o corretor a acessar negócios diferentes, ampliar seu portfólio e melhorar a rentabilidade da carteira.
“Meu papel é conhecer o corretor e mostrar onde a AXA pode ser útil. Quero que seja a seguradora que busca uma oportunidade nova e melhora a rentabilidade desse profissional. É assim que passamos a ser relevantes e agregamos valor”, ressaltou.
A transição energética e o Seguro Garantia ilustram esse posicionamento. São segmentos que exigem preparação, mas podem abrir espaço para uma atuação mais técnica, consultiva e rentável.
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