Com a chegada do segundo semestre, muitas empresas passam a revisar orçamento, investimentos e projeções para os meses seguintes. Esse também pode ser um momento estratégico para reavaliar a carteira de seguros e verificar se a proteção contratada continua compatível com os riscos atuais da operação.
Aumento de estoques, aquisição de equipamentos, mudança de endereço ou início de novas atividades são situações capazes de alterar a exposição a riscos. Mesmo assim, nem sempre essas transformações são acompanhadas por uma atualização das apólices.
Para Thiago Menegol, coordenador de Multiprodutos da Cabergs, esse período pode ser uma oportunidade para verificar se a estrutura contratada continua adequada. “Agosto pode ser um período propício porque muitas empresas já têm uma visão mais clara de como está o orçamento do ano e começam a projetar os próximos meses. Nesse processo, o seguro também deve entrar na revisão.”
Segundo ele, a análise permite conferir coberturas, limites e franquias, além de buscar possíveis ajustes de custo sem comprometer o nível de proteção. “Ao longo do ano, a empresa pode ter aumentado seu patrimônio, ampliado estoques, adquirido equipamentos, mudado de endereço ou até iniciado novas atividades. Muitas vezes, essas mudanças acontecem sem que a estrutura de seguros seja atualizada.”
O que olhar na carteira
Uma revisão adequada começa pela avaliação dos riscos aos quais o negócio está atualmente exposto. Isso envolve verificar coberturas contratadas, valores segurados, limites de indenização, franquias, exclusões e demais condições das apólices. Também entram nessa análise o histórico de sinistros, as alterações na operação e a necessidade de atualizar os valores segurados, evitando insuficiências de cobertura.
A questão, porém, não deve ser apenas quanto custa o contrato. “Mais do que olhar apenas para o preço, a revisão deve considerar a relação entre custo, exposição ao risco e nível de proteção. Um seguro mais barato, mas inadequado à realidade da empresa, pode representar um custo muito maior no momento de um eventual sinistro”, explica Thiago Menegol.
À medida que o tempo avança, certas garantias podem não suprir totalmente as demandas da empresa, enquanto outras assumem papel central. Fatores como a expansão patrimonial exigem a revisão de limites, ao passo que a ampliação de estoques ou o investimento em novas máquinas redefinem a estrutura de proteção adequada. Ao mesmo tempo, coberturas de Responsabilidade Civil e seguros voltados a riscos cibernéticos ganham relevância, especialmente entre organizações cuja operação depende cada vez mais de sistemas, dados e serviços digitais.
Mudanças em contratos com clientes e fornecedores também merecem atenção. Dependendo das circunstâncias, novas obrigações podem demandar garantias adicionais ou ampliar a exposição relacionada à responsabilidade civil. “Uma expansão, a aquisição de novos equipamentos, o aumento de estoque, a abertura de uma nova unidade ou a inclusão de novas atividades, por exemplo, podem exigir uma reavaliação das coberturas contratadas. Além disso, mudanças em contratos com clientes ou fornecedores também podem gerar novas necessidades de proteção”, afirma.
Menos custo sem abrir mão da segurança
Em um cenário de pressão sobre os orçamentos, revisar não significa necessariamente cortar garantias. A busca por eficiência pode passar pela adequação de limites, franquias, coberturas e até pela reorganização da própria carteira.
“O caminho não deve ser simplesmente reduzir coberturas para diminuir o valor do seguro. O ideal é fazer uma análise individualizada dos riscos e entender quais são realmente prioritários para aquela empresa”, destaca Menegol.
A lógica é encontrar um ponto de equilíbrio. Nem toda operação precisa do maior número possível de coberturas, mas reduzir garantias sem considerar os riscos envolvidos também pode deixar brechas importantes.
“Uma boa consultoria de seguros ajuda justamente a encontrar esse equilíbrio entre custo e proteção. O objetivo não é contratar o maior número possível de coberturas, mas estruturar uma proteção adequada, evitando tanto a contratação excessiva quanto a exposição desnecessária.”
Soluções variam conforme o mercado
A composição da carteira depende do porte, do setor e das características de cada operação. Entre as modalidades que podem ter relevância estão os seguros Empresarial e Patrimonial, Responsabilidade Civil, Equipamentos, Transportes, Seguro de Vida para funcionários e soluções voltadas a riscos específicos.
O Seguro Garantia também pode ter espaço em empresas que participam de licitações ou assumem contratos que exigem garantias para determinadas obrigações, podendo atender diferentes necessidades conforme o tipo de contrato e a operação. Já os seguros voltados a riscos cibernéticos ganham atenção entre organizações cuja operação depende de sistemas, dados e serviços digitais.
Uma pequena empresa pode concentrar suas prioridades no estabelecimento, nos equipamentos e no estoque. Uma operação de maior porte, por outro lado, pode demandar uma estrutura mais ampla e personalizada.
“Não existe uma solução única: a carteira precisa ser construída de acordo com os riscos e as características de cada negócio”, resume Menegol.
Corretor como parceiro na gestão
O seguro empresarial integra a estratégia de gestão de riscos. A revisão da carteira permite antecipar situações, identificar os principais pontos de exposição e avaliar adequadamente se os limites, coberturas e condições contratadas continuam compatíveis com a realidade da empresa.
Dentro dessa dinâmica, a atuação do corretor ultrapassa a obtenção de orçamentos. É fundamental que o profissional domine os detalhes da operação, mapeie as vulnerabilidades e estruture propostas alinhadas à realidade corporativa.
“É preciso conhecer a operação, avaliar as alternativas disponíveis no mercado e construir uma solução que faça sentido para aquela realidade. No final, não se trata apenas de contratar um seguro, mas de garantir que a proteção acompanhe a evolução do negócio e continue adequada ao longo do tempo.”
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