O futuro da mobilidade e seus impactos sobre o mercado de seguros estiveram em debate nesta quarta-feira (4), durante o primeiro dia do CQCS Inovação 2026, realizado no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O painel “O Futuro da Mobilidade: IA, NEVs e Circularidade” reuniu Dyogo Oliveira, presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), e Jing Liao, presidente do Conselho da Fundação Solera e diretora administrativa da Solera Corp, para discutir as transformações econômicas, tecnológicas e comportamentais que estão redefinindo a indústria automotiva e os modelos de proteção.
Durante sua participação, Dyogo Oliveira chamou a atenção para os desafios macroeconômicos enfrentados pelo Brasil e seus reflexos sobre a expansão do mercado segurador. Segundo ele, o desempenho da indústria de seguros está diretamente relacionado à atividade econômica, ao consumo e à capacidade de investimento da população.
“Todos aqui sabem que o mercado de veículos é muito fortemente correlacionado com a atividade econômica. Uma família que não tem carro certamente também não tem seguro de carro”, exemplificou.
O presidente da CNseg avaliou que o cenário brasileiro permanece desafiador, especialmente diante das taxas de juros elevadas, da persistência inflacionária e das limitações ao crescimento econômico.
“O cenário para os próximos anos eu não vejo nada muito diferente da continuidade desse mecanismo de altas taxas de juros, com inflação persistente e crescimento mediano”, afirmou.
Nesse contexto, Oliveira destacou a importância de encontros voltados à inovação e à busca por eficiência, capazes de estimular novos negócios e ampliar as oportunidades de desenvolvimento do setor.
Transformações na indústria automotiva
Além dos desafios econômicos, o painel abordou as mudanças estruturais da indústria automotiva global, impulsionadas pelo avanço tecnológico, pelos novos veículos de energia (NEVs), pela inteligência artificial e pelas transformações nos hábitos de consumo.
A discussão contou com a participação de Jing Liao, executiva da Solera Corp, companhia que atua com soluções tecnológicas e dados para os setores automotivo e de seguros. Sua presença trouxe ao encontro uma perspectiva internacional sobre as transformações que afetam a mobilidade e seus desdobramentos para a indústria.
Entre os temas debatidos estiveram as alterações nas cadeias produtivas, as novas exigências tecnológicas e os impactos decorrentes de eventos climáticos extremos.
Foram mencionadas, ainda, as interrupções de fábricas e de cadeias de fornecimento provocadas por desastres naturais, que ampliam os desafios de planejamento e gestão de riscos.
As transformações exigem maior capacidade de adaptação das empresas, especialmente diante da velocidade com que novas tecnologias chegam ao mercado e modificam os modelos tradicionais de produção e comercialização de veículos.
Inteligência artificial e novos riscos para as seguradoras
Para o mercado segurador, a evolução da mobilidade representa tanto desafios quanto oportunidades de inovação.
Durante o debate, Oliveira ressaltou que as mudanças tecnológicas e climáticas exigem uma revisão das ferramentas utilizadas pelas seguradoras para compreender, precificar e administrar riscos.
Um dos pontos levantados foi a limitação dos modelos tradicionais de análise, frequentemente baseados em dados históricos, diante de um cenário em que novos riscos surgem rapidamente e eventos antes considerados excepcionais passam a ocorrer com maior frequência.
A incorporação de inteligência artificial, o aprimoramento dos processos de subscrição e a utilização de novas fontes de dados aparecem, nesse contexto, como caminhos para ampliar a capacidade de resposta das seguradoras.
O debate também relacionou essas transformações à necessidade de oferecer maior resiliência à sociedade, especialmente diante dos efeitos das mudanças climáticas sobre pessoas, empresas e atividades econômicas.
Inovação e sustentabilidade como oportunidades
O painel também trouxe reflexões sobre o papel do setor segurador no financiamento de iniciativas relacionadas à sustentabilidade e à transformação da mobilidade.
Além de desenvolver produtos adaptados aos novos riscos, as seguradoras podem contribuir para essa transição por meio da gestão de seus investimentos e reservas, apoiando projetos que favoreçam o desenvolvimento sustentável.
A discussão reforçou que o futuro do seguro automotivo não depende apenas da evolução dos veículos, mas também da capacidade do setor de acompanhar mudanças econômicas, tecnológicas e ambientais.
O painel integrou a programação do CQCS Inovação 2026, que acontece nos dias 4 e 5 de novembro, em São Paulo, reunindo lideranças e especialistas para discutir tendências, desafios e oportunidades para o mercado de seguros brasileiro.

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